Aeroporto Santa Genoveva: questão de vontade política
Muito antes de escrever o meu primeiro artigo sobre a situação do Santa Genoveva e propor a criação de uma Comissão Especial, agora aprovada e em fase de formação, para acompanhar a polêmica que envolve nosso aeroporto, os goianienses já tinham a certeza: essa é uma causa fundamental. No entanto, mais do que nunca, nos últimos dias, a população e entidades importantes têm provado força e vontade para lutar por algo que é de todos nós. Em 2 de março, o pontapé foi dado pelo Aeroporto Já!, belo movimento articulado pelo Goiânia Convention & Visitors Bureau. Dois dias depois, veio a esclarecedora audiência na Assembleia, com Jucélio Alves (Superintendente local da Infraero) e Paulo Henrique Nogueira (Tribunal de Contas da União). Nos dois momentos faltava uma classe: a dos políticos.
Com raras exceções, as movimentações, com cobertura elogiável da imprensa local, não ganharam o mesmo apoio dos meus colegas. Já escrevi outras vezes sobre as brigas partidárias nas quais a culpa pula de um grupo para outro, ninguém assume o filho e também não faz nada. Se é esse o motivo das ausências, é difícil dizer. Mas é fato: o quorum baixíssimo é sintomático, explica muita coisa. O debate esclarecedor com Jucélio e Paulo Henrique revelou como fato novo que de nada adianta fazer pressão com o Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Apesar do poder de revogar o contrato existente com o consórcio Via EngenhariaObedrecth, a interferência de Jobim não é necessária.
De acordo com a fala do representante do TCU, o contrato "caducou" e o processo depende realmente da justiça. Atualmente são quatro processos e o mais importante está na 5ª vara da Justiça Federal. A decisão, todos esperam, deve ser contrária ao consórcio, que pode recorrer ou não. Caso isso não aconteça, será possível pensar imediatamente em um novo projeto para o Santa Genoveva (o atual não comportará, quando finalizado, a crescente demanda de passageiros) e também em um novo processo licitatório. Nessa hora, é imprescindível a presença da classe política em Goiás para fazer coro à causa.
Bastante confusa, a situação atual do Aeroporto de Goiânia - as obras estão paralisadas desde 2007 - permanecerá por muito tempo caso não haja vontade política. O principal entrave para que tudo funcione da forma mais rápida é a lentidão natural do andamento desses processos, algo acelerado, todos sabem, através da pressão. Da minha parte eu garanto, disposição não falta. Mas isso também não é o suficiente. Por esse motivo, surgiu a ideia da Comissão Suprapartidária de acompanhamento do atendimento e do processo de licitação do Aeroporto Santa Genoveva, que começará a agir em breve.
Com o mesmo espírito também sugeri, na última audiência sobre o assunto na Assembleia, a formação de um grupo de trabalho com todos ali presentes, incluindo o movimento Aeroporto Já!, parlamentares presentes, Infraero e TCU (reforço o convite a todos). A proposta foi aceita sem restrições e tivemos um primeiro encontro no dia 31 de março. A conversa inicial resultou em prazos atualizados e provou que com uma composição dessas podemos encontrar atalhos para concretizar os menores prazos possíveis para a existência de um Santa Genoveva como queremos. E isso, com certeza, não vai ocorrer em 2012, como as previsões indicavam. Com essa data de entrega ninguém pode contar.
Até lá, o que deve amenizar a situação penosa de utilizar um aeroporto com capacidade muito inferior aos 1,7 milhões de passageiros anuais (o número deve chegar perto 2 milhões em 2010), são as medidas emergenciais e insuficientes, anunciadas pela Infraero no dia da manifestação no aeroporto. Prevista inicialmente para o final de 2009 - os primeiros prazos não foram cumpridos, a entrega do "puxadinho" (Módulo Operacional para dobrar o tamanho da área que compreende sala de dependências de check-in, embarque, desembarque, lazer e serviços) ganhou novo prazo e , de acordo com Jucélio, ficou para15 de julho. Ao mesmo passo, o estacionamento também deve ter o tamanho ampliado até o final desse ano.
Quem vai ao Santa Genoveva em um fim de tarde de domingo sabe que o sofrimento dos motoristas para estacionar no local é o mesmo de quem espera pelo voo em uma sala desconfortável. Uma simples tentativa dessas pode levar 30 minutos, fazendo do estacionamento um foco de ação importante para quem quer se engajar na causa. Em audiência recente - na qual estávamos eu e o superintendente da Infraero, o presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), Clarismino Júnior, garantiu total empenho para autorizar essa reforma. E esse é outro contexto que pede o envolvimento de todas as classes para garantir, ao menos, a real execução. E, depois disso tudo, ainda teremos muito trabalho pela frente.