Entidade referência em assistência ao paciente com câncer em Goiás tem atuação reconhecida em sessão solene no Parlamento
Para celebrar os 70 anos da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), entidade pioneira no tratamento da doença no estado, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) realizou solenidade de homenagem a profissionais, colaboradores e voluntários que contribuem para o trabalho desenvolvido pela entidade. Propositor do evento, o deputado Antônio Gomide (PT) entregou o Certificado do Mérito Legislativo para 100 homenageados.
Ao apresentar o requerimento sugerindo a homenagem, Gomide justificou a iniciativa pela importância dos serviços prestados à comunidade por parte da ACCG. “Anualmente, mais de 1 milhão de procedimentos entre consultas, internações, cirurgias, aplicações de doses de quimioterapia, sessões de radioterapias, são realizados por esta instituição, em cerca de 80 mil pessoas”, esceveu.
Na solenidade o parlamentar teve ao seu lado na mesa diretiva o diretor executivo da ACCG, Kleber Rosa; o diretor de Ensino e Pesquisa da entidae, Elismauro Francisco de Mendonça; o presidente do Conselho de Administração da associação, Alexandre João Meneghini; o diretor-clínico da Unidade Oncológica de Anápolis, Abmael Silvério da Silva; o diretor-técnico da mesma unidade, André Maurício Ferrari Beltrão; o médico-cirurgião Jalles Benevides; e a médica rádio-oncologista Laís Tomás.
Referência
Antônio Gomide ressaltou a contribuição da instituição ao estado, atuando na assistência a uma doença grave e dolorida para as famílias, como é o câncer. Ele lembrou que o Hospital Araújo Jorge é referência do Ministério da Saúde, no combate ao câncer e, majoritariamente, com atendimento feito pelo Sistema Único de Saúde, gratuitamente.
O deputado sublinhou que para além da homenagem, mais que justa, o seu mandato também tem apoiado a entidade de várias formas. A primeira delas, segundo Gomide, é fazendo a defesa do atendimento pelo SUS, fortalecendo a garantia do atendimento gratuito à saúde às pessoas que não têm condições de pagar pela assistência.
Gomide disse que o envio de emendas parlamentares têm ajudado na manutenção dos atendimentos feitos pela ACCG, em especial, do Hospital Araújo Jorge. “É uma forma de poder contribuir também para que o hospital possa, com essas emendas, produzir ainda mais e facilitar, às vezes, a compra de equipamentos, o custeio, pagamentos de servidores. Isso nós, enquanto deputados estaduais, temos, obviamente, dado a atenção devida a essas entidades extremamente sérias e que têm dado respostas positivas para salvar vidas da população goiana.”
Momentos difíceis
O oncologista Raimundo Augusto Veloso, um dos homenageados da noite, é o funcionário mais antigo da unidade ainda em atividade, com 58 de trabalho no Hospital Araújo Jorge. Ele contou que, durante esse período, houve momentos extremamente difíceis, mas nada que ultrapasse a grandeza do serviço prestado à comunidade e que, segundo o médico, melhora a cada dia.
O profissional lembrou que o hospital acompanhou a evolução dos tratamento do câncer, destacando o crescimento da prevenção à doença. E contou que, no início, eram só casos avançados. Hoje, devido ao trabalho da imprensa, à divulgação, chegam muitos casos ainda na fase inicial. Isso aumenta a cura, diminui o custo do tratamento e melhora o conforto das famílias e do paciente.
“O tratamento evoluiu de procedimentos extremamente traumáticos para tratamentos bem menos traumáticos e que melhoram bastante a qualidade de vida e a cura. O índice de cura hoje é superior a 70%, de todos os casos de câncer. E só isso já é motivo para se comemorar e muito”, comemorou o médico.
Com 19 anos de casa, a enfermeira Kênia Mendes Oliveira afirmou que, apesar da rotina pesada de lidar com o sofrimento de pacientes de uma doença tão agressiva e seus familiares, o trabalho que desenvolve é gratificante. “É uma área muito sensível. Mas podemos ajudar, estar ali para dar um abraço, um cuidado para aquele paciente que necessita, para um familiar também, é um sentimento muito bom, eu me sinto muito feliz de atuar ali.”
Ela disse que apesar das perdas, que tocam toda a equipe, as vitórias também são muitas e comemoradas por todos. “Tem muitos pacientes que saem dali recuperados. Isso nos enche o coração de orgulho, de felicidade. É um trabalho que vale a pena.”
Antes do SUS
Após receber o Certificado do Mérito Legislativo, o presidente do Conselho de Administração da ACCG, Alexandre João Meneghini, falou aos presentes. Ele pontuou que na época da criação da associação, o SUS nem existia, mas a preocupação do idealizador Alberto Augusto Araújo Jorge já era ofertar assistência oncológica em Goiás, especialmente, para as pessoas mais pobres. “E isso está, até hoje, na nossa veia, no nosso DNA: a vontade de ajudar aqueles que mais precisam, dar um tratamento digno, de alto nível, aos pacientes mais carentes.”
Meneghini lembrou que a construção da associação foi e é feita por milhares de pessoas que ajudaram e ajudam nessa obra: médicos, funcionários, doadores, voluntários e a sociedade em geral, que, com solidariedade, ergueram cada parte do hospital.
De acordo com o médico, a associação é a única instituição goiana que presta assistência integral ao paciente oncológico, no mesmo local: diagnóstico, cuidados, prevenção, atenção ao paciente paliativo.
O gestopr ainda pediu ajuda do Parlamento goiano para avançar na regulação dos pacientes, para que eles possam fazer todo o tratamento sem ter que, muitas vezes, sair da unidade, voltar para suas cidades, perder um tempo precioso no tratamento e, como se trata de pessoas carentes, muitos não têm condições nem mesmo de pagar o transporte para ir e voltar, tudo por causa de entraves no serviço de regulação.
Mais avanços
Ele assegurou que a entidade tem condições de cuidar do paciente desde quando este entra, sem precisar sair até o fim do tratamento. "O hospital oferece tudo pelo SUS. Só precisamos que a regulação acerte isso. Essa é uma bandeira que vai elevar o patamar dos cuidados. Fazemos muita coisa pro bono [prestação voluntária e gratuita de um serviço profissional qualificado a pessoas vulneráveis] para os pacientes não perderem mais tempo, mas muitos deles se perdem nessa ida e volta”, lamentou.
O médico sublinhou que o hospital mudou sua governança, o que tem permitido muitos avanços no atendimento. Diante disso, ele disse acreditar que vai melhorar ainda mais, sempre com foco no paciente do SUS. “Vamos levar essa instituição para o futuro e sempre com o propósito de dar o melhor tratamento, o tratamento mais moderno e adequado para o paciente do SUS. Sim, nós atendemos pacientes particulares e convênios, mas o nosso objetivo é trazer toda a qualidade para o paciente do SUS, com exames de ponta para ele.”
Durante a sessão solene, foi exibido um vídeo institucional do Hospital Araújo Jorge, destacando, especialmente, o tratamento pediátrico dispensado pela unidade. A parte musical do evento ficou por conta do cabo Siqueira, saxofonista integrante do Corpo Musical da Polícia Militar de Goiás.
História
Fundada em 1956 pelo médico Alberto Augusto Araújo Jorge, a ACCG tornou-se uma das principais referências no tratamento do câncer no Centro-Oeste brasileiro. Atualmente, a instituição é composta pelo Hospital de Câncer Araújo Jorge, pela Unidade Oncológica de Anápolis e pelo Instituto de Ensino e Pesquisa, responsável pela formação de profissionais da área da saúde.
A associação é a única do Centro-Oeste a tratar integralmente crianças e adolescentes, a oferecer apoio paliativo com equipe especializada e a realizar transplante de medula óssea pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Araújo Jorge também responde por 70% dos atendimentos oncológicos feitos pelo SUS em Goiás.
Além disso, o hospital é habilitado, pelo Ministério da Saúde, como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), condição dada a unidades que oferecem assistência geral, especializada e integral ao paciente com câncer, atuando no diagnóstico e tratamento do paciente.