Agronegócio: mudança histórica e novo rumo
*Daniel Messac é deputado estadual (PSDB), filósofo e teólogo (dmessac@hotmail.com)
Entra para a história da nossa capital, a aprovação pela Assembleia Legislativa do projeto de lei da Governadoria, que dispõe sobre a doação de uma área de 36,30 hectares, da empresa Cambará 21 Agropecuária para construção do novo Parque de Exposições, especialmente destinado à Exposição Agropecuária Internacional de Goiás e à Exposição Agropecuária de Goiânia. O mesmo projeto fixa o prazo máximo de oito anos, contados da respectiva escritura pública da doação onerosa, para que o novo parque esteja construído.
A matéria tem ainda o mérito de assegurar a participação ativa da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), atualmente presidida com notável competência por Luiz Humberto Guimarães, o seu vice, Ricardo Yano e demais diretores, em todo o processo de planejamento, implantação e gestão do empreendimento.
Ao longo de toda a nossa trajetória na vida parlamentar (três mandatos de vereador e no exercício do segundo de deputado estadual), dedicamo-nos intensamente à causa da mudança de local do parque. Como morador da Vila Nova há mais de 30 anos, compartilhamos a insatisfação da comunidade, face aos transtornos naturalmente ocasionados à vizinhança por um evento de tamanha dimensão numa região extremamente habitada.
A aprovação deste projeto põe fim a uma das maiores polêmicas urbanas de Goiânia, que se arrasta há quase duas décadas e possibilita o cumprimento de um termo de ajuste de conduta firmado entre a SGPA e o Ministério Público Estadual, que prevê a transferência do evento para um novo espaço. Em diversas oportunidades, ocupamos a Tribuna da Câmara Municipal e da Assembleia, para alertamos quanto à inviabilidade, por patente falta de infra-estrutura, do parque de Nova Vila receber um evento grandioso, que cresce a cada ano pela força extraordinária do agronegócio em Goiás e no Brasil. Apenas para exemplificar, centenas de animais têm de ser abrigados em tendas por falta de espaço nos pavilhões, a cada exposição.
Quando foi inaugurado, há 64 anos, o Parque de Exposições Dr. Pedro Ludovico Teixeira, administrado pela SGPA, que teve na sua primeira presidência o visionário, Altamiro de Moura Pacheco e o apoio incisivo do fundador de Goiânia, responsável pela doação à recém-nascida entidade de uma área de 86.695,25 metros quadrados, ficava distante do Centro e espaço suficiente para mostrar a produção do agronegócio.
Mas, devido aos avanços espetaculares do setor agropecuário – Goiás detém hoje a posição de 4º maior rebanho bovino do País com 20 milhões de cabeças –, graças à determinação imbatível do produtor rural goiano, o parque não comporta mais uma exposição que figura entre as mais importantes do País. Inclusive, devido à essa falta de espaço, já há algumas edições da ExpoGoiás, a agricultura tem ficado de fora, uma vez que a dinâmica do setor demanda uma área muito grande.
A partir desse projeto, aprovado no Parlamento Estadual, teremos dentro de poucos anos uma nova estrutura, fora do congestionado centro da cidade, capaz inclusive de abrigar qualquer tipo de evento durante o período em que não houver exposições e, sobretudo, oferecer a Goiás uma verdadeira vitrine para mostrarmos ao mundo a qualidade dos alimentos animal e vegetal, que brotam na terra do Boi Verde.