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Do coração

29 de Abril de 2010 às 13:02
Audiência pública debate descredenciamento de cirurgiões cardíacos goianos do Sistema Único de Saúde em Goiás.
A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, por iniciativa da deputada Isaura Lemos (PDT), promoveu nesta quinta-feira, 29, audiência pública sobre o descredenciamento, feito no dia 2 de dezembro do ano passado, dos médicos cirurgiões cardiovasculares do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás.

Para discutir o tema, além da parlamentar, fizeram parte da mesa do debate Paulo Tavares, representante do secretário municipal de Saúde de Goiânia, Paulo Rassi; Hélio Freitas Moraes, representante da secretária estadual de Saúde, Irani Ribeiro Moura; Duílio Rezende, representante da Cooperativa dos Cirurgiões Cardiovasculares do Estado de Goiás; e o presidente da Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea, Jeffchandler Belém de Oliveira.

Duílio Rezende destacou que a situação dos cirurgiões cardíacos que atendem pelo SUS é caótica e impossibilita o bom desenvolvimento do trabalho realizado por estes profissionais. “Hoje temos que trabalhar em dois, três e até quatro lugares para conseguirmos nossa subsistência. Isso nos submete a uma carga horária que compromete a qualidade do nosso serviço”, destacou o médico.

De acordo com Duílio Rezende, Goiás é hoje o sexto Estado em volume de cirurgias cardíacas, contudo a desvalorização deste profissional vem fazendo com que hospitais credenciados, grande parte não suportando os custos, optem pelo descredenciamento, que é mais viável que arcar com possíveis multas que são aplicadas em caso de não atendimento.

“É impossível bancar uma equipe de cirurgia cardíaca levando em conta que os valores repassados pelo SUS são em média de 800 reais por cirurgia. Muitas vezes o anestesista, que recebe à parte, percebe pelo seu trabalho valores superiores ao de toda a equipe envolvida no restante da cirurgia”, informou Duílio.

Hélio Freitas, representante da secretária estadual de Saúde, Irani Ribeiro, considera justa a reinvidicação dos médicos. “Os profissionais precisam ser remunerados adequadamente no exercício de sua função”, afirmou. Para Cláudio Tavares, representante do secretário municipal de Saúde de Goiânia, Paulo Rassi, a causa não somente é justa, como deve ser estendida a outros profissionais que atendem pelo SUS.

O presidente da seccional goiana da Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea, Jeffchandler Belém de Oliveira, ressaltou a atual situação, desencadeia uma série de problemas que vão desde a desestruturação de algo extremamente complexo, como é a profissionalização de uma equipe de cirurgia cardíaca, ao próprio deslocamento e saturação de sistemas de outros Estados, que por sua vez são obrigados a atender além de sua população local.

Segundo o presidente, Goiânia que é hoje uma referência nacional em atendimento em saúde, pode muito em breve deixar de ter essa qualidade à medida que os profissionais se sentem desestimulados.

“Não é justo deixar esse investimento todo que é feito ir para outros Estados, sendo que aqui temos ótimos cirurgiões capazes de prestar um excelente serviço em sua própria casa. O Brasil já é um dos países em que menos se investe em saúde. Pessoas estão morrendo todos os dias. Portanto o que estamos tratando aqui não são valores e sim a sobrevivência do sistema de saúde em nosso Estado. Não é algo que possa esperar o desenrolar burocrático, e sim vidas”, finalizou Jeffchandler.

Na sexta-feira, 23, o Hospital da Criança também solicitou o descredenciamento alegando não ter mais condições de realizar cirurgias cardíacas. Os médicos recebem, por cirurgia, segundo a tabela do SUS de 1992, 800 reais, sendo que este valor é dividido por seis profissionais, entre eles três cirurgiões, instrumentador e perfusionista.

Para tentar acelerar a busca por um solução, a deputada Isaura Lemos propôs um abaixo assinado com os deputados da Casa, e a busca do apoio do governador Alcides Rodrigues (PP), juntamente com as secretarias para levar a situação ao Ministério da Saúde.
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