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Assembleia é palco de manifestações folclóricas do Estado

22 de Agosto de 2017 às 17:09
Crédito: Marcos Kennedy
 Assembleia é palco de manifestações folclóricas do Estado
Semana do Folclore

Foi aberto na tarde desta terça-feira ,22, às 14 horas, a Semana do Folclore no saguão da Assembleia. O evento é de iniciativa da Casa Legislativa por meio da seção de Atividades Culturais. A festividade prossegue até quinta-feira, 24.

O início da solenidade contou com a apresentação da Banda de Couro de Pirenópolis, que trouxe para a Alego sete tambores e um instrumento de sopro. O grupo é composto por seis crianças e sete adultos. A eventualidade recebeu também a apresentação das pastorinhas.

“Eu acho a proposta fundamental, pois as crianças goianas serão as responsáveis pela preservação do nosso folclore.  Elas vibram e se sentem importantes ao se apresentarem na Assembleia.  A Banda de Couro tem mais de 200 anos, o grupo das pastorinhas existe há 80 anos”, explicou o Secretário de Cultura de Pirenópolis, Carlos Alberto Bojo.

A programação prossegue na quarta-feira, 23, com apresentação dos violeiros Edson Júnior, Arthur Noronha e Vinícius Araújo, às 10 horas, e do grupo de Folia de Reis Associação Estrela do Oriente, às 15 horas. No dia 24 haverá a apresentação da Companhia de Santos Reis Estrela Divina às 10 horas e, às 14 horas, apresentação de catira de Itauçu.

O deputado Júlio da Retífica ( PSDB) esteve presente na solenidade e disse que“ o folclore goiano é muito rico, em cada região do nosso Estado tem uma comemoração referente a data. Parabenizo toda a equipe por este maravilhoso trabalho, e espero que nós goianos possamos valorizar mais o nosso folclore, pois são nossas histórias e raízes , temos que  passar isto para as próximas gerações “ explicou  o deputado.

Cavalhadas de Pirenópolis.

Reconhecida como uma das mais significativas cavalhadas do Brasil, esta festa virou símbolo e modelo para outras cidades. A pompa, a garbosidade e a seriedade desta manifestação envolve toda a população. Conforme informações do Portal de Turismo de Pirenópolis, é um longo ritual de três dias seguidos, cujos preparativos começam uma quinzena antes, no início da Festa do Divino, que é marcada pela saída da Folia.

As Cavalhadas propriamente ditas são realizadas no campo oficial construído no município para este fim, o Campo das Cavalhadas. A encenação, que é a expressão máxima do evento, se dá nos três dias e é composta por músicas específicas, carreiras equestres coreografadas, diálogos, exercícios e torneios à moda medieval.

Os Mascarados são outra grande atração da festa. Conhecidos também como "Curucucús", por causa do som que emitem, são pessoas mascaradass, com roupas coloridas, luvas e botas. Mudam a voz ao falar e cobrem todo o corpo para que ninguém os reconheçam. Enfeitam seus cavalos com fitas, tecidos, plantas e tudo quanto a criatividade mandar.

Origem

O festejo retrata tempos da dinastia carolíngia, em finais do século VIII d.C., portanto há quase 1.300 anos, onde Carlos Magno, de religião cristã, investiu contra os sarracenos, de religião islâmica, para impedi-los de invadir o centro da Europa. Carlos Magno, ao se afastar da França, deixou-a exposta a invasão pelos saxões, obrigando-os a retornar. Porém deixou na liça o valente Conde de Rolando com sua guarda pessoal: Os Doze Pares de França. Quando ocorreu a famosa Batalha de Roncesvalles, em 778 d.C. Rolando foi massacrado pelos árabes sarracenos, de religião islâmica, e aldeões locais, de religião cristã. Apesar da derrota, o feito foi amplamente divulgado, como mostra de bravura e lealdade cristã, por trovadores que viajavam por toda a Europa. E ficou sendo conhecida como a "A Canção de Rolando", um verdadeiro épico, cantado em trova, como forma de incentivar a população cristã contra as investidas dos exércitos islâmicos.

Conhecidos como mouros, os mulçumanos da Mauritânia, invadiram, nos idos do século VIII, o sul da Península Ibérica, dominando a região de Granada, de onde foram expulsos somente em fins do século XV. Foram quase 800 anos de ocupação moura por quase toda a península, o que, inegavelmente, colaborou para o avanço tecnológico destas nações, uma vez que os mulçumanos árabes, propagadores do islamismo, eram mais evoluídos, do ponto de vista tecnológico, artístico e cultural, do que os cristãos da época. Os reis que resistiram a este avanço refugiaram ao norte da península e mantiveram intacta sua cultura, vindo deles a iniciativa de expulsão da soberania moura na Península Ibérica.

Incorporada ao folclore, durante séculos, a História de Carlos Magno era atração nas vozes dos trovadores e, somente em idos do século XIII, em Portugal, é que resolveu instituí-la como uma festividade, aos modos de uma representação dramática, quase que como um jogo de xadrez, a fim de incentivar a instituição cristã e o repúdio aos mouros. Num grande campo de batalha, onde de um lado, o lado do poente, 12 cavaleiros cristãos vestidos de azul, a cor do cristianismo, lutam contra 12 cavaleiros mouros vestidos de vermelho, encastelados no lado do sol nascente.

No Brasil esta representação dramática foi introduzida, sob autorização da Coroa, pelos jesuítas com o objetivo de catequizar os gentios e escravos africanos, mostrando nisto o poder da fé cristã. Por todo o Brasil encontramos as Cavalhadas sendo representada, em diferentes épocas, prova de que esta manifestação folclórica nada tem a ver, de origem, com a Festa do Divino ou a Pentecostes, como é no caso de Pirenópolis.

Introduzida em Pirenópolis em 1826, pelo Padre Manuel Amâncio da Luz, como um espetáculo chamado de "O Batalhão de Carlos Magno". Pirenópolis manteve forte esta tradição, uma porque os primeiros colonizadores desta antiga cidade mineradora eram, em sua maioria, portugueses oriundos do norte de Portugal, local onde mais se resistiu à invasão moura, outra porque o caráter centralizador da população dominante viu com bons olhos o efeito separatista entre as classes sociais. Porém o que mais motiva a população a manter viva a infindável rixa entre mulçumanos e cristão é a beleza do espetáculo e o prazer pela montaria.

 

 

 

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