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Por um transporte realmente público

06 de Maio de 2010 às 11:59
Artigo do deputado Samuel Belchior (PMDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 06.05.2010.
* Samuel Belchior é deputado estadual pelo PMDB



Atos recentes como as manifestações contra atrasos nas linhas de ônibus com acesso ao Terminal da Praça da Bíblia, na região leste de Goiânia, e a greve dos motoristas de nosso transporte coletivo são sintomas da necessidade de maior integração operacional entre as empresas e as administrações estadual e municipal na operação do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana. A questão vem sendo exposta e debatida pelo ex-prefeito Iris Rezende, que elegeu o tranporte coletivo como uma das prioridades de seu mandato na Prefeitura de Goiânia e fez todos os esforços para equilibrar a difícil relação entre o crescimento da demanda pelo sistema e da frota de veículos particulares.

Em reunião com o governador Alcides Rodrigues no dia 13 de março, no Palácio das Esmeraldas, para discutir a renovação da concessão do Eixo Anhanguera, o então prefeito Iris Rezende ponderou que o Estado precisa se comprometer com os investimentos para a modernização da linha para que tenha a legitimidade para mantê-la sob sua gestão. Como empresa estatal, voltada para o interesse público, de fato a Metrobus pode continuar sob a administração do governo estadual, mas a concessão do subsídio e a operação do Eixão não deve, em hipótese alguma, estar subordinada a interesses eleitorais. Essa é uma convicção tanto do prefeito Iris quanto do governador Alcides.

A concessão e o valor do subsídio, por exemplo, não podem ser definidos sem prévia avaliação de viabilidade financeira, no âmbito da Metrobus, eficácia no conjunto do sistema pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e impacto sobre as contas das empresas particulares. Neste último ponto, não se trata de atender interesses privados, mas de ver o sistema, no conjunto, como de interesse público. Para funcionar e atender a todos da forma mais eficaz, é preciso que toda a rede de linhas disponha das condições financeiras e operacionais ideais para isso.
Sem essa constante integração operacional e administrativa, desvinculada dos interesses eleitorais e empresariais de ocasião, será impossível conceder ao usuário regular das linhas o conforto a que tem direito para se locomover na Grande Goiânia. Tampouco permitir que o usuário ocasional do sistema de fato se sinta seguro para deixar seu veículo na garagem e optar pelo ônibus.

É por ter essa compreensão que a Prefeitura de Goiânia fez com Iris, e vai continuar fazendo, as obras de infraestrutura necessárias para o bom funcionamento do trânsito – aqui entendido como a junção dos transportes público e particular. Nesse esforço se destacam a abertura de novos corredores exclusivos para os ônibus, a adequação da sinalização e sentido de vias, a abertura de novas avenidas, a construção de viadutos e pontes, além da conclusão das marginais Botafogo e Cascavel e da Avenida Leste-Oeste. Esforço que tem recebido o apoio financeiro e administrativo de nossos parlamentares e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De fato ainda é preciso fazer muito mais para que o sistema alcance as condições ideais de funcionamento e conforto. E para isso é necessário que estejamos atentos para essas questões e cobremos dos agentes responsáveis a ampliação dessa concepção eminentemente pública do sistema de transporte coletivo. Não custa repetir que a concessão do sistema é pública e que atender aos interesses dos seus usuários, para que eles possam se locomover na Grande Goiânia na garantia de seu pleno lazer e cidadania. E isso só será possível se governos, empresas, classe política e representantes dos usuários estiverem em sintonia.

 


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