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Vazio chamado denuncismo

25 de Agosto de 2008 às 16:23
O jornal Diário da Manhã publicou, nesta segunda-feira, 25 de agosto, um artigo do deputado estadual Padre Ferreira sobre o denuncismo presente nas campanhas eleitorais.

* Padre Ferreira, depuado e líder do PSDB na Assembléia Legislativa.

O início das propagandas eleitorais gratuitas no rádio e na televisão é mais uma oportunidade para a classe política mostrar que amadureceu. O espaço tem de ser aproveitado para apresentação de propostas, projetos, planos de governo. De outra forma, o tiro pode sair pela culatra. Ao invés de votos, vaias.

A política de hoje não cabe mais ataques pessoais e denúncias vazias. Recordo-me de um tempo em que fazer política era atacar as pessoas, ameaçar, fazer o voto de cabresto. Político tinha de ser no estilo duro, tipo coronel, ter jagunço ao lado, capangas e pessoas subservientes para obedecer. Eram acusações de parte a parte e as famílias, que não tinham nada a ver com a situação, amargavam toda uma invasão da privacidade, num sofrimento sem fim.

E o povo, que esperava algum benefício, não ganhava nada – a não ser um pouco de emoção durante os duros falatórios. Ainda bem que esta fase passou e vivemos um tempo diferente. Hoje, o diferencial político são as propostas, os compromissos assumidos perante a população. São eles que vão mudar a vida das pessoas para melhor ou pior.

Não será denegrindo a imagem das pessoas ou a honra das famílias que a nossa sociedade será melhor. Uma nação não se constrói assim. Num País pobre como o nosso, o trabalho político se faz importante, pois parte da população ainda é extremamente dependente de serviços públicos, como saúde, educação, informação e até mesmo de programas de transferência de renda.

Ao contrário dos Estados Unidos e países da Europa, nos quais a discussão durante a campanha política se volta ao cenário externo, imigração e guerras, no Brasil o povo está preocupado com melhorias diretas, que chegam à porta de suas casas ou mesmo até a sua mesa. A população quer saber se a saúde vai mudar, se terá atendimento médico, remédios, escola mais perto da sua casa, creche para deixar o seu filho, universidade pública, asfalto e mais comida no prato.

O eleitor não quer saber de denuncismo. Ele quer ação, quer que o voto tenha retorno. Ele espera mudança. Mudança de conceitos, mudança da prática política. O espaço na TV e no rádio é muito precioso e precisa ser bem utilizado, para mostrar ao eleitor o diferencial de cada candidato. Cada segundo ali vale ouro. E o eleitor estará atento para ver bem otimizado este instrumento de informação democrática – não para brincar com o eleitor, mas para colaborar com o eleitor no exercício da sua cidadania. Não tenho dúvida que o eleitor saberá separar o joio do trigo, podendo escolher quem realmente está preocupado com o bem-estar da população.

Por isso, é bom ressaltar a importância da ética e do respeito pelo eleitor, e não num jogo do “vale tudo”. Só assim vamos continuar construindo uma democracia cada vez mais forte.

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