Veja um resumo geral do pleito em Goiás, apresentado em números absolutos, com destaque para participação feminina
Elas conquistaram o direito ao voto, no Brasil, há 88 anos (1932), quando passaram a contar com a possibilidade de participar diretamente de todas eleições, tanto como eleitoras, quanto como candidatas. De lá para cá, elas se tornaram também a maior parte do eleitorado nacional (52,6%), mas permaneceram sendo minoria entre os eleitos. Essa desigualdade, aliás, é observada em praticamente todos os estados e municípios da federação, assim como em todas as instâncias de Poder. O exemplo mais discrepante disso pode ser verificado no baixíssimo percentual de representação junto aos Legislativos municipais (Câmaras de Vereadores), cuja presença feminina só se mostra majoritária em 24 casos, ainda que elas sejam a maioria do eleitorado em 52,3% dos municípios brasileiros (o que corresponde a 2.963 municípios).
No geral, elas representam, atualmente, apenas 13,5% do total de vereadores do País, onde contam com 7.816 representantes, que foram eleitas no pleito de 2016. Já no âmbito dos Executivos municipais, a representação, embora igualmente tímida, se mostra um pouco mais significativa, com as mulheres comandando agora 11% das prefeituras brasileiras (o que corresponde 641 municípios, de um total de 5.570). Nos Legislativos estaduais, o percentual se mostra ligeiramente melhor. Num universo formado por 1.059 deputados estaduais, hoje, 161 são mulheres (15,5%).
Em Goiás, cujo eleitorado já supera a casa dos 4,6 milhões de goianos, a realidade segue nível similar de disparidade. Embora as mulheres somem, hoje, 52,3% desse contingente eleitoral, elas ocupam apenas 15% do total de cadeiras existentes nas Câmaras Municipais. No Legislativo da Capital, Goiânia, elas são apenas cinco vereadoras e representam 5% do total de assentos na Casa (35). São elas: Dra. Cristina (PL), Leia Klebia (PSC), Priscilla Tejota (PSD), Sabrina Garcez (PSD) e Tatiana Lemos (PCdoB). Salvo a primeira delas, que disputa atualmente a Prefeitura de Goiânia, as demais concorrem todas à reeleição no cargo.
Existem realidades ainda piores, do que a da Capital. Estes são particularmente os casos dos 71 municípios do estado em que as mulheres estão ausentes dos Legislativos municipais, donde se inclui Aparecida de Goiânia, na região Metropolitana da Capital. Em outros 80, elas seguem solitárias, com presença única nas Câmaras Municipais. Lideram somente 32 prefeituras dos 246 municípios goianos (13%), em seis dos quais foram, inclusive, reeleitas. No âmbito do Legislativo estadual, a realidade consegue ser ainda pior, com representação que não chega nem a 5% e que foi, inclusive, reduzida pela metade, em relação à Legislatura anterior. Isto porque nas últimas eleições (2018), foram (re)eleitas, para a Casa, apenas duas deputadas: Adriana Accorsi (PT) e Lêda Borges (PSDB).
Em entrevista concedida ao projeto Mulheres no Legislativo (MnL) e publicada nesse portal, em maio de 2019, Adriana comentou o assunto. "A luta pelos direitos das mulheres é um processo de luta cotidiana. Há avanços, mas também desafios. Vivemos hoje, um tempo de grandes retrocessos sociais, com reflexos, inclusive de um certo ideal machista, pois ainda há quem acredite que as mulheres não tem competência ou sequer direito de participar da política. Nós precisamos avançar e deixar para trás esses sentimentos retrógrados. A presença da mulher na política é imprescindível. É a forma de trazer para os espaços de decisão os nossos sonhos, as nossas dificuldades, as nossas lutas. Não só das mulheres, mas das famílias, das crianças", defendeu, na ocasião.
A baixa representação no Parlamento goiano, só não é superada pela do Executivo estadual, que até hoje não logrou contar com nenhuma mulher à sua frente. Não obstante isso, nas últimas eleições, que contou com seis concorrentes no total, duas candidatas disputaram o pleito (Kátia Maria/PT e Alda Lucia Monteiro/PCO). A situação de subrepresentatividade nesse âmbito se estende por praticamente todos os estados da federação, cuja única exceção atual é o Rio Grande do Norte, que elegeu, em 2018, a ex-senadora Fátima Bezerra (PT) como governadora.
No âmbito do Legislativo federal, a subrepresentação feminina segue sendo regra. No Congresso Nacional, elas ocupam hoje apenas 15 das 81 cadeiras existentes no Senado (18,5%) e 77 das 513 disponíveis na Câmara dos Deputados (15%). Dos 17 deputados federais eleitos por Goiás, em 2018, apenas duas são mulheres e foram ambas reeleitas: Flávia Morais (PDT) e Magda Moffato (PR). O estado conta atualmente com três senadores, todos homens. A última goiana a ocupar o cargo foi Lúcia Vânia (Cidadania), que o exerceu por dois mandatos consecutivos (2003-2019), nas Legislaturas anteriores da Casa.
Embora legislação especial sobre o tema já esteja vigente há mais de duas décadas (Lei 9.504, de 1997), os resultados eleitorais mais recentes mostram que, em termos gerais e absolutos, as soluções para as recorrentes distorções quanto às representações de gênero na política ainda parecem distantes de serem alcançadas. Isso porque os números permanecem sendo, ainda hoje, bastante inferiores à cota mínima dos 30% que foram, desde então, estipulados para subsidiar as candidaturas femininas.
Eleições 2020
No contexto geral das eleições municipais deste ano, a dinâmica de subrepresentação feminina permanece presente, com as mulheres disputando apenas 34% das candidaturas para as Câmaras Municipais e 13% das prefeituras, em todo o País. Nesse último caso, elas seguem, ainda, sendo minoria nos 33 partidos que participam da disputa, cujo primeiro turno de votações ocorrerá neste domingo, 15. Desempenho similar, inclusive, já havia sido registrado nos dois últimos pleitos, realizados em 2016 e 2012, respectivamente. Não obstante isso, o número de candidaturas femininas registrou, nesse ano, aumento de 16% em relação ao anterior.
Apenas 39 municípios brasileiros (menos de 1%) contam somente com candidatas mulheres à disputa para a prefeitura. Eles são, em geral, cidades pequenas, com até 45 mil habitantes e estão localizadas, em sua maioria, na região Nordeste. Por outro lado, as que contam apenas com candidatos do sexo masculino dominam mais da metade dos municípios (60%).
Em Goiás, elas seguem praticamente na mesma proporção, representando 35,12% das candidaturas aos Legislativos municipais e disputando apenas 12% das prefeituras do estado. Já para o cargo de vice-prefeitas, o percentual se eleva alguns pontos, configurando 19,54% do total das candidaturas homologadas.
Na Capital, Goiânia, apenas três dos 16 candidatos a prefeito são mulheres, dentre elas está a deputada Delegada Adriana Accorsi. As outras duas são vereadora Dra. Cristina e Manu Jacob (Psol). Outros quatro nomes, aparecem entre as candidatas a vice-prefeitas: Allyne Marinho (UP), Juliamara Sousa (Cidadania), Meirinha Vale (PSDB) e Rose Castelo (PSL). A deputada Lêda Borges também participa do pleito, disputando mais uma vez a Prefeitura de Valparaíso, no Entorno de Brasília, município do qual já foi prefeita, de 2009 a 2012.
Assim como Adriana e outras tantas iniciativas e campanhas de mulheres espalhadas pelo estado, Lêda também chegou a manifestar, em entrevista igualmente concedida ao MnL e publicada em julho passado, seu apoio à luta em prol de uma melhor representação feminina na política goiana. "Nós, mulheres, já fazemos muito pela família e pelos bairros, mas podemos fazer ainda mais quando nos inserimos na política partidária e conquistamos um cargo eletivo, como representantes legítimas do povo. Os homens não precisam temer perder espaço, porque isso não se trata de uma competição entre gêneros, mas de uma correção àquilo que, ao longo dos séculos, afastou as mulheres dos espaços de decisão e poder. Isso gerou um grande desequilíbrio, porque a política precisa das características e habilidades de homens e de mulheres. A participação feminina na política tem um grande potencial para melhorar a própria política e, por consequência, toda a nossa sociedade", defendeu ao final de seu depoimento.
Veja, a seguir, um resumo geral do pleito em Goiás, apresentado em números absolutos. Os dados analisados ao longo dessa matéria foram todos extraídos de recentes divulgações publicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o assunto.
Total de candidatos: 24.928
Mulheres: 8.814 (33.74%)
Candidatos a prefeito: 881
Mulheres: 106 (12,03%)
Candidatos a vice-prefeitos: 906
Mulheres: 177 (19,54%)
Candidatos a vereador: 23.141
Mulheres: 8.827 (35,12%).