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Uma prática que deveria estar banida de Goiás: a troca de obras por apoio político

17 de Maio de 2010 às 15:44
Artigo do deputado Daniel Goulart (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 17.05.2010.
* Daniel Goulart é deputado estadual do PSDB


Qual é o destino de um projeto político motivado pelo ódio e pelo desejo de vingança, que usa de todos os meios para conseguir apoio mediante coação e manipulação explícita de recursos públicos?

Creio que a resposta não é difícil. O que o governo está tentando hoje, em Goiás, é algo que nunca se viu antes na nossa história política. E isso não vai terminar bem.

Um candidato a governador foi fabricado de última hora e prefeitos de todos os partidos passaram a ser ostensivamente pressionados para apoiar esse candidato. Alguns se mostram corajosos o suficiente para denunciar publicamente a violência a que estão sendo submetidos, como no caso de Cícero Romão, prefeito de Minaçu – que não aceitou a proposta para apoiar Vanderlan Cardoso e teve imediatamente cortadas obras e verbas para o seu município.

Em final de mandato, prenunciando uma herança pesada, o governo está contraindo empréstimos e obrigações para serem pagas pelos seus sucessores. O objetivo é claro: viabilizar recursos para atender, com obras sem planejamento, os prefeitos que se dispuserem a aceitar a proposta de apoio a Vanderlan Cardoso.

Com a sua tradicional falta de habilidade política, porta-vozes do Palácio das Esmeraldas não se preocupam sequer em esconder a operação abafa em favor de Vanderlan, com a utilização de dinheiro público. Diariamente, dizem nos jornais que a campanha será vitaminada pelo empréstimo de mais de R$ 100 milhões da Caixa Federal e, em seguida, pelos recursos que advirão da venda das ações da Celg para a Eletrobras.

O que é mais chocante é a desfaçatez com que se anuncia a malversação do Tesouro Estadual para conquistar prefeitos para a minguada base política de Vanderlan Cardoso. Ele, Vanderlan, não tem hoje sequer o apoio do seu partido, o PR, cuja maioria de prefeitos prefere o caminho da gratidão e do apoio a Marconi Perillo. Coisa igual acontece com o PP, que abandonou Vanderlan e está em peso fechado com Marconi, deixando para a cúpula o desgaste de empurrar um candidato que não foi objeto de consulta às bases, mas, sim, imposto ditatorialmente pelos donos provisórios do poder.

E exatamente porque foi imposto goela abaixo, sem consulta às bases, é que o apoio a Vanderlan está sendo forçado a ferro e fogo. Pelo mesmo governo que arregimentou órgãos da sociedade civil, como qa OAB, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, para pressionar a Assembleia a aprovar às pressas o projeto que autorizava a venda de ações da Celg para Eletrobras, e agora proclama aos quatro ventos que a operação vai gerar caixa para fortalecer a candidatura de Vanderlan Cardoso.

Aliás, pressão sobre a Assembleia com o argumento, agora comprovadamente falacioso, de que havia urgência por parte da Eletrobras – que sequer colocou o assunto em pauta na sua reunião de acionistas do último dia 30. E ainda, somente agora, com o envio ao Legislativo de novos projetos autorizativos para a operação, mostrando que a urgência era conversa fiada e que na verdade o amadorismo e a improvisação imperam onde deveria haver responsabilidade e seriedade (tanto que as instituições representativas do empresariado goiano estão se propondo a assumir o comando das negociações sobre a Celg com o governo federal).

Como deputado estadual, vivo no contato diário com dezenas e dezenas de prefeitos de todas as regiões do Estado. Todos eles, de todos os partidos, são unânimes em contar que o assédio a eles está sendo feito com a oferta de obras e recursos em troca do apoio a Vanderlan Cardoso. Alguns, meio ressabiados, até revelam que vão aceitar, no interesse de levar benefícios para os seus municípios, mas informam que isso não influirá na decisão final que irão tomar a respeito de quem apoiar nas próximas eleições.

Aliás, ingressei no Ministério Público Estadual com uma denúncia a respeito desses fatos, inclusive apontando o PC Farias goiano que não ocupa nenhum cargo e continua mandando mais que o próprio governador. Ele inclusive chegou a montar um quartel general dentro do Palácio das Esmeraldas, onde dá ordens à equipe de governo e recebe prefeitos para propor obras em troca de apoio político para o candidato Vanderlan Cardoso.

De qualquer forma, é um espetáculo triste e deprimente: a volta de uma prática que deveria ter sido banida do nosso Estado e que ofende a consciência de todos os cidadãos goianos de bem. Antes de tudo, uma prática ilegal e desonesta. E aqueles que a ela estão recorrendo vão ser chamados a pagar pelos seus atos: senão pela Justiça dos homens, ao menos pelo Tribunal da História.

 


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