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O interesse mundial pelo etanol de Goiás

25 de Fevereiro de 2010 às 13:31
Artigo do deputado Daniel Messac (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 21 de fevereiro de 2010.
* Daniel Messac  é deputado estadual (PSDB), filósofo e teólogo (dmessac@hotmail.com)

O forte interesse, manifestado pelo governador da região polonesa de Wielkopolska, em firmar parcerias e importar o etanol produzido em Goiás não chega a surpreender pela altíssima taxa de crescimento apresentada pela pujante indústria sucroalcooleira em nosso Estado. Já somam 36 usinas instaladas em Goiás– mais 22 estão em fase de implantação, sendo 11 delas na área de influencia da Ferrovia Norte-Sul –, com produção total de 2,6 bilhões de litros da energia verde e 1,6 milhão de toneladas de açúcar.

Em pouco tempo – há quatro anos, tínhamos apenas 11 plantas de etanol em funcionamento com menos de 300 mil hectares de área plantada –, o nosso Estado deu um salto enorme, que o projetou à segunda posição no ranking nacional dos maiores produtores de etanol e à terceira colocação na produção de cana-de-açúcar. Neste ritmo de crescimento acelerado e sustentável, seguramente Goiás dentro de poucos anos irá ultrapassar São Paulo, que possui cerca de 160 usinas em funcionamento.

Os investimentos não param de crescer e as perspectivas são muito promissoras para Goiás. A nova ETH Bioenergia (empresa do Grupo Odebrecht que adquiriu a Brenco) pretende investir R$ 3,5 bilhões em nove unidades industriais, localizadas em Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. A gigante - perspectiva é  que, em 2012, produza 3 bilhões de litros de etanol e 2.500 gigawatts-hora (GWh) por ano de energia elétrica a partir da biomassa - já nasce com uma usina em operação em Goiás, a Rio Claro, localizada em Caçu, e duas outras unidades em fase de construção – Morro Vermelho e Água Emendada, ambas em Mineiros. Até 2012, ela deve investir R$ 1,2 bilhão em Goiás e quando todas as 3 usinas estiverem em operação, o investimento total terá alcançado  R$ 2,5 bilhões.

Uma vantagem extraordinária é que Goiás pode perfeitamente ultrapassar os paulistas em quantidade e produtividade das usinas de etanol sem afetar o meio ambiente. Podemos alcançar esses níveis de produção e estrutura de parque industrial apenas aproveitando as pastagens degradadas e rotação de cultura.

Não apenas a Polônia, mas praticamente todo o mercado europeu, asiático e dos demais continentes, apresentam-se altamente receptivos ao nosso etanol da cana. As resistências econômicas e políticas aos poucos estão sendo quebradas pela superioridade, sustentabilidade ambiental e alta eficiência do etanol brasileiro, que é tambem muito mais barato. Na União Européia já foi aprovada a adoção da mistura do álcool com a gasolina, visando diminuir a poluição e aumentar o controle do meio ambiente.

Na terra de Obama, onde o etanol é produzido sobretudo a partir do milho, mais poluente, os ventos também sopram a nosso favor. Recentemente, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, numa decisão inédita e bastante positiva para o Brasil, reconheceu o álcool de cana-de-açúcar como um biocombustível ecologicamente eficiente, capaz de reduzir os gases estufa em 61%, quando comparado com a gasolina. Qualquer percentual maior do que 50%  é favorável para o etanol de cana, porque esse é o padrão mínimo exigido pela legislação americana.

É uma questão que abrange também o mercado, pois os preços do etanol brasileiro são muito baixos, quando comparados aos preços do etanol produzido nos Estados Unidos, que ainda impõem barreiras comerciais à importação do produto. No mínimo, essa isenta avaliação técnica estremece as barreiras norte-americanas.

Por outro lado, a expansão do milho destinado à produção de biocombustíveis, que tem tomado lugar de áreas agrícolas antes destinadas à produção de alimentos, tem levado a uma elevação no pre?ço dos grãos naquele país. Com isto, foi editada uma legislação que obriga as usinas a comprarem combustíveis de fontes que poluem menos, como é o caso do nosso etanol de cana.

Os governos e mercados internacionais estão se curvando a uma realidade incontestável: o nosso etanol de cana é a matriz energética mais avançada e ecologicamente superior para sustentar o planeta. E o Estado de Goiás será um dos grandes beneficiários, pois dispomos de um setor sucroenergético altamente competente e organizado, sob a liderança do Sindicato de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás(Sifaeg).

O setor é um grande gerador de empregos e renda, bem como um dos maiores responsáveis pela interiorização do desenvolvimento goiano. Ele está definitivamente entrelaçado com o crescimento econômico e social do nosso Estado.

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