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Segurança nas escolas

31 de Outubro de 2017 às 13:26
Crédito: Carlos Costa
Segurança nas escolas
Audiência Pública sobre A Obrigatoriedade de Detector de Metal para Escolas
Audiência pública promovida pelo deputado Jeferson Rodrigues, nesta terça-feira, discutiu medidas de segurança escolar para prevenir episódios como o ocorrido no Colégio Goyases.

Aconteceu, na manhã desta terça-feira, 31, no Auditório Costa Lima, da Assembleia Legislativa de Goiás, audiência pública para debater questões referentes à segurança pública nas escolas da capital e do estado. O debate, promovido pelo deputado Jeferson Rodrigues (PRB), foi motivado pela tragédia ocorrida no último dia 20 de outubro, no Colégio Goyases, instituição situada no Conjunto Riviera, região leste de Goiânia, onde um adolescente de 14 anos, que cursava o 8º ano do Ensino Fundamental, atirou contra os colegas de sala, deixando dois estudantes mortos e outros quatro feridos.

O fato reacendeu a preocupação em torno do tema da violência nas escolas e suas imediações. Na tentativa de solucionar a questão, Jeferson Rodrigues promoveu audiência para verificar a possibilidade de implantar sistema de detectores de metais na entrada das escolas. Mas destacou que a importância do evento era chamar a atenção da sociedade e das autoridades competentes para a necessidade se garantir a segurança nas instituições escolares. “Quando levamos nossos filhos para escola, nós pensamos deixá-los em um local seguro”, ponderou o parlamentar. 

A audiência teve início às 9 horas. Participaram do debate, compondo a mesa de trabalhos: o professor Flávio Roberto de Castro, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia e representante do Conselho Estadual de Educação; o deputado federal João Campos (PRB/GO); a professora Sandra de Lourdes, representante do Conselho Municipal de Educação, e a Major Michela Bandeiras, representante do Batalhão Escolar do Comando de Policiamento da Capital.

O deputado João Campos abriu a sessão parabenizando a iniciativa do colega parlamentar e chamando atenção sobre a necessidade de se estabelecer indicadores para o acompanhamento de comportamentos dentro do ambiente escolar. "Penso que colocar isso em debate tem tudo a ver com a atividade parlamentar e sua essência. O fato ocorrido no ambiente da Escola Goyases acabou deixando todos nós em estado de luto. Menos mal que se trate de um caso isolado. Mas esse fato serve para nos conduzir a reflexão”, pontuou o deputado, tendo que se retirar logo em seguida, em função de agenda de compromisso na área da segurança pública do Estado de Goiás.

Adolescência, educação e violência

A representante do Conselho Municipal de Educação de Goiânia, Sandra de Lourdes, chamou atenção para os altos índices de violência que acometem crianças e adolescentes, quadro que é muitas vezes negligenciado pela sociedade, dificultando a elaboração de alternativas adequadas ao pleno equacionamento da questão. “O Conselho se coloca à disposição para debater, para ajudar. Também buscaremos trazer indicadores e fatos que coíbam a violência escolar. Nas escolas é necessário estar atento à relação que essas instituições estabelecem com a família. Se fala muito em bullying, mas o que é isso? Como isso se constitui? É importante promover muitos debates”, justificou.

O estreitamento da relação entre as famílias e a escola também foi ponto fortemente sustentado na fala do professor Flávio Roberto de Castro. “A participação da família nas escolas é fundamental. A comunidade precisa participar. Uma família que não participa da vida escolar do seu filho não sabe o que ocorre na escola e isso tira sua autoridade. O hábito dos pais de frequentar a escola garante que casos como da Escola Goyases não ocorram mais”, afirmou.

De acordo com ele, o sistema educacional vem dando sinais evidentes de falência, o que indica a necessidade das escolas se adaptarem às novas gerações. Defende que o bullying seja discutido nas salas, nas escolas e na família, e prega maior interação entre pais e filhos. “Precisamos de menos conversa e mais ação, senão vamos ficar discutindo nos momentos das tragédias e não haverá solução. Temos uma sociedade de filhos órfãos, muitos pais não olham para seus filhos, não dão atenção a eles. Daí eles vão procurar o pai na rua, que é o álcool, as drogas, o traficante”, observou.

Na oportunidade, a Major Michela Rodrigues defendeu a ideia de que a melhor estratégia para se trabalhar a questão da segurança nas escolas é reforçar o monitoramento. “A Polícia Militar é contra a instalação de detectores de metais nas escolas. Detector causa constrangimento, porque até mesmo o caderno com espiral de metal pode ser detectado. Somos a favor de monitoramento com câmera e acompanhamento psicológico e familiar. Às vezes colocamos toda a culpa na escola, mas nós, pais, temos a obrigação de acompanhar nossos filhos e orientar sobre questões de bullying”, comentou.

Assim como Michela, a maior parte dos integrantes da mesa de debate se posicionaram contrários à instalação obrigatória de detectores de metais nas escolas. Defenderam, de forma geral, a necessidade de se ampliar as oportunidades de debate, formação e monitoramento para se tratar o problema da falta de segurança no setor. A audiência foi encerrada por volta das 10h30, após realização de sessão de debate aberto ao público presente.

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