Coordenador mostra contradições do País sobre trabalho escravo
O presidente da comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia, deputado petista Mauro Rubem, participou na manhã desta quarta-feira, 24, do debate sobre o trabalho escravo. O evento aconteceu no auditório Professor Luiz Palacin, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás.
O evento teve início às 9 horas, quando o presidente da comissão fez suas considerações. Em seguida falaram os outros componentes da mesa: o coordenador nacional da Campanha de Combate ao Trabalho Escravo pela Comissão da Pastoral do Trabalho, Xavier Plassat; o procurador do Trabalho do Ministério Público, Antônio Carlos; e o professor representante do Núcleo de Estudos sobre o Trabalho (Nest) da UFG.
O debate teve como objetivo refletir sobre o tema e as alternativas para a construção de um futuro em que a dignidade humana tenha primazia nas relações econômicas e de poder. Mauro Rubem destacou a importância do debate, pois mostra o que ainda deve ser feito no setor de direitos humanos.
O deputado afirmou que como parlamentar tem feito várias discussões abordando o tema e que, inclusive, levou projeto à Governadoria com a finalidade de ter maior vigilância e punição para quem cometer esse tipo de crime.
“Temos que fortalecer a vigilância e a relação com o parlamento para, juntamente com os movimentos sociais, implantar medidas de redução de todos os incentivos fiscais para os criminosos, além de fortalecer a classe trabalhadora para aplicar a legislação trabalhista”, afirmou Mauro Rubem.
Xavier Plassat acredita que o Brasil vive uma contradição, pois, de um lado é conhecido como o país que luta e adota a política de erradicação do trabalho escravo e por outro lado essa erradicação não funciona na prática. "Agronegócio, etanol, produção de soja e tomate, além das facções (indústria de confecção) são algumas das áreas onde pode ser identificado o trabalho escravo."
Segundo Xavier, Goiás está no ranking de números de pessoas liberadas do trabalho escravo, mais de 400 só neste ano, comparado a 27, em 2004. Para Xavier isso se deve aos avanços reais nos últimos sete anos, como rigor na fiscalização, no amparo emergencial, na mobilização, na prevenção dos trabalhadores e na dissuasão dos infratores.
“Temos uma contradição no país, um Brasil moderno versus um atrasado, que pratica essa forma de exploração a custo zero. O trabalho escravo permanece porque há ganância, que gera miséria, que é mantida pela impunidade”, constata Xavier.
Após explanações dos componentes da mesa e apresentações de dados, foi aberto espaço para debate entre os participantes.