Violência
"Vivos somos traídos, presos esquecidos. Mortos, deixamos saudades". A afirmação é de um menor de rua da Capital abordado esta tarde pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembléia.
A Comissão, presidida pelo deputado petista Mauro Rubem, está investigando denúncias de violência e assassinato de menores de rua por policiais militares e supostos grupos de extermínio. A denúncia foi feita pela Irmã Ana Vicencio, cordenadora da Casa da Criança e do Adolescente Talitha Kum, na quinta-feira, 20.
De acordo com o testemunho da coordenadora, no dia anterior à denuncia, dois homens capturaram um garoto que vendia cds em frente ao Restaurante Cidadão e o colocaram no porta-malas de um veículo Gol branco. O menor está desaparecido desde então.Testemunhas disseram à freira que os homens eram policiais à paisana que vêm usando o mesmo veículo sem placa em ações contra crianças e adolescentes de rua.
Após a denúncia, a Comissão vêm colhendo relatos de menores contra os supostos agressores em diversos pontos de Goiânia. Na tarde desta sexta-feira, integrantes da Comissão parlamentar, além da Irmã Ana Vicêncio e do Padre Geraldo Nascimento, da Casa da Juventude, falaram com cerca de 10 menores com objetivo de encaminhar as denúncias à Secretaria de Segurança Pública (SSP).
"Vocês têm o direito à proteção como qualquer cidadão e estamos aqui para ajudar", disse Mauro Rubem ao grupo de meninos.
Os menores temem ser identificados pelos agressores e pediram que a imprensa não registrasse imagens da conversa. Eles mostraram marcas de abuso policial pelo corpo e relataram casos de desaparecimento e execução de colegas.
Um dos menores disse que é culpa do sistema e que não há nada o que se possa fazer. Ele acredita que a intervenção das instituições de apoio aos menores e da Comissão só irá agravar a situação de risco que vivem.
"Não podemos assistir o que está acontecendo com vocês e cruzar os braços", explicou a Irmã Ana Vicêncio aos meninos e garantiu que a intervenção do Legislativo pode trazer mudanças positivas.
A religiosa declarou ainda que as polícias Civil e Militar e a Rotan têm trocado acusações de responsabilidade no caso e que a pressão de comerciantes, gerentes de banco e da Igreja Universal está motivando os grupos de extermínio.