Secretário da Associação das Vítimas do Césio destacou falta de assistência do Estado às vítimas
Ao falar na audiência pública que acontece agora na Assembleia Legislativa, Odesson Alves Ferrreira, que além de secretário da Associação das Vítimas do Césio, é também tio de Leide das Neves, afirmou que as vítimas perderam o direito de ir e vir. “Eu era motorista de ônibus, aos 32 anos de idade, e fui obrigado a me aposentar pois tinha sérias lesões nas mãos”, contou, lembrando que transportava pessoas no ônibus, ou seja, "transmiti muita radiação a todos”, contou.
E lembrou ainda: “em 1985 irresponsavelmente abandonaram ali um aparelho que, até então era usado para salvar vidas, que foi nosso desastre. Os responsáveis por essa irresponsabilidade são principalmente o Estado, também culpo os quatro médicos donos da clínica, além do físico, que ali trabalhavam e sabiam o risco que aquilo ali propagava”, falou.
A partir disso, segundo ele, os problemas foram acontecendo, citou o caso de Leide das Neves. “Da minha casa eu fui o único que não estava lá. Mas, saí da casa do meu irmão cheio de radiação. Ele explicou que não tinha como as pessoas imaginarem o risco que estavam correndo pois não havia aviso de situação de perigo. “Não tinha como imaginar que estávamos tocando na morte, pois não tinha nada, nem um aviso, nem uma caveira simbolizando o perigo”, afirmou.
Odesson contou ainda que até hoje são discriminados, mas que a tragédia não pode ser esquecida para não repetir. “Isso não vai acabar com 30 anos não. Até hoje somos discriminados. Porém, não podemos esquecer dessa tragédia pois isso não pode se repetir”.
Para a vítima falta vontade do Governo para resolver a situação precária das vítimas do Césio. “Nós estamos desde outubro de 2010 sem receber medicamento. Eu perdi a próstata recentemente por falta de medicamento. Estamos recebendo 788 reais pois não atualizaram o nosso salário”, falou.