Promotor diz que famílias transferiram responsabilidade de educar para as escolas
Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (CAO) do Ministério Público de Goiás, o promotor Everaldo Sebastião de Sousa afirmou que a audiência pública desta segunda-feira, 13, poderá representar o ponto de partida para ações de mudança. De acordo com ele, as famílias transferiram para a escola a responsabilidade de educar os filhos.
"As sociedades organizadas que conseguiram resolver parte dos problemas foram aquelas que investiram em Educação. Onde se investiu nesta área há 20, 30 anos, já se colhe frutos. Estamos em época de campanha política em que candidatos colocam a Educação como norte. O mais importante é transformar esse discurso político em ações práticas", afirmou o promotor.
Everaldo Sebastião afirmou que os pais saem muito cedo de casa para trabalhar e permitir que tenham condições de vida mais dignas. As crianças, de acordo com o promotor, ficam com avós, sozinhas ou computadores.
"As famílias transferiram a responsabilidade de educar para a escola, que não está preparada para essa função. Se o aluno não tem oportunidade em casa, a escola é a última oportunidade para se ressocializar. Se não houver essa chance, o cidadão ficará excluído", afirmou o promotor.
Everaldo Sebastião disse que a sociedade como um todo deve investir na escola, que acabou se tornando um celeiro reprodutor da violência. De acordo com ele, as instituições de ensino não estão preparadas para essa nova realidade, o que demandaria equipes multidisciplinares.
"Só conseguiremos democratizar as oportunidades deste País se houver atenção à Educação. Há o compromisso de fiscalizar a aplicação das verbas do Fundeb e outras variantes. Os esforços precisam ser unidos para mobilizar toda a sociedade para assegurar o que está previsto em Lei", afirmou o promotor.