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Além da nutrição

18 de Agosto de 2022 às 10:55
Além da nutrição
O leite humano contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê. A mãe alimenta não só o corpo, mas também a alma desse novo ser. A campanha Agosto Dourado incentiva a doação de leite.

“Antes de engravidar já sabia que amamentar é um ato que faz bem para o corpo, a alma e o coração. Isso porque, como jornalista, já tinha entrevistado muitos profissionais ligados à área da saúde, que defendem a prática do aleitamento materno graças à proteção para a saúde da mãe e do bebê. Devido à importância disso, sabia que deveria amamentar meu filho pelo maior tempo possível e, ainda, contribuir com doações frequentes para o banco de leite materno existente na Capital”, revelou a jornalista Bárbara Lauria Peres, mãe do pequeno Francisco, de apenas 8 meses.

Lauria faz parte de um grupo de mulheres que optaram pelo aleitamento materno depois de conhecer seus inúmeros benefícios. Dentre eles, podemos citar os aspectos físicos e emocionais, especialmente aqueles relacionados à construção do vínculo mãe e bebê e, ainda, aqueles relacionados ao desenvolvimento infantil preconizados nos mais variados estudos que envolvem essa temática.  

Por causa disso,  há quase 30 anos o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) se uniram para incentivar e criar as condições para que as mães, no mundo todo, se sintam, cada vez mais, encorajadas e confortáveis para amamentarem seus filhos. 

Consciente disso, desde 1999, o Brasil abraçou essa iniciativa e, a partir daí, estabeleceu o Agosto Dourado como sendo o mês de incentivo à amamentação materna.  Para ampliar ainda mais o alcance e reforçar as ações, em 2017, a Lei nº 13.435 instituiu o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno no calendário oficial do País.

Amamentação vai além da nutrição

Nesse sentido, há um esforço internacional para divulgar os ganhos do aleitamento materno para a saúde pública. O caderno “Saúde da Criança: aleitamento materno e alimentação complementar”, elaborado pelo Ministério da Saúde, ressalta que a amamentação vai muito além da nutrição. “É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da crianç, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, e, em sua saúde no longo prazo, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe”, resume o documento. 

Quando a mãe coloca o bebê no colo, aconchega o seu corpo, toca, acaricia e olha com ternura para o filho, está criando laços afetivos que vão possibilitar o desenvolvimento psíquico, físico e motor. Na amamentação, a mãe alimenta não só o corpo, mas também a alma desse novo ser. Portanto, o leite materno é, sem dúvida, o melhor alimento, sendo recomendado que seja feito até os dois anos ou mais e, de forma exclusiva, nos seis primeiros meses de vida. 

São inúmeros os benefícios para a mãe e para o bebê. Inclusive, recente pesquisa realizada pelo Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil - ENANI-2019 reforça o papel protetor da amamentação contra doenças infecciosas e crônicas da infância e, ainda, conclui que mais de 820 mil mortes de crianças menores de cinco anos por ano no mundo poderiam ser evitadas com o ato de amamentar. 

O último ENANI realizado revela que as taxas globais de aleitamento materno registraram alta, entretanto permanecem baixas em algumas faixas, indicando que apenas 43% dos recém-nascidos iniciam o aleitamento materno dentro da primeira hora após o parto e 41% dos bebês com menos de seis meses de idade são exclusivamente amamentados.  Os dados também mostram que o percentual mais elevado de mães amamentando, 63,5%, ocorreu na região sudeste. O menor índice foi encontrado no nordeste, com 55,8% de crianças recebendo esse cuidado. 

Bancos de leite materno

O estudo mostra que o Brasil é referência internacional em doação de leite materno e possui a maior rede de Banco de Leite Humano (BLH), com 225 pontos de coleta espalhados em todos os estados. O projeto foi  desenvolvido no âmbito do SUS e ajuda a salvar milhares de vidas todos os anos, pois ampara as gestantes e lactantes nesse período da vida, fornecendo uma gama de orientações para que a mulher possa ter segurança quanto ao ato de amamentar. Em Goiânia, existem três unidades subordinadas ao Ministério da Saúde: Hospital Estadual da Mulher (HEMU), antigo Materno Infantil, Maternidade Dona Iris e a Maternidade Nascer Cidadão.

Apesar de todo o esforço, a responsável pelo banco de leite do HEMU, Renata Machado Lelis, revela que o número de leitos da UTI neonatal aumentou, mas as doações caíram e, por isso, o banco de leite do HEMU está fazendo uma campanha de doações de recipientes de vidro e de leite para aumentar seu estoque. Para atender a demanda existente hoje, Renata comenta que precisa de cerca de 400 litros de leite humano na reserva. 

Doações

As mães interessadas em doar leite materno podem enviar mensagem para o número (62) 3956-2921 e solicitar a coleta em domicílio. Quanto às doações de vidros, as embalagens que podem ser reaproveitadas são as de boca larga, com ou sem tampa, normalmente utilizadas em alimentos industrializados, como café solúvel e maionese. Como a maioria dos potes de vidro tem tampa de metal, o banco de leite substitui essa parte por tampas de plástico, mais apropriadas ao armazenamento do leite.

Os interessados em contribuir com a doação de vidros podem fazer a entrega no próprio Banco de Leite do Hemu, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. O BLH fica ao lado do hospital, na Rua R-7, esquina com Av. Perimetral, s/nº, no Setor Oeste.

Incentivo à amamentação

A deputada Delegada Adriana Accorsi (PT) é uma das grandes defensoras da amamentação. Já apresentou diversos projetos e requerimentos visando incentivar o aleitamento materno e garantir o direito às mães e filhos, à livre amamentação. “A amamentação é um ato que vai ter reflexos para toda vida, então é preciso assegurar que ela seja livre e em qualquer local”,  diz a parlamentar. 

Em parceria com a deputada, Lêda Borges (PSDB) também apresentou uma matéria propondo que as doadoras de leite materno tenham isenção das taxas de inscrição a concursos públicos. O objetivo é incentivar a doação de leite, que assegura os benefícios do alimento aos bebês de mães que, por algum motivo, não podem amamentar.    

Um dos projetos da deputada, de número 1062/19,  que previa a obrigatoriedade de instalação de sala de apoio à amamentação destinada especialmente às funcionárias para extração e armazenamento de leite materno, por parte das empresas públicas e privadas, com mais de 50 empregadas mulheres, foi integralmente vetado pelo Executivo. 

Projeto do deputado Delegado Eduardo Prado (PL), instituindo o Agosto Dourado em Goiás, tramita na Assembleia Legislativa. A matéria prevê a realização de ações educativas divulgadas especialmente nos meios de comunicação e afixação de cartazes e folhetos educativos em órgãos públicos, realização de eventos e palestras. O processo nº 3538/20 já está em fase de primeira votação. 

A cor escolhida é uma alusão ao “padrão ouro de qualidade”, conferido ao leite materno para a nutrição dos recém-nascidos. O alimento contém todos os nutrientes, proteínas, água, açúcares e vitaminas necessários para o desenvolvimento do bebê nos primeiros meses de vida. E mais: é um alimento que salva vidas, por isso, entre outros motivos, a insistência no aleitamento materno. 

Agência Assembleia de Notícias
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