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O desafio de mudar

21 de Junho de 2010 às 12:22
Artigo do deputado Thiago Peixoto (PMDB) publicado no jornal O Popular edição de 21.06.2010.
* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual (PMDB)



Visitas, viagens, encontros, reuniões, gestores, professores, escolas. Isso é um pouco da rotina de quem sempre ouviu que a educação brasileira estava péssima e resolveu mergulhar nesse universo complexo - dominado por ideologias apaixonadas e contaminado por questões político-partidárias - em busca de um denominador comum, capaz de gerar bons resultados.

Como economista, sei que a chave para o desenvolvimento passa pela formação do capital humano. Basta nos atermos ao fato de que um ano a mais de estudo gera um impacto de 15% na renda do indivíduo. O investimento nas pessoas pode corrigir a flagrante desigualdade social em que vivemos e construir nossa capacidade produtiva do amanhã. É por isso que a educação é o caminho mais utilizado por países que buscam o crescimento sustentável.

Basta olhar exemplos como os da Coreia do Sul, Espanha e Irlanda, que conseguiram reverter quadros de crise econômica por meio de investimentos maciços em educação. Em plena era do conhecimento, só ganharam - e ainda ganham - por apostar no ensino de qualidade como saída para o desenvolvimento social. E foi por saber disso que busquei inspiração nesses e em outros países em que educação é levada a sério para pensar um modelo educacional moderno e que atendesse nossa demanda e realidade.

No entanto, não fui atrás apenas de experiências educacionais estrangeiras. No Brasil, conheci excelentes escolas, como o Ginásio Pernambucano, de Recife, e alguns colégios de São Paulo e Goiás. Mas seja dentro ou fora do Brasil, de todos os lugares que visitei, saí com uma certeza: é possível melhorar a qualidade da educação pública brasileira.

Como político, ouço os colegas dizerem que a educação deve ser prioridade total. Um discurso bonito e eloquente que ressoa desde a época do Brasil Império. Entretanto, a diferença entre a ação do poder público e a retórica eleitoral talvez se deva ao fato de que a maioria dos governantes tem como foco não os benefícios gerados para a população, mas sim a próxima eleição e a manutenção do poder; e os resultados de uma política educacional podem não ser tão perceptíveis a curto prazo.

Como cidadão, constato que as consequências sociais e econômicas da educação inadequada têm um preço impagável. E mais do que isso: admito que a educação, por sua relevância, não pode ser preocupação somente dos professores ou gestores públicos, e, sim, de toda a sociedade. Enquanto a educação figurar em sexto lugar no ranking das demandas dos brasileiros, como demonstrou recente pesquisa realizada pelo Ibope, pouco vai ser feito pela sua melhoria.

Conseguimos o feito de alcançar a universalização do ensino, que, infelizmente, não se fez acompanhar da melhoria de sua qualidade. O desafio de transformar a educação se torna muito difícil quando entendemos que o que tenta nos impedir é o status quo. Não faltam soluções. Falta coragem. Somos barrados pelo medo e insegurança de pessoas que temem alterar uma ineficiente - porém confortável - rotina.

Mas, enquanto o sucesso individual, econômico e social depender completamente da oportunidade educacional, transformar a educação que temos naquela de que precisamos será uma meta do economista, político e cidadão que sou. E então? Você também topa este desafio?


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