Ícone alego digital Ícone alego digital

CCJ debate contrato da Enel

12 de Março de 2019 às 16:22
Crédito: Marcos Kennedy
CCJ debate contrato da Enel
Comissão de Constituição Justiça e Redação com representantes da ENEL
Comissão de Constituição, Justiça e Redação discute com diretores da Enel projeto de lei do deputado Paulo Cezar Martins que propõe revogar Lei 19.473, de 03 de novembro de 2016, que trata do plano energético no Estado.

A reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), realizada na tarde desta terça-feira, 12, no Auditório Solon Amaral, discutiu o projeto de lei nº 757/2019, de autoria do deputado Paulo Cezar Martins (MDB), que propõe a revogação da Lei 19.473, de 03 de novembro de 2016, que instituiu a política estadual para manutenção, melhoria e ampliação da distribuição de energia elétrica do Estado de Goiás, que trata, dentre outros itens, da concessão de benefícios fiscais à Enel, como também quanto à proteção dos interesses do consumidor quanto à qualidade e oferta do produto.

Estiveram presentes, representando a Enel, o advogado Lúcio Flávio (presidente da OAB-GO) e os diretores da empresa italiana José Nunes de Almeida, Fabiano Coelho, Paula Couto e Humberto Eustáquio.

A reunião começou com Paulo Cezar dizendo que "tal renúncia de receita é inaceitável, pois o Estado deveria estar arrecadando e não abrindo mão de recursos em benefício de empresas”, argumentou em sua justificativa. O deputado relembrou ainda que estava no plenário durante a votação da privatização da Celg e que votou contra, "apesar dos argumentos do ex-deputado Sandro Mabel, que estava na Assembleia naquele dia". "Só queria saber se a Enel vai fazer o que deseja o povo de Goiás e não quero aqui ameaçar e nem ser ameaçado, nem vou fazer barganha. O mais importante é a confiabilidade. Quem tem a perder com o rompimento do contrato é a Enel", pontuou.

No fim da reunião da CCJ, Paulo Cezar reforçou que a intenção é mexer na lei do crédito outorgado de ICMS para a Enel e não mexer no Fundo de Aporte à Celg D (Funac). "Me desculpe, Sandro Mabel, mas não tenho como retirar o meu projeto da pauta, como você pediu, sem a Enel melhorar a qualidade do serviço no Estado. Até para falar com a Enel é difícil, só conseguimos falar por e-mail. Que absurdo é este?", completou.

Na sequência, o deputado Vinícius Cirqueira (Pros) perguntou como a empresa consegue ter prejuízo tendo quase 3 milhões de clientes. Segundo ele, parece claro que a empresa "foi levada à falência de propósito para poder ser privatizada" logo depois. Já Antônio Gomide (PT), reforçando o argumento de Vinícius, disse que é preciso apurar, detalhe a detalhe, a privatização da Celg D. "E, se for o caso, revogar essa lei. Se ficar provada alguma ilegalidade, os goianos pagam um preço muito alto por tudo isso", completou. O deputado Amauri Ribeiro (PRP) disse que a Enel vai ter que "aprender a respeitar o povo goiano, pois a Enel é a pior empresa do Brasil". Ele também afirmou que a Celg foi vendida a "preço de banana" para a Enel. "Sucatearam a empresa para vendê-la com facilidade e isso é absurdo", destacou.

O deputado Dr. Antônio (DEM) disse a representantes da Enel que a empresa tem de tomar medidas urgentes para solucionar os problemas que os goianos enfrentam em todo o Estado. Ele comentou que Cromínia e Mairipotaba, região onde tem uma pequena propriedade, ficaram sem energia durante 30 horas. “Vários deputados já falaram dos prejuízos que a empresa vem causando a milhares de comerciantes e milhares de produtores rurais. Realmente houve uma dificuldade inicial em achar interessados em comprar a Celg, mas quando a venda foi realizada houve a promessa de que R$ 6 bilhões seriam investidos em melhorias na empresa. Milhares de produtores querem saber quando este investimento vai ser realizado”, disse.

Já o deputado Karlos Cabral (PDT) destacou que a verdadeira auditoria da Celg-Enel é feita pelo povo goiano. "O fechamento dos escritórios regionais foi um erro, em Rio Verde, por exemplo, várias questões eram resolvidas lá mesmo e agora a solução piorou, seria melhor a volta dos escritórios regionais", pontuou.

Em outra linha, a deputada Lêda Borges (PSDB) disse que a Enel tem que melhorar o serviço prestado em Goiás. "Mas não podemos desrespeitar um contrato em vigência, tenho que defender o povo, mas sob a égide da lei, sei que contrato assinado é contrato que tem que ser respeitado", afirmou. O deputado Amilton Filho (SD) enfatizou na sequência que no pano de fundo da discussão do projeto 757/2019 é o serviço ruim prestado pela Enel em Goiás. "É difícil defender essa empresa, lá em Anápolis é só reclamação, precisam tratar melhor o cidadão, as empresas e os produtores rurais", afirmou.

Defesa da Enel
Em pronunciamento durante a reunião da CCJ, o advogado da Enel, Lúcio Flávio Siqueira de Paiva, defendeu os benefícios fiscais concedidos para a Enel quando esta comprou a Celg há dois anos. “Nenhum investidor iria adquirir a empresa se não houvesse segurança jurídica garantida pela lei do Funac e a Lei do Crédito Outorgado”, disse. Lúcio Flávio afirmou que a Enel pagou pela Celg R$ 2,2 bilhões, dos quais R$ 1,18 bilhão ingressaram nos cofres do Estado, além de outros investimentos feitos posteriormente. Em sua opinião, o projeto de Paulo Cezar Martins é inadmissível, pois vai prejudicar o ato jurídico perfeito. “Não se pode descontruir um contrato desta importância. Há um direito adquirido. A Enel já absorveu o direito de ser ressarcida. O que está em jogo é a mensagem que este Parlamento passará a Goiás ao Brasil e ao mundo sobre os negócios realizados no Estado. Não se pode usar seu poder legiferante para destratrar o que o Estado se comprometeu a fazer", salientou. 

Já o diretor institucional da Enel, Humberto Eustáquio, disse que quaisquer dúvidas do contrato e da prestação de serviços da Enel serão esclarecidas diretamente com os parlamentares, de imediato, a partir de agora. Ele reconheceu que a Enel-Celg é a pior empresa no ranking da Aneel, mas que os índices estão melhorando e a empresa tem muita expertise na área. Humberto ainda frisou que no primeiro leilão para venda da Companhia Energética de Goiás (Celg D) não apareceram candidatos interessados em adquiri-la, e que a Enel não iria se credenciar se não houvesse os benefícios fiscais oferecidos pelo Governo.

Segundo Humberto, a Enel desembolsou mais de R$ 2 bilhões para aquisição da Celg e que, se fossem levados em conta processos trabalhistas sob responsabilidade da acionista majoritária, o valor da empresa não ultrapassaria R$ 500 milhões. Ele afirmou ainda que em 2018 a Enel fez investimentos de R$ 750 milhões, com recursos próprios, e em 2019 vai investir mais R$ 800 milhões para melhorar os serviços oferecidos.

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.