Goiânia como um bom exemplo
O ano de 2010 começou com as velhas tragédias que assombram a população brasileira na época das chuvas. Se em 2009 todos ficaram chocados com Santa Catarina, desta vez a catástrofe foi na paradisíaca região de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, em plena virada do ano, momento em que todos desejam recomeçar com o pé direito.
Pouco depois, o mesmo período chuvoso começou, mais uma vez, a castigar São Paulo, que vive atualmente um sério problema. São mais de 70 mortes e milhares de desabrigados pelas chuvas.
Não havia jeito mais significativo, negativamente, para o Brasil iniciar o ano com a certeza de que os administradores precisam aprender a prevenir. O site da ONG Contas Abertas (contasabertas.uol.com.br) divulgou dados que comprovam o quanto sai mais barato cuidar das áreas de risco do que remediar uma situação catastrófica. Ainda assim, os números apresentados pela ONG mostram que foram gastos apenas 21% dos R$ 646,6 milhões disponibilizados pelo governo federal a este fim.
E quando esse dinheiro é utilizado de forma correta, surge outro problema relativo à remoção dos moradores das áreas de risco: nas grandes capitais, isso não resolve porque as famílias são levadas para outra região igualmente perigosa.
O contexto nacional é lamentável, mas é possível certo alívio ao dizer que Goiânia, privilegiada inclusive por sua geografia, é uma rara exceção. Considerada mais uma vez, em 2009, a cidade com maior qualidade vida em pela Organização Mundial de Estados, Municípios e Províncias (Omemp) – com base em dados inclusive da Organização das Nações Unidas (ONU) –, a nossa capital é referência quando o assunto é ocupação. Não dá para esquecer os problemas ainda existentes, a distância que muitos bairros têm do Centro e o trabalho a ser feito, mas ações como a remoção dos moradores das proximidades da Avenida Emílio Póvoa, no Setor Crimeia Leste, para o Residencial Santa Fé merecem reconhecimento pelo investimento em habitação, infraestrutura e meio ambiente
O audacioso projeto Macambira-Anicuns também é exemplar quando o tema é ocupação urbana: multifacetado, com remoções bem planejadas, requalificação das margens dos córregos e, entre outras ações, a construção de parque linear com 26,5 quilômetros de extensão. No total, 114 bairros da capital serão beneficiados. Goiânia se tornará cidade ainda mais reconhecida por sua qualidade de vida diferenciada. E também lembrada como referência às outras capitais.