Exposição no Palácio Maguito Vilela celebra o resgate da ancestralidade com obras de 81 artistas; mostra vai até o dia 29
Obras de 81 artistas do Ateliê Ivana Martins ficam em exposição no hall principal da Casa até o próximo dia 29. São pinturas em tela e em porcelana, desenhos, grafites, aquarelas, pinturas e modelagem em cerâmica, produzidas a partir de lembranças familiares, tradições, experiências e heranças culturais de cada artista. Trata-se da exposição “Ancestralidade – o fruto que somos nós”, aberta na sexta-feira, 16, no Palácio Maguito Vilela.
A curadora da mostra, professora Ivana Martins, disse que a exposição nasceu da percepção de que muitos alunos não conheciam suas origens, seus antepassados, as histórias de suas famílias. “Hoje nós somos fruto de alguém que sonhou para nós no passado, saiu de outro país, de outro estado. Muitas pessoas falam que não sabem quem são os foram seus avós e bisavós. Então é para falar sobre isso.”
Os expositores são alunos do Telaê, que atende crianças a partir de 5 anos até alunos com mais de 90 anos. A curadora disse que a sua intenção, com o ensino da arte, não é apenas passar a técnica, mas, principalmente, levar bem-estar às pessoas e, em alguns casos, até ser apoio para quem está em processos de adoecimento.
“O meu slogan é: a arte cura. Há pessoas na escola, hoje, que são médicos, estão com Burnout; pessoas que precisam se curar. Não é terapia, mas é terapêutico”, disse Ivana Martins.
Congraçamento
A abertura da exposição teve a participação de todos os artistas e seus convidados e, especialmente, seus familiares. Foi oferecido um coquetel aos participantes, que ainda puderam conferir a apresentação do saxofonista Arthur Cavalcanti.
Uma das expositoras, Regina Melo levou um quadro que retrata a cultura das benzedeiras, comum em épocas passadas, mas que se perdeu com o tempo. Para ela, uma forma de resgatar memórias, mas também lamento pelo esquecimento de uma parte importante da cultura de um povo. “A minha mãe me levava para benzer e eu levei minhas filhas, mas hoje você não vê mais benzedeiras para lhe trazer uma paz, não existe isso mais, a tradição vai acabando.”
Satisfeita em poder mostrar a produção artística e de trazer reflexão para o público, Regina Melo agradeceu pela oportunidade. “Fico feliz de vocês abrirem as portas para fazermos essa exposição. O processo artístico é importante, mas se não tivermos onde mostrar, não faz muito sentido.”
Para a curadora Ivana Martins, a exposição é o momento de celebrar tudo o que artista realizou. “O artista precisa e merece ser visto, ser contemplado.”
Ela discorreu sobre a importância de o Legislativo goiano ceder o espaço para que artistas divulguem o que produzem. “É sensacional. A arte está vindo ao encontro do povo, porque a arte tem que estar onde o povo está. Essa iniciativa da Casa, de acolher a arte para a sociedade, é exemplar.”
Assessora adjunta de atividades culturais da Alego), Emiliana Pereira disse que a exposição é ainda mais relevante porque abre espaço para alunos de arte. “A exposição atravessa gerações, várias linguagens, vários estilos. São diferentes momentos expressos pela arte. A Casa se torna esse espaço acolhedor para esses artistas.”