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Brasília: da crise à chance de mudar

23 de Abril de 2010 às 10:24
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal O Popular, edição de 21.04.2010.
* Thiago Peixoto é deputado estadual (PMDB) e economista


“Queria saber se o senhor vai pôr em prática o dispositivo da Constituição que determina a transferência da capital da República para o planalto goiano”, perguntou Toniquinho para Juscelino Kubitschek (JK) em um comício realizado em Jataí no dia 4 de abril de 1955.

JK demonstrou apreensão. Seu famoso Plano de Metas não mencionava o assunto. O desafio estava feito, JK decidiu enfrentá-lo e respondeu: “Prometo que cumprirei a Constituição na íntegra e não vejo razão para ignorar esse dispositivo. Durante meu mandato, farei a mudança da sede do governo e construirei a nova capital”.

Narro esse episódio para mostrar a importância dos goianos na história da capital federal que faz 50 anos. O Brasil construiu Brasília, mas a relação de Goiás com a capital federal é mais do que especial. Para os goianos, Brasília pode ser considerada uma irmã mais nova, um pouco esnobe, mas não deixa de ser irmã.

Os goianos foram fundamentais para que a utopia da transferência da capital se tornasse realidade. Brasília trouxe ao nosso Estado progresso, desenvolvimento e por que não dizer, muito orgulho.

O problema surge quando aquilo que foi motivo de tanto orgulho se torna uma grande vergonha. Brasília chega ao seu cinquentenário vivendo uma crise política sem precedentes e um imenso déficit de decência.

O senso comum mostra que o problema de Brasília são os políticos. Bastaria trocar seus dirigentes. Mas estamos falando da capital da Nação. Nossas decepções com Brasília não se resumem ao governo do Distrito Federal ou à Câmara Distrital: os problemas se estendem ao Congresso Nacional e corredores do poder.

Isso significa que consertar a capital federal é responsabilidade de todos brasileiros e não só dos brasilienses. Todos nós olhamos para Brasília e sentimos vontade de mudar tudo aquilo. Há 50 anos a meta-síntese do Brasil foi construir Brasília, hoje somos desafiados a transformar a capital da Nação. Esta transformação passa inevitavelmente por uma mudança de agentes políticos. As reformas política e eleitoral não aconteceram no ritmo que precisávamos, então temos de nos concentrar agora no uso ético e democrático do voto.

Não vamos ter transformação mandando para Brasília, de mandato em mandato, as mesmas pessoas. JK costumava dizer: “Brasília é a manifestação inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros”. Este ano temos a oportunidade de firmar uma agenda de renovação em que as decepções em nossa capital sejam substituídas por soluções para o Brasil.


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