Um ato de dignidade
* Samuel Belchior é deputado estadual (deputadosamuelbelchior@gmail.com)
Quando comecei minha vida política, com 18 anos e ainda sem qualquer filiação partidária, eu manifestava um grande interesse em ser útil à sociedade. E foi esse o impulso que me fez atuar em projetos de assistência jurídica, primeiro emprego, distribuição de cesta básica, entre outros. Desde então, já se foi pouco mais de uma década e meus esforços como deputado estadual continuam focados aos menos favorecidos. Mantenho várias ações diárias como a conscientização sobre o sério problema da obesidade e a luta pela moradia, que é, com certeza, a com maior capacidade de me emocionar repetidas vezes. Não houve como escapar dessa bandeira que me faz escrever agora por um motivo especial: há um ano, no dia 29 de novembro de 2008, entreguei as chaves das primeiras 127 casas do Residencial Paulo Pacheco.
De lá para cá, consegui trabalhar com êxito pelos lares de mais 154 famílias numa segunda etapa do mesmo local e iniciei a construção de outras mil. Muita coisa aconteceu desde então, mas naquele sábado eu me tornei um apaixonado por construir. Ali na cerimônia de entrega, realizada embaixo do famoso e imenso jatobá, todos nós, inclusive o prefeito Iris Rezende, fomos às lágrimas. A força daqueles atos de entrega me fez perceber algo que só quem está incluído em uma parcela privilegiada da população tem certeza: não há conquista maior do que ter, finalmente, com as chaves nas mãos, um lar para sua família. E triunfo equiparado é poder proporcionar isso a alguém, ou apenas presenciar esse momento quando vivido por terceiros.
A energia sentida há um ano no Paulo Pacheco, onde agora mais de 100 famílias constroem uma vida digna, prova os motivos pelos quais ninguém, apesar das divergências políticas, discorda do fato de que as questões relacionadas a habitação são centrais em nosso Estado, no Brasil e no mundo. Foi de olho nos anseios das pessoas as quais represento e movido pelo desejo de fazer um trabalho realmente diferenciado que comecei a trabalhar por moradia. E não foi nada fácil. Se hoje consigo manter esse trabalho que considero da maior importância, foi por força de vontade. Durante dois anos de esforço, foram incontáveis as portas fechadas em viagens feitas a Brasília e encontros com representantes da Caixa. Muitas vezes, não veio por conta de meus orçamentos reduzidos, os quais provei serem viáveis. O problema é que meu interesse era grande demais para desistir. Com documentações corretas e a prova da minha capacidade em administrar o Crédito Solidário, finalmente consegui abrigar quase 300 pessoas nas duas etapas do Paulo Pacheco, que leva o nome meu recém-falecido avô materno.
Essa foi apenas a primeira homenagem, pois os próximos residenciais já têm nome certo: Bertim Belchior (meu avô paterno) e Iris Ville, um merecido reconhecimento ao apoio dado pelo prefeito e também aos conhecimentos adquiridos a partir da convivência com ele. Nessa empreitada também é impossível esquecer a força e as virtudes do Minha Casa, Minha Vida, um programa eficiente no qual eu fui pioneiro, sendo o primeiro a colocá-lo em prática entre todas as capitais do Brasil. Muita coisa precisa ser aprimorada, mas esse é um projeto de fundamental relevância e que dá oportunidade a quem realmente precisa e ainda trabalha a autoestima das populações carentes. E é bom ressaltar: ninguém recebe casa de graça, pois existe um pagamento simbólico.
É celebrando essa dignidade, alcançada também através do suor de muitos e a confiança da família que ganhei e agora vive no Paulo Pacheco, que parabenizo todos os moradores desse bairro construído com muito carinho. Não podemos, de modo algum, esquecer as pendências ainda existentes e as muitas dificuldades enfrentadas no dia a dia, mas tenho certeza de uma coisa: o maior passo já foi dado.