A novela acabou, mas o problema da inclusão social prossegue
A novela Viver a Vida, da Rede Globo, mostrou o drama de uma jovem vítima de acidente que a deixou em uma cadeira de rodas. A história dela foi acompanhada por milhões de brasileiros e retratou muito bem o cotidiano daqueles que têm de enfrentar obstáculos de toda ordem para sobreviver, sendo o preconceito o maior deles.
Estamos habituados a sempre achar que as coisas não acontecem conosco ou com nossas famílias. Por isso, o sofrimento das pessoas com necessidades especiais nem sempre nos sensibiliza, parece estar longe de nós, ou melhor dizendo, não nos toca o suficiente para juntarmos nossas forças e energias à luta contra a discriminação e o preconceito e empunharmos a bandeira da inclusão social.
Como cidadãos, temos o dever de fazer a nossa parte para que as pessoas com necessidades especiais tenham acesso ao trabalho, aos bens e serviços públicos. Precisamos dar mais atenção a esse problema, começando por exigir o cumprimento da lei. A Constituição Federal garante igualdade de direitos a todos os cidadãos. Viver numa sociedade inclusiva é viver numa sociedade melhor e mais avançada.
Para se ter uma idéia da dimensão do problema, não precisamos ir longe, basta observar os prédios públicos, ruas e calçadas, a maioria não é adaptada para cadeirantes. Apenas algumas avenidas têm meio fio rebaixado. Poucos edifícios contam com rampas. Em Goiânia, temos um exemplo emblemático. No Paço Municipal, o cadeirante tem acesso apenas à torre onde fica o gabinete do prefeito. O pavilhão ocupado hoje pela secretaria municipal de saúde, assim como alguns serviços afetos ao setor de planejamento e obras, não tem rampa, nem elevador, apenas escada.
Outro exemplo, apenas para ficar na esfera dos prédios públicos de nossa Capital, é o Centro de Cultura Goiânia Ouro, onde periodicamente são apresentados belos espetáculos de música, dança e teatro. O local não tem nenhum acesso para cadeirantes. Diante de tamanha restrição, só lhes restam os shopping centers, cujos espaços são amplos e devidamente planejados para atendê-los.
São raras as construções, sejam novas ou reformadas, em que a questão da acessibilidade é incluída no planejamento. Há empresas - públicas e privadas - que se dizem inclusivas, mas constróem rampas tão estreitas que mal cabem uma cadeira de rodas. Outras vezes, a rampa existe, mas a acentuada inclinação inviabiliza o acesso. A maioria não tem corrimão de apoio, o que torna ainda mais difícil a locomoção para quem está numa cadeira de rodas.
A questão da inclusão é cultural e envolve cadeirantes, cegos e também as pessoas com problemas de ordem mental. Muitas delas dão exemplos de superação que evidenciam a força e a grandeza do ser humano. Nos países adiantados, elas são mais respeitadas e têm uma vida mais participativa. O Brasil também precisa incorporar essa cultura. E cada um de nós pode contribuir para que isso aconteça, exigindo que as mudanças comecem no nosso bairro, na nossa comunidade e se estendam para a nossa cidade e o nosso Estado. Cada cidadão pode fazer, e muito, para que a acessibilidade seja uma realidade e não fique apenas no mundo dos sonhos e das novelas.