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Menos política e mais soluções

26 de Março de 2008 às 10:16
A crise entre os secretários Jorcelino Braga (Fazenda) e Cairo de Freitas (Saúde) e o “descaso” com a população goiana que depende da rede pública de hospitais foram os temas centrais de artigo do deputado estadual Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal O Popular do dia 25/03/2008.

* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB).

R$ 12 milhões é o repasse atual feito pela Fazenda à Secretaria de Saúde. R$ 22 milhões seria o repasse ideal. Números. Cifras. O colapso do sistema estadual de Saúde é tratado de forma distante, como se o Estado fosse um grande fluxo de caixa. Os freqüentes atritos entre os titulares da Fazenda e da Saúde expõem mais do que uma crise institucional. Evidenciam falta de sensibilidade do governo, um tratamento frio dispensado aos que dependem dos hospitais públicos.


Até quando perdurará tamanha indiferença com o paciente na fila, à espera de um tratamento digno e de um aparelho que realmente funcione para realizar o seu exame? O que falta para que os problemas na Saúde sejam encarados sob a ótica do cidadão que paga seus impostos e precisa do serviço de saúde pública, e não sob o ponto de vista de técnicos econômicos do governo que querem enxugar gastos de qualquer forma?

Beira o extremo do desrespeito com a população goiana falar em “esforço concentrado” para diminuir o déficit mensal do Estado diante do caos que tomou conta do setor. Não surte efeito prático falar em economia de gastos com tantos problemas latentes. Não adianta auxiliares do governo competirem entre si para saber quem lidera os rankings de “concentração de poder” e de “amizade pessoal” com o governador. É preciso menos política e mais soluções. Menos intransigência e inflexibilidade no trato do dinheiro público de modo que não sejam relegadas a segundo plano as necessidades dos goianos.

Não adianta desviar dos buracos nas rodovias goianas, ignorar o sucateamento de unidades da rede pública de Saúde – aí incluídos a superlotação dos hospitais, falta de medicamentos e sobrecarga de trabalho dos médicos – ou dar de ombros à falta de carteiras nas escolas estaduais. É preciso abrir os olhos para ver a insensatez que é tratar o Estado como uma empresa. Isto pareceria correto se lidássemos com mercadorias. Mas estamos lidando com pessoas.

Por mais que vejamos o patrimônio dos goianos se deteriorando pela falta de investimentos, não menos lastimável é ver a população deste Estado sendo afrontada com a perseguição obsessiva de metas econômicas, obrigada a assistir, atônita, à protelação da reforma administrativa, à insistência do governo em manter secretarias onerosas e inoperantes (extraordinárias), ao jogo duro com o setor produtivo e à falta de políticas públicas eficazes na área social. Menos cifras, menos números, menos política e mais atenção e respeito com os goianos.

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