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Semana do Cerrado

11 de Setembro de 2017 às 12:41
Crédito: Carlos Costa
Semana do Cerrado
Abertura das atividades comemorativas da Semana do Cerrado
Por iniciativa da deputada Adriana Accorsi, Assembleia promove Seminário Bioma Cerrado: Fauna, Flora e Recursos Hídricos na manhã desta segunda-feira, 11. O evento marcou a abertura da Semana do Cerrado.

A Assembleia Legislativa de Goiás promoveu nesta manhã de segunda-feira, 11, por iniciativa da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT), um Seminário que discutiu o tema “Bioma Cerrado: Fauna, Flora e Recursos Hídricos”. O evento teve lugar no Auditório Costa Lima, situado nas dependências da Casa de Leis.

O evento marcou a abertura da Semana do Cerrado, que promoverá diversas atividades como: palestras, seminários, bazar para comercialização de produtos do cerrado, ainda audiência pública e para finalizar uma sessão solene que irá homenagear os defensores do Bioma. Os eventos terão cunho educativo, com trabalho de preservação do meio ambiente e do Bioma do cerrado, como a fauna, flora e recursos hídricos.

Adriana Accorsi em seu discurso de abertura se mostrou preocupada com a falta de água na região metropolitana, questão que está diretamente ligada com a degradação do Cerrado. Para a parlamentar, o seminário será um passo importante para a promoção da conscientização dos goianos.

“Sem dúvidas que a questão da falta de água é resultado do desrespeito ao meio ambiente e a não preservação adequada dos principais biomas. O Cerrado funciona como uma esponja que reserva a água durante a seca, por isso ele é tão importante para todos os rios e nascentes”, destacou a petista.

De acordo com a parlamentar, a informação é a principal arma para a preservação ambiental, por conta disso, há esse envolvimento da Assembleia em promover a Semana do Cerrado. A deputada ainda ressaltou que o Cerrado é o único bioma que não possui proteção definida pela Constituição, o que, para ela terá que ser discutido pela classe política.

“Nós temos milhões de espécies no cerrado que não estão sendo preservadas, principalmente devido ao crescimento do plantio de grãos. Por isso é muito importante esse debate na Casa de Leis, para sensibilizar os colegas deputados, no sentido de viabilizar ações parlamentares para promover a preservação do cerrado”, declarou a delegada Adriana Accorsi.

Em sequência, o palestrante Luc Vankrunkelsven, fundador do Wervel, grupo de trabalho para uma agricultura justa e sustentável, apresentou a temática “Bioma Cerrado Defesa Internacional”. De acordo com o ambientalista, seu trabalho é focado no fortalecimento e na defesa do Cerrado.

“A Europa tem uma grande responsabilidade na destruição do Cerrado. Acredito que 54% do bioma já está destruído, a situação não é boa. Há uma monocultura da soja que prejudica o Cerrado. O Cerrado não é um patrimônio nacional, hoje é um dia que deve entrar para a agenda política que devemos salvar o Cerrado até mesmo para ser um patrimônio nacional”,

Para o professor Luc é preciso trazer uma discussão política para transformar o Cerrado em patrimônio nacional de preservação, assim como a Amazônia e o Pantanal, que são protegidos pela Constituição Federal.

Já o professor Roberto Malheiros, que atualmente é diretor do Instituto do Trópico Subúmido (ITC) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, apresentou a palestra com o tema: “Aproveitamento de Recursos Naturais na Alimentação”. O professor explicou em sua apresentação que o objetivo de sua palestra é de tratar sobre o aproveitamento dos recursos naturais do Cerrado.

“Uma vez que o Cerrado é um dos biomas que possuem uma das maiores diversidades tanto de flora quanto de fauna do Brasil, por isso quero mostrar esse potencial para ajudar na preservação”, ressaltou o professor Malheiros.

O professor Altair Sales Barbosa, considerado o cientista que mais entende de Cerrado no Brasil, apresentou sua palestra sobre o tema “Projetos Hídricos”.  O estudioso apresentou seus argumentos, os quais comprovam que o cerrado é a “cumeeira do Brasil”, ou seja, ele é quem distribui águas para todas as grandes bacias hidrográficas do continente.

“Isso ocorre em função de grandes processos geológicos que foram acontecendo ao longo do tempo. Um tipo de vegetação especial, que é o Cerrado, sugava a água da chuva e armazenava no lençol freático e depois no lençol artesiano e com isso foram se formando grandes aquíferos e eles foram responsáveis por alimentar as grandes bacias hidrográficas do continente brasileiro”, explicou.

Quando trata-se da seca que está ocorrendo nos principais rios que abastecem as cidades goianas, o professor afirmou que o processo é quase irreversível. “Chegamos em um ponto em que nós não temos o conhecimento científico para reverter o quadro. Portanto, o problema é muito mais sério do que podemos imaginar”, afirmou.

Para o professor Altair, o problema principal reside no desmatamento que retirou a cobertura vegetal natural que sugava a água da chuva e alimentava os lençóis. Isso não acontece mais.

“O segundo problema é que as plantas do Cerrado, por serem especializadas, uma vez degradada não se recupera jamais. Portanto, chegamos num ponto que não há resposta para solucionar os problemas”, finalizou.

Ao final dos seminários, a autora da proposta, deputada Delegada Adriana Accorsi comemorou os resultados obtidos nesta manhã de segunda-feira. Para a parlamentar, a participação dos professores com vasta experiência no assunto foi fundamental para o bom andamento das palestras.

“Nós iniciamos essa Semana do Cerrado com chave de ouro, pois começamos com a propagação do conhecimento. Tivemos a presença de especialistas sobre o assunto de renome internacional que percorrem o mundo falando da importância da preservação do cerrado e outros palestrantes que trouxeram grande conhecimento para todos que participaram”, encerrou a parlamentar.

 

Palestrantes

Professor Luc Vankrunkelsven, belga, fundador do Wervel, grupo de trabalho para uma agricultura justa e sustentável.

Professor Roberto Malheiros, geógrafo pela UCG-GO (1990); Mestre em Geografia pela UFG (1997) e atualmente é diretor do Instituto do Trópico Subúmido (ITC) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Professor Altair Sales Barbosa, é graduado em Antropologia pela Universidade Católica do Chile e possui doutorado em Arqueologia Pré-Histórica pelo Museu Nacional de História Nacional, em Washington, Estados Unidos. Foi ele quem criou o Memorial do Cerrado, no Campus 2 da PUC-GO, o qual se tornou uma atração turística. Também contribuiu para que o ITC passasse a ser referência nacional.

 

Programação da Semana do Cerrado

14/09 - Audiência Pública -Vertentes do Cerrado/Projetos e Ações

Horário: 9:00 às 12:00

Local: Auditório Solon Amaral

 

15/09 - Sessão Solene – Defensores do Cerrado/Amar e Preservar

Horário: 8:45 às 12:00

Local: Auditório Getulino Artiaga

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