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Documentário exibido na Casa resgata a militância política de Tarzan de Castro

26 de Maio de 2026 às 06:50
Crédito: Sessão especial de cinema - Tarzan de Castro
Documentário exibido na Casa resgata a militância política de Tarzan de Castro
Sessão especial de cinema - Tarzan de Castro

O longa-metragem "Tarzan de Castro: Vida, Lutas e Sonhos" foi exibido no auditório Carlos Vieira na noite dessa segunda-feira, seguido de um debate com o diretor Raimundo Alves. Dirigido também por Karla Rady, o filme reconstrói a trajetória de resistência de um dos nomes mais representativos na luta contra a ditadura no Brasil.

Raimundo Alves explica que o título "Tarzan de Castro: Vida, Lutas e Sonhos" é homônimo ao livro escrito pelo professor aposentado Juarez Maia, da Universidade Federal de Goiás (UFG). O cineasta destaca que a trajetória real de Tarzan — repleta de militância contra a ditadura militar, exílios e fugas inacreditáveis — é tão surpreendente que chega a parecer ficção, o que motivou a realização do documentário como uma forma de tornar essa memória mais tangível e visual para fins de estudo.  

O diretor ressalta a importância do apoio do poder público à sétima arte local, exemplificado pelo convite do deputado Virmondes Cruvinel (UB) para exibir e divulgar a obra na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Para Raimundo, a sensibilidade de figuras políticas em abrir espaço e incentivar a cultura regional é um movimento de grande relevância, especialmente em um cenário em que produzir longa-metragem documental exige esforço e tempo consideravelmente maiores do que os curtas-metragens.

Militância

O documentário mergulha na intensidade de uma vida dedicada à militância. Tarzan de Castro militou principalmente no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e nas Ligas Camponesas, grupos que propugnavam pelo ideário dos regimes chinês e cubano, respectivamente, contra a ditadura militar brasileira.

Castro foi figura central da resistência política no país e teve sua trajetória marcada pelo confronto direto com o sistema durante os "anos de chumbo". O documentário não apenas resgata fatos históricos, mas explora as camadas humanas de quem enfrentou a prisão, a clandestinidade e o exílio pelo que acreditava politicamente.

Gravado ao longo de 2023, o filme possui uma escala geográfica que reflete a vida de seu protagonista. A equipe percorreu as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo — onde Tarzan enfrentou o cárcere — e cruzou fronteiras para registrar passagens fundamentais em Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile) e Paris (França), locais que serviram de refúgio e palco para sua atuação política internacional durante o exílio.

Representatividade

Nos anos 1950, a militância política precoce de Tarzan de Castro, iniciada por volta dos 11 anos, refletia a enorme força e representatividade do movimento estudantil brasileiro da época. Em uma sociedade ainda muito agrária e limitada, os estudantes funcionavam como o principal polo cultural, social e político do país, detendo o poder de paralisar cidades e negociar diretamente o valor de passagens, mensalidades escolares e ingressos culturais.

Essa influência era tão marcante e respeitada, tanto em Goiás quanto no restante do Brasil, que os líderes estudantis eram figuras indispensáveis nos palanques oficiais e nas campanhas de grandes candidatos ao governo do estado, consolidando o movimento como uma das vozes mais expressivas daquele momento histórico.

Redes sociais

Ao comparar o passado com o presente, Tarzan de Castro observa que a militância estudantil atual foi profundamente transformada pelo advento das redes sociais, do celular e da inteligência artificial. Enquanto hoje o movimento se tornou mais disperso e menos perceptível nas ruas, na sua época a falta de tecnologias de comunicação exigia uma mobilização presencial intensa, o que tornava o movimento estudantil muito mais forte, representativo e central na vida política, cultural e social do país.

O documentário sobre sua trajetória resgata esse momento histórico crucial, que culminou na violenta repressão da ditadura militar contra os opositores do regime. Como liderança ativa nessa resistência, Tarzan relata ter sofrido perseguições, torturas e diversas prisões por estados como Goiás, Brasília, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, de onde protagonizou uma fuga espetacular de um presídio em uma ilha, conseguindo asilo na embaixada de Cuba ao lado de companheiros de militância.

Agência Assembleia de Notícias
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