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Discurso do deputado Humberto Aidar

02 de Março de 2015 às 20:30
Discurso proferido pelo deputado Humberto Aidar (PT) durante sessão solene para apresentar a Campanha da Fraternidade. (02.03.15).

Esse já é o nono ano seguido que a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás abre suas portas, e reúne autoridades, religiosos, religiosas, leigos, leigas, imprensa, amigos e amigas, para apresentar a Campanha da Fraternidade da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que a cada ano nos apresenta um tema de fundamental importância para a construção de um mundo melhor.

Tudo começou em 2007, quando o meu amigo e padre Rafael Vieira, então vigário da Comunicação da Arquidiocese de Goiânia, sugeriu a realização dessas sessões. Méritos dele, que me abriu os olhos para a importância de ampliar o relacionamento saudável que existe entre a igreja, as comunidades e o parlamento. E felizmente a Assembleia Legislativa e todos os meus colegas deputados e deputadas e funcionários da Casa sempre incentivaram e apoiaram a realização dessa sessão especial dedicada à Campanha da Fraternidade.                                                           

                                                                                                                                          Aliás, esse debate que realizamos aqui todos os anos repercute e se amplifica em todo o estado, pois aqui estão representantes de todos os cantos de Goiás, que levam para suas comunidades, paróquias, escolas, Câmaras Municipais e outras entidades, os temas brilhantemente apresentados pela CNBB.

 Eu quero dar meu testemunho sobre o serviço social prestado pela Igreja Católica, não só com a Campanha da Fraternidade, mas com diversas ações solidárias em suas mais diversas paróquias e pastorais. A Igreja de Goiânia e de Goiás tem-se mostrado cada vez mais atuante, participativa, consoladora, misericordiosa e samaritana. E em nome do nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Washington Cruz, parabenizo a Igreja Católica por levar adiante com muita luta, afinco e disposição, a palavra que Cristo nos deixou e que virou lema da Campanha da Fraternidade: "Eu vim para servir". A igreja Católica veio para servir.

 

A Campanha da Fraternidade é um espaço privilegiado de debates, convergência de ideias e evangelização, onde a Igreja e a comunidade discutem temas de grande importância, mostrando assim a sua vocação para o diálogo e colaboração com a sociedade, como pede o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Neste ano a campanha tem como tema: "Fraternidade: Igreja e Sociedade". E o lema: "Eu vim para servir". Está mais do que evidente que o objetivo da Campanha da Fraternidade é tocar o nosso coração para a prática da solidariedade, da caridade, do amor ao próximo. É unir fé e ação. Aliás, falar em unir fé e ação é cair em redundância, pois não existe fé sem ação, e vice-versa. Uma sociedade só é sociedade quando todos participam do conviver e do decidir e não permitem que uma pessoa seja excluída, abandonada, deixada à margem sofrendo, sem ter uma mão amiga para segurar e se levantar.

A Campanha da Fraternidade deste ano fala de união, parceria, sociedade e igreja de mãos dadas, sendo atuantes, ativas, participativas, consoladoras, amigas, generosas, misericordiosas e, principalmente, propagadoras de amor e solidariedade.

                                             

O Papa Francisco disse, em carta enviada em apoio à Campanha da Fraternidade 2015 no Brasil, citando o evangelista Marcos, que Jesus Cristo não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. E disse mais: quem volta seus olhos a Jesus não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, também são as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. E lembra muito bem o Papa Francisco que servir, partilhar, ajudar o semelhante não são tarefas exclusivas das instituições. Cada um deve fazer a sua parte, começando pela casa, pelo trabalho, junto das pessoas com quem nos relacionamos. E de modo concreto, diz o Papa que é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. E para isto, precisamos estar docilmente atentos para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo. Sobretudo sabendo acolher e partilhar com ele um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo. E finaliza o Papa em sua carta em apoio à Campanha da Fraternidade: examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica. Disse muito bem o Papa Francisco em sua carta. E eu gostaria de destacar algo que o Ele mencionou, e que coincidentemente eu digo com muita frequência em meu programa na Rádio Difusora e nos eventos que participo em igrejas, paróquias e comunidades: cada um deve fazer a sua parte, começando por nossa casa, trabalho, com as pessoas com as quais convivemos. Em 1996, há 18 anos, iniciei na Rádio Difusora o Natal sem Fome, que naquela época foi lançado pelo saudoso Betinho, e que teve apoio na Igreja Católica e em outras denominações também.

 

Hoje, esse projeto chama-se Difusora Contra a Fome, que já visitou 130 paróquias, pastorais, comunidades da Arquidiocese de Goiânia e dioceses do interior. Todas empenhadas em fazer o que sugeriu o Papa: atender o clamor de quem precisa de nossa ajuda. É aquilo que falei anteriormente. A fé unida à ação. De 2011 a 2014, o Difusora Contra a Fome arrecadou 158 toneladas de alimentos, doadas a instituições religiosas parceiras. Um projeto pequenininho, que começou lá em 1996, e foi crescendo, crescendo e hoje não para mais, porque consegue semear por onde passa a semente da solidariedade, do amor ao próximo. E é exatamente isto que a Campanha da Fraternidade deste ano nos incentiva a fazer: a agir, ter atitude, chamar nossa comunidade, nosso sindicato, nossos vizinhos, parentes e amigos na luta contra a fome, a miséria, o abandono e o sofrimento de nossos irmãos e irmãs. Vamos sair desta sessão de hoje com a missão de levar para as nossas comunidades o chamamento que nos foi feito. E como não somos de rejeitar desafios, vamos transformar esse chamamento em ação, gestos solidários e muita vontade em servir nosso semelhante.                                                                                                                                                                                                                                          

Conclamo todos aqui presentes a abraçarem a Campanha da Fraternidade. Divulgá-la por onde passar e, acima de tudo, fazer a sua parte para que ela se concretize através de ações. Porque, conforme disse o Papa Francisco em sua carta que enviou à Igreja Brasileira, "Quando Jesus nos diz: vim para servir, nos ensina aquilo que é a verdadeira identidade do cristão: amar, servindo".  

E para finalizar, quero colocar aqui o meu mandato, a minha voz, o meu serviço à disposição da Igreja de Goiânia, da CNBB, para pôr em prática os frutos que serão gerados em mais uma edição da Campanha da Fraternidade.

 Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

 

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