Professores
Com o objetivo de discutir o déficit de professores no Estado de Goiás, foi realizada na noite desta terça-feira, 24, no auditório Solon Amaral, uma audiência pública para discutir o tema com vários setores da sociedade e da educação no Estado.
Entre as decisões tomadas, no final da audiência, ficou definido que serão marcadas audiências com o reitor da Universidade Federal de Goiás, que realizou o consurso, para colocar questionamentos levantados sobre o certame; com o Ministério Público; com a secretária da Educação, Milca Severino; além de uma nova audiência pública na Assembleia, em data a ser marcada. Mas fficou acertado que na próxima terça-feira, 1º de dezembro, haverá na Assembleia uma nova mobilização dos parlamentares, dos professores e das entidades representadas na audiência desta terça-feira, 24.
Segundo o deputado Thiago Peixoto (PMDB), autor da iniciativa, a audiência serviu para discutir as prioridades da Secretaria da Educação. "A secretária (da Educação) Milca Severino disse que o concurso exigiu muito porque ela quer um quadro excelente de professores. Já que é assim, quais seriam os critérios para contratar professores temporários no próximo ano? Por que não utilizar o ranking desse concurso que foi feito para escolher esses temporários?", indagou o peemedebista.
Para o deputado Mauro Rubem (PT), é preciso debater o grau de exigência ocorrido no concurso da Educação. "Será que não foi um concurso realizado para que não houvesse mesmo aprovados?", questionou. Para o petista "é preciso sairmos de uma situação monárquica, em que prevalecem as indicações, para um ambiente republicano, em que os cargos são ocupados por mérito".
O professor Fabrício Queiroz, que participou do concurso, disse que não está defendendo "interesses particulares" e, sim, a dignidade dos professoras. Para ele, a prova do concurso foi considerada inadequada por muitos. "Faltou bibliografia no edital, houve uma distância muito grande entre o edital e a prova, houve um baixo índice de aprovação, mas muitos dos nossos questionamentos não foram sequer respondidos", pontuou.
Presidenta do Sindicato dos Professores de Goiás (Sintego), Ieda Leal disse que a Secretaria quis reduzir a questão educacional a um simples problema de ponto-de-corte, quando a discussão, segundo Ieda, é bem mais ampla. "Fazer um cadastro de reserva é uma falta de respeito, já que temos um déficit de 13 mil professores e funcionários em todo o Estado", reclamou.
Contra-gosto
Representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), José Fabrício disse que o processo do último concurso da Educação se arrasta por anos e é só mais um ponto da luta entre professores e Secretaria da Educação. "O Governo estadual fez esse concurso a contra-gosto, interessa ao Estado manter contrários temporários, com funcionário subservientes, e sem investir o suficiente na área educacional", disse.
Representante da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), a educadora Ana Cristina Kratz disse que é preciso transparência e moralidade na oferta do ensino público de qualidade. "As vagas devem ser preenchidas integralmente com concursados, a Acieg é contra a contratação de temporários e contra o cadastro de reservas, já que existe um déficit volumoso", destacou.
Na última quinta-feira, dia 19, a Secretaria da Educação divulgou uma nota afirmando que pretende fazer nova seleção, mas "mantendo o mesmo nível de exigência". A nota diz ainda que as provas foram elaboradas dentro das habilidades e competências exigidas para o ensino das diferentes áreas do conhecimento.