CPI da Pedofilia vai investigar crimes cometidos em Goiás
O deputado Fábio Sousa (PSDB), que apresentou na tarde da última quarta-feira, 24, requerimento solicitando a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar casos de pedofilia em Goiás, e quer foi aprovada por conter o número de assinaturas necessárias, anunciou nesta quinta-feira, 25, os nomes de quatro dos cinco membros que irão compor a Comissão.
De acordo com o parlamentar, Adriete Elias (PMDB), Marlúcio Pereira (PTB), Betinha Tejota (PSB), além do próprio Fábio, são os componentes da CPI. "Falta somente decidir o deputado que representará o quinto partido, para enviarmos os nomes ao presidente da Casa e começarmos os trabalhos", disse o parlamentar.
Fábio Sousa disse, ainda, que pretende pleitear o cargo de presidente da Comissão. "É uma tradição na Assembleia deixar o cargo de presidente de uma CPI para quem a apresenta, mas, se isso não acontecer, vou me empenhar junto aos deputados para conseguir o cargo", concluiu Fábio.
Instalação
A CPI da Pedofilia foi instalada na última quarta-feira, 24, no momento em que eram votados vários requerimentos, quando o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Helder Valin (PSDB), anunciou que seria instalada a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar casos de pedofilia em Goiás, sem que fosse necessário submeter ao Plenário requerimento apresentado pelo deputado Fábio Sousa (também do PSDB), solicitando a instalação da Comissão.
Baseando-se em parecer da Procuradoria da Casa, o Presidente informou que, uma vez que o documento já contava com mais de 14 assinaturas – que corresponde a 1/3 dos parlamentares da casa, já estavam preenchidos os requisitos para a instalação da comissão de inquérito.
“Caberá agora aos líderes da situação e oposição se reunirem para, posteriormente, indicarem os membros da comisssão”, acrescentou. O parecer que sustenta a instalação de CPI com um terço das assinaturas dos parlamentares é assinado pela procuradora-geral da Casa, Otavila Alves Pereira de Gusmão, e tem data de 23 de fevereiro. O documento foi produzido a partir de consulta do deputado Jardel Sebba, líder da bancada do PSDB na Assembleia.
Segundo o parecer, o artigo 58 da Constituição Federal prevê que “as comissões parlamentares de inquérito terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais” e “serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal mediante requerimentos de um terço dos seus membros”. O documento acrescenta que, o artigo 17 da Constituição Estadual determina idêntica proporcionalidade.
Também são mencionadas decisões do Supremo Tribunal Federal favoráveis a instalação de CPIs, sem a necessidade de aprovação da maioria em Plenário, garantindo assim o direito “das minorias”. Com base nesse entendimento, foi instalada em 2007 a CPI do Apagão Aéreo.
Em Goiás, por determinação do Tribunal de Justiça, também foi instalada em 2008 a CPI da Saúde. Sendo assim, conclui o documento, a despeito do Regimento Interno da Assembleia prever a exigência de aprovação da maioria para instalação da Comissão, prevalece “o direito revestido de status constitucional”.
Precedente
Em maio de 2007, Mauro Rubem fez um requerimento solicitando que a Assembleia Legislativa constituísse a CPI da Saúde, uma vez que um terço de parlamentares eram favoráveis a instalação da CPI, a proposta de Mauro Rubem foi rejeitada pelo Plenário.
Com apoio de outros parlamentares do Partido dos Trabalhadores, Humberto Aidar e Luis Cesar Bueno, foi protocolada uma ação solicitando mandado de segurança ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), reivindicando a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. Os integrantes do Órgão Especial do TJ-GO, por unanimidade de votos, deram procedência ao pedido dos petistas, quando, então, foi instalada a CPI da Saúde.