Iris, uma história de perseguição ao funcionalismo
À época, agiotas nadavam de braçada nos órgãos públicos, feito parasitas. Ganhavam a vida às custas daqueles que desejavam construir um mundo melhor, através do serviço público. Gente que aguardava, ansiosamente, o dia de receber aquilo que chamavam de salário para pagar a conta da mercearia, mas que se desesperava ao tirar o extrato no BEG e encontrar um punhado de números negativos em suas contas. Pior, tinham que ziguezaguear pelas adjacências de suas residências sob pena de cruzar algum comerciante credor.
Aqueles que tinham vergonha da situação – e gozavam de algum crédito junto aos agiotas – cobriam os cheques que estavam para serem descontados, pagavam as contas de água e luz e quitavam o fiado com dinheiro emprestado. Quando o salário chegava, metodicamente atrasado, uma parte considerável era imediatamente transferida para as mãos dos credores, embutidos com juros módicos que chegavam, salvo engano, a 20% em um único mês.
Fim de ano era sinal de novo tormento. O presente que os filhos sonhavam ou aquela viagem em família eram paulatinamente adiados, porque o 13º, pago após muita pressão dos servidores, substituía o salário de dezembro, que, por sua vez, era quitado em janeiro ou fevereiro do ano subsequente. Um dia, em algum pesque-pague ou um brinquedinho do Paraguai eram as alternativas que restavam para um sem número de pais de família. Em artigo recente neste DM, o colega Carlos Alberto Leréia nos lembra de outros episódios dignos de encher os olhos d’água, quando Iris demitiu sumariamente 30 mil servidores de uma só vez, por meio do famoso ‘decretão’. Discípulo fiel, de tão bem treinado que foi, o pupilo e então governador Maguito Vilela, por sua vez, exterminou benefícios como quinquênios, além de perseguir aposentados e pensionistas, cortando seus proventos. Este, ainda, afrontou a Justiça ao negar a concessão de reajustes determinados por lei.
Não há como negar, foram tempos dificílimos para o funcionalismo. Época em que fazer carreira no serviço público era meta restrita a apaniguados nomeados para os escalões superiores. Lembro-me que até 1998 havia servidores conhecidos meus na Agência Goiana de Comunicação, com 20, 30 anos de serviços prestados ao Estado, recebendo salários na faixa dos R$ 600. Disparidade, aliás, resolvida definitivamente com a implantação do Plano de Cargos e Salários, planejado pelo então governador Marconi Perillo. Muitos destes servidores, inclusive já perto de aposentar, só agora iniciaram uma vida digna para alguém que dedicou seu “melhor” no serviço público.
Não podemos nos esquecer do Ipasgo, que tanto benefício deveria trazer aos servidores naqueles tempos difíceis. Foi um período de profundo sofrimento para quem precisava tratar de sua saúde. Os milhões de investimentos que deveriam ter sido feitos nunca chegaram aos cofres da instituição. E a questão da Segurança Pública, pelo interior afora? É de fácil lembrança o fato de que os policiais, os motoristas das viaturas, muitas vezes, tiveram que lançar mãos de vaquinhas junto às entidades de classe, como os Sindicatos Rurais, para abastecer e reparar os carros e trabalhar com dignidade.
Enquanto o prefeito de Goiânia afaga servidores municipais com palavras e diplomas, recusando os aumentos que a categoria merece, o funcionalismo goiano aguarda ansioso pelo retorno daquele que pagou os salários dentro do mês trabalhado, religiosamente, durante os sete anos e três meses em que governou Goiás; instituiu o 13º salário no mês de aniversário; capacitou servidores com inúmeros cursos promovidos pela antiga Agência de Administração; e projetou Planos de Cargos e Salários condizentes com os direitos de todos os que têm uma vida depositada no serviço público. É o jeito Marconi Perillo de promover “o melhor” para os que merecem mais do que um simples diploma. Bem diferente de Iris e sua turma de perseguidores do funcionalismo
Ainda que nosso líder maior, o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo, reitere repetidas vezes que devemos olhar para o futuro, que o PSDB tem hasteado novas bandeiras e que, portanto, necessitamos focar nossas ações na garantia do atendimento aos direitos das pessoas, não posso deixar de comentar as (meias) palavras escritas pelo prefeito de Goiânia na página três deste Diário da Manhã, do dia 1º de novembro. Perdoe-me, comandante, mas Iris Rezende e seu velho PMDB necessitam, sim, ser comparados com os nossos governos e, assim, confrontados e desmentidos. Ao narrar a aparição dele na festividade que homenageou servidores públicos na sede do SindGoiânia, Iris afirmou que sempre dedicou “o melhor” de seus esforços para valorizar o trabalho realizado pelos servidores públicos. Cabe aqui um parêntese. Fazer “o melhor” trata-se de uma ação relativa no âmbito dos resultados. Executar “o melhor” não significa que a ação tenha sido suficiente, profícua. Alguns atletas dão tudo de si em uma disputa, mesmo assim costumam terminar as provas na última posição por conta de limitações no condicionamento físico, na técnica, etc. Terminar a corrida é o melhor que muitos conseguem. Como na São Silvestre, em São Paulo. O melhor para alguns é o simples fato de conseguirem completar os 15 quilômetros da prova.