Serviço Social
Foi encerrado às 17 horas desta terça-feira, 25, o 1º Simpósio Goiano de Serviço Social e a XXVIIª Semana do(a) Assistente Social. O evento, que teve lugar no Auditório Costa Lima, teve como tema “A Cidade Sustentável – Habitação e Interesse Social”, e foi realizado pelo Conselho Regional de Serviço Social de Goiás (Cress-GO), em parceria com o deputado Mauro Rubem (PT).
Na etapa vespertina do encontro, que teve início às 14 horas, os convidados puderam assistir às palestras da professora, arquiteta e urbanista Lúcia Maria Moraes (PUC-GO) e da mestra Ana Maria Trindade (SMS/Casa da Juventude – Caju – PUC-GO).
Além das palestrantes, também compuseram a mesa a coordenadora dos trabalhos, Eleusa B. Ribeiro, da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS/PUC-GO); a professora Maria das Dores Martins (Cass-PUC-GO); e a relatora/secretária Maria Francisca da Silva, da Agência Goiana de Habitação (Agehab). O evento também contou com a presença de personalidades, como a presidente do Conselho Regional de Serviço Social (Cress-GO), Neimy Batista da Silva.
Segregação
Inicialmente, Lúcia Maria falou sobre as implicações sociais da construção das novas Capitais brasileiras, a partir do período denominado “Marcha para o Oeste”, tema da tese de doutorado que defendeu na Universidade de São Paulo (USP).
”Minha tese abordou a segregação, inclusão e exclusão urbanas. A partir da criação de novos centros urbanos planejados, como Goiânia, Brasília e Palmas, começaram a aparecer ocupações irregulares, sob a forma de bairros distantes ou cidades satélites. Ou seja, as desigualdades sociais e as periferias distantes começaram a aparecer já no início da construção dessas cidades”, explicou.
Segundo Lúcia, em aglomerações marcadas pelo planejamento, como Goiânia, a Administração Pública teria inicialmente comprado terras localizadas fora do plano diretor original para fixar a população de baixa renda. “A discriminação em Goiânia foi, portanto, planejada, ou seja, o próprio Estado acabou por promover uma segregação social desde o início da construção da Capital”, denunciou.
Especulação
Lúcia também denunciou a especulação imobiliária como uma das principais causas das desigualdades sociais em áreas urbanas. “Em Goiânia, observamos que sempre foram implantados loteamentos ou conjuntos habitacionais destinados à população de baixa renda. Até hoje, a resposta do Governo às reivindicações dos sem-teto é implementar loteamentos distantes do centro da cidade, com pouca ou quase nenhuma infraestrutura. Na verdade, o planejamento urbano é, até hoje, feito a reboque da especulação imobiliária”, atacou.
Apesar dos problemas elencados, Lúcia avaliou que, especialmente nos últimos dez anos, surgiram em todo o País iniciativas favoráveis à causa da moradia, através da criação do Ministério das Cidades, e da elaboração de novos planos Municipais e Estaduais de habitação.
Juventude
Em seguida, a palestrante Ana Maria Trindade falou sobre sua pesquisa de mestrado, focalizada na juventude que habita as periferias dos centros urbanos. “A ideia central de minha dissertação de mestrado foi compreender o movimento da juventude trabalhadora que vive em espaços segregados, através da realização de uma pesquisa, abrangendo jovens da Vila Coronel Cosme, na faixa etária dos 20 aos 29 anos”, explicou.
Ana Maria disse que ainda é elevado o número de jovens assassinados na periferia da Capital, e que a violência doméstica e nas ruas, além da busca por um trabalho digno, figuram entre os assuntos considerados mais importantes por eles.
”Constatei que a maior parte desses jovens vive em espaços segregados, e é constantemente ameaçada em seus direitos por traficantes ou pela violência policial”, acrescentou. ”É como se uma cerca invisível os impedisse de sair da sua localidade para a verdadeira ‘cidade’. Não dá para morar em Goiânia sem lutar pela melhoria da situação da classe dos jovens trabalhadores. Podemos e devemos fazer muito mais”, finalizou.
Às 16h15, foi aberto um espaço para debates entre os membros da mesa e os presentes, que foi seguido pelo encerramento oficial do simpósio. A partir das 16h30, a coordenação do evento realizou o sorteio de brindes entre os presentes, que puderam conferir, na sequência, a apresentação cultural do grupo de dança Secom, composto por meninas do programa Pró-Jovem.