"Aposentados não recebem devido respeito", diz Wagner Guimarães
O deputado Wagner Guimarães (PMDB) acredita que aposentados e pensionistas não são tratados com o respeito que merecem pelo Governo brasileiro. A avaliação foi feita após o adiamento da votação da proposta que concede a todos os beneficiários mantidos pela Previdência Social o mesmo índice de reajuste dado ao salário mínimo.
O projeto de lei deveria ter sido votado na quarta-feira, 4, mas provocou acirrado debate entre Governo e oposição, além de atrair à Câmara dos Deputados cerca de mil aposentados, que lotaram as galerias do plenário.
O Poder Executivo alega que o reajuste unificado pode comprometer as contas da Previdência nos próximos anos. O peemedebista acredita que o argumento só adia o problema. "Os reajustes sempre comprometerão as contas. O déficit da Previdência é discutido há anos, mas nenhuma medida é tomada para regulá-lo", criticou.
A emenda do Senado ao projeto de lei 1/07 que estabelece essa regra não pode ser votada porque a pauta das sessões ordinárias não foi liberada. O líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), disse que o adiamento é a "prova provada" de que a propaganda e a ação do Governo não se casam. "É só garganta", atacou Aníbal, acusando o Governo de não conseguir responder às demandas sociais, de "torrar" o dinheiro público e não ter compromisso com os aposentados.
Em resposta, o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), sustentou que atrelar todas as aposentadorias ao salário mínimo seria um erro. O reajuste igual, explicou, prejudicaria o processo de forte recuperação do valor real do mínimo implementado pelo atual governo. Segundo o parlamentar, o impacto nas contas da Previdência poderá ser de R$ 6 bilhões já no ano que vem, se o projeto for aprovado. A regra beneficiaria os 8,1 milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo.
Vaccarezza lembrou que a questão dos aposentados foi inserida em projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que garante a todos os trabalhadores reajustes reais, acima da inflação, de acordo com o crescimento do Produto Interno Bruto. "Nunca houve isso no Brasil", destacou.