Professor afirma que violência tem sido rotineira nas escolas goianas
O professor da rede pública estadual de ensino em Goianésia, Elder Alves dos Santos, afirmou que a violência tem sido cotidiana nas escolas goianas. De acordo com ele, o patrimônio físico das escolas tem sido destruído e há um constante clima de violência contra os professores em sala de aula.
Elder Alves afirmou que somente os professores conseguem sentir na pele os extremos da existência emocional. De acordo com ele, muito se discute sobre formação continuada e ação didática, mas que é preciso falar sobre violência nas escolas, em particular a praticada em sala de aula.
"A violência atinge a integridade física e emocional das pessoas. Para a Sociologia, a violência é uma transgressão da ordem social. Já na Psicologia, a violência é um desrespeito ao direito do outro. Também se pode categorizá-la como afronta à lei. A Educação não pode ser desvinculada do contexto social. É assustador como a violência tem sido presente em sala de aula", afirmou o docente.
Elder Alves disse que a falta de participação dos pais na vivência escolar dos filhos é algo preocupante. De acordo com ele, na escola em que leciona, foi realizado um curso para auxiliar os pais a acompanhar a rotina dos alunos. O professor afirmou que, em um universo de dois mil pais, somente seis participaram do curso.
"Há verdadeiras gangues nas escolas. Valores como solidariedade e humildade são pouco estimulados. A lei do mais forte, a necessidade de se levar vantagem em tudo e a intolerância são comuns no contexto escola. Os alunos intimidam os professores, que são ofendidos. É comum ouvir dos estudantes que são menores e nada pode ser feito contra eles; ou que conhecem a família e o local onde os docentes moram. É intimidador e preocupante", afirmou o professor.
Elder Alves afirmou a violência em sala de aula é problema de grande gravidade. De acordo com ele, há uma constante sensação de insegurança entre os docentes dentro do contexto de trabalho. Para o professor, as leis esbarram na burocracia e as agressões acabam por deixar os professores impotentes.
"Seria necessária uma mudança das leis no sentido de evitar tanta burocracia e para que as medidas socioeducativas de menores infratores em sala de aula sejam cumpridas da maneira mais rápida possível", afirmou Elder Alves.