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Trabalhadores da Segurança Pública

03 de Outubro de 2017 às 12:17
Crédito: Carlos Costa
Trabalhadores da Segurança Pública
Audiência pública sobre Saúde dos trabalhadores em Segurança Pública
Por iniciativa da deputada Adriana Accorsi, Assembleia realiza audiência para debater cuidados com a saúde dos policiais. O evento, na manhã desta 3ª-feira, teve a participação do secretário Ricardo Balestreri.

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) realizou na manhã desta terça-feira, 3, no Auditório Solon Amaral, audiência pública para debater o tema: “O Cuidado com a Saúde dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Segurança Pública no Estado de Goiás”. A iniciativa da audiência foi da Comissão de Segurança Pública, presidida pela deputada delegada Adriana Accorsi (PT).

Presidida pela parlamentar, a mesa dos trabalhos foi composta pelas seguintes autoridades: Ricardo Brisolla Balestreri, secretário de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Estado; Marcelo de Azevedo, policial rodoviário federal; Leonardo Ferreira, psicólogo, e pelo presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Edemundo Dias de Oliveira Filho.

Segundo Adriana Accorsi, o principal objetivo da audiência era debater o cuidado àqueles que cuidam da segurança e da vida de todos os cidadãos.  “Queremos trazer visibilidade para uma questão muito importante para toda a sociedade. Sabemos que todo o gestor tem essa preocupação, mas pela gravidade do assunto temos que também colaborar nesse tema. Essas pessoas que cuidam de nós e da nossa família devem ter a atenção que tanto merecem”, disse.

Já o policial rodoviário Marcelo de Azevedo apresentou um estudo sobre a saúde dos trabalhadores em segurança pública, com abordagem sobre a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Marcelo enfatiza que entre os dados apresentados pelos estudos estão o de vitimização policial, que aponta, por exemplo, que só em 2016, 493 policiais rodoviários foram mortos, o que corresponde a 1,35 morte por dia. Destas mortes, 53,3% são relacionadas com serviço tais como acidentes de trânsito, suicídios, entre outros. E 45% destas mortes correspondem a policiais com menos de 40 anos de idade.

O psicólogo Leonardo Ferreira, apresentou dados e falou sobre as condições que levam ao estresse, tais como os pontos relacionados ao corpo, à mente, às emoções e ao comportamento. "Falar de saúde mental é falar também de preconceito e estigma. Não é fácil tratar saúde mental, pois primeiramente é preciso romper com seu próprio preconceito e depois romper com os preconceitos dos demais."

Leonardo também enfatizou que é exatamente o estresse o principal acometedor da saúde mental do profissional de Segurança Pública. "Toda tensão da sociedade é jogada imediatamente sobre estes profissionais, que lidam diariamente com situações de crise. Essa pressão acaba resultando em distúrbios que levam o policial a situações de desgaste físico e emocional", finalizou.

Na oportunidade, o secretário de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Ricardo Brisolla Balestreri, apresentou a preocupação da Pasta com a questão da saúde dos profissionais da Segurança Pública no Estado. Lembrou que uma de suas grandes tarefas quando ocupou a Secretaria Nacional de Segurança Pública, foi realizar um levantamento sobre as reais condições de atendimento e situação da saúde dos operadores de Segurança Pública de todo o País.

Balestreri, que também é psicoterapeuta, colocou questões que podem colaborar com os avanços necessários. Segundo ele, o profissional de Segurança Pública possui uma “missão maravilhosa”, e coloca em questão e risco o maior bem que o ser humano tem, arriscando a sua vida em prol do próximo. "A questão é que a maravilha deste trabalho está sendo realizada em condições muito precárias. E seria, no meu entender, a impotência, apesar da luta, um dos grandes causadores dos problemas de saúde nos policiais em geral", ponderou.

Por último, o presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Edemundo Dias de Oliveira Filho, disse que tratar de Segurança Pública demanda gestão e demanda estudos. Segundo ele, nessa área nada é feito, e tampouco surgem resultados concretos, que possam refletir para gerações futuras.

Edemundo também falou a respeito de quando ficou à frente da Pasta no Estado. "Quando deixei a Pasta eu estava em pânico. Todos envolvidos nessa área sofrem uma carga muito grande de pressão e enfrentam a precariedade do Estado, que acaba colocando os profissionais em situação de incapacidade. Há uma espécie de contaminação psicossocial nessa área. É preciso pensar, portanto, em um modelo mais saudável aos agentes de Segurança Pública, criar estruturas melhores para o exercício do trabalho. Isto irá refletir na melhoria do cuidado destes profissionais para com a sociedade", pontuou.

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