Assembleia debate o transporte coletivo na Grande Goiânia
A necessidade de extensão do Eixo Anhanguera aos Setores Vera Cruz e Vila Mutirão, os problemas provenientes das alterações nas linhas e a prorrogação do contrato de concessão da Metrobus, foram os principais temas na audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa na manhã desta quinta-feira, 15. Por iniciativa do presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor, deputado José Nelto (PMDB), o objetivo da audiência foi para tratar do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia. O evento foi realizado no Auditório Costa Lima.
O deputado explicou que o debate buscou promover soluções para garantir uma prestação satisfatória do serviço de transporte coletivo aos seus usuários. “O direito de ir e vir é uma garantia constitucional, sendo o direito ao transporte coletivo, na atualidade, tão necessário quanto o direito à alimentação e vestuário”, disse.
Participaram do evento representantes da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC), da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), da Agência Municipal de Trânsito (AMT), do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp) e da empresa Metrobus.
As Associações de Moradores do Setor Vera Cruz, da Vila Mutirão e de outros setores da Capital, a Associação das Donas de Casa, a União dos Estudantes e outras associações de estudantes e entidades de classe também foram convidados para a audiência.
Representantes da sociedade
A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor, Renata Abalen, que fez parte da mesa de debates, destacou que a atual situação do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia é um verdadeiro desrespeito ao consumidor.
O presidente do Sinduscon-GO, Roberto Elias de Lima Fernandes, pontuou vários fatores que na sua opinião são relevantes para que se possa resolver os problemas existentes. “Tenho aqui uma lista de várias ações que podem ser realizadas em benefício do nosso sistema de transporte em geral. Elas são basicamente sustentadas em três pontos principais, que são, a melhoria do sistema viário, do sistema coletivo e a retirada de veículos sucateados das nossas ruas”, sugeriu.
Outro participante do debate, Jesus Pereira Fernandes, que é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado de Goiás, destacou sua preocupação com ações que estão sendo proteladas e que podem se tornar um problema irrecuperável no futuro. “Hoje estão espalhando loteamentos por todos os lados, construindo edifícios sem estudos de viabilidade, enfim, se não criarmos um caminho sustentável para o transporte em nossa cidade, não irá existir ruas que suportem a quantidade de veículos que circulará em um futuro breve”, alertou.
Benedito Silva, representante do Conselho Municipal de Goiânia, norteou sua participação, questionando sobre as alterações que foram feitas nas linhas de transporte coletivo sem a devida participação da sociedade. “Dizem que foi feita uma pesquisa, porém sou usuário do sistema e chego a pegar nove ônibus por dia. Toda minha família, esposa, filhos e filhas também utilizam de ônibus no dia a dia e nunca, nenhum de nós, foi abordado por nenhuma pesquisa neste sentido”, questionou.
Após as queixas às mudanças de linhas de ônibus e qualidade do transporte público, Jailton Paulo Naves, representante da Metrobus, aproveitou as críticas para levantar a importância da renovação da concessão do Eixo Anhanguera para a Companhia. “Nossa concessão encerra em dezembro de 2010. Sem ela, todos os orçamentos e avanços direcionados ao transporte público ficam emperrados e não temos condições de estender os eixos da Setransp”, informou.
Já o diretor do CMTC, Denício Trindade, informou que o problema do transporte público em Goiânia está além de questões superficiais. “Não estou isentando nossas responsabilidades, mas a questão do transporte é um problema estrutural”. Além disso, ele acredita que enquanto não houver reforma na plataforma de espera do terminal da Bíblia, não será possível aumentar a frota que alimenta o local.
Faz-se necessário uma solução imediata
Para o deputado José Nelto, dentre os problemas existentes atualmente, as recentes alterações nas linhas de ônibus de Goiânia são as que causam maior incômodo ao usuário do sistema e necessitam de uma solução imediata. “As mudanças foram inoportunas, prejudicando os usuários do serviço. O sentimento da população é de indignação”, enfatizou o parlamentar.
Em relação às demais questões, José Nelto disse ainda que será ruim para Governo não resolver os problemas existentes no transporte coletivo da Capital. O deputado afirmou que o assunto é promessa antiga de vários gestores e que também fez parte das promessas de campanha do atual governador Alcides Rodrigues (PP).
“Esse tema que tratamos aqui hoje, que é, principalmente, a prolongação do Eixo Anhanguera e a manutenção dos subsídios, foi promessa de campanha do nosso atual governador do Estado e vai ficar muito ruim para ele deixar o cargo sem resolver estas questões”, destacou.
Para o parlamentar, é ainda politicamente maléfico permitir que esse tema seja novamente utilizado em campanhas eleitorais e ser promessa de político para angariar votos. “Já estamos calejados de discutir esse assunto, portanto é preciso ação. Não podemos esquecer o usuário, que é prioridade. Políticos passam, administradores passam, mas o usuário precisa do ônibus todos os dias, portanto, esse serviço deve ser digno e decente”, ressaltou o parlamentar.
Segundo a advogada do Instituto de Defesa do Conssumidor, é preciso maior ação no sentido de se promover melhorias. “Recebemos várias denúncias sobre desrespeito ao cidadão usuário do sistema e também de desrespeito aos direitos de funcionários das próprias empresas que compõem o sistema”, disse.
Polêmicas
Aproveitando o debate, o deputado José Nelto cobrou da CMTC e da Metrobus uma explicação para o problema do terminal da Bíblia, que ele acredita ter sido agravado após as mudanças de linhas. “Há três meses, esse caos no terminal não existia, ele é irresponsabilidade da Metrobus e do CMTC”, criticou.
Segundo o representante da Metrobus, Jailton Paula Naves, as mudanças das linhas não aumentaram a freqüência de ônibus. Para tentar contornar o problema, ele afirma que as condições de espera do usuário nas plataformas serão melhoradas. “Remanejaremos os vendedores dentro dos terminais para os usuários ficarem melhor acomodados”.
Com relação às 27 alterações nas linhas da Região Metropolitana, Denício Trindade, representante da CMTC, informou que a Companhia está fazendo um estudo caso a caso e já retomou dois trechos antigos e possivelmente fará novas alterações. “Temos técnicos muito competentes e queremos encontrar solução para esses problemas”.