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Em audiência pública, feirantes e ambulantes cobram fiscalização e mais segurança

06 de Novembro de 2017 às 18:30
Crédito: Marcos Kennedy
Em audiência pública, feirantes e ambulantes cobram fiscalização e mais segurança
Audiência pública para discutir as melhorias das feiras de Goiânia e região Metropolitana.

Os problemas enfrentados pelos trabalhadores das feiras livres de Goiânia e da Região Metropolitana foram tema de audiência pública realizada na tarde dessa segunda-feira, 6, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O debate foi conduzido pelo deputado Helio de Sousa (PSDB) e contou com a parceria da Federação das Associações e Sindicatos dos Ambulantes e Feirantes do Estado de Goiás. A reunião ocorreu no Auditório Solon Amaral.

Na ocasião, estiveram presentes, compondo a Mesa Diretiva dos trabalhos, o representante da Associação de Feirantes de Senador Canedo, vereador Ronaldo Marinho do Nascimento; a representante dos feirantes das feiras do Sol e da Lua, Lira Margarete dos Santos; o presidente da Feira Hippie, Manoel Rodrigues D’Abadia; e o presidente da Federação das Associações e Sindicatos dos Ambulantes do Estado de Goiás, Valdir Ferreira Gomes. A audiência contou ainda com ampla participação de trabalhadores haitianos que há cerca de dois anos integram as feiras da capital.

O deputado Helio de Sousa chamou a atenção para a importância da audiência, que considerou ser "a mais democrática das reuniões". "Estamos aqui para debater um assunto que interessa ao segmento dos feirantes e à própria humanidade. A gente fica feliz em ter a oportunidade de tentar contribuir para a melhoria do trabalho dos feirantes de Goiânia”, disse o parlamentar em fala de abertura da sessão.

Ao longo da reunião os presentes discutiram questões referentes aos problemas enfrentados pelos feirantes e ambulantes no exercício de seus trabalhos junto às feiras livres da capital. Em geral, foram apontadas questões relacionadas à falta de fiscalização e segurança e de manutenção adequada dos espaços públicos onde as feiras se realizam.

Atualmente, existem mais de 8 mil feirantes cadastrados nas feiras de Goiânia e cerca de 5 mil vendedores ambulantes. Estima-se também que existam cerca de 2 mil vendedores ainda não regularizados pela prefeitura, caso em que se encontram a maior parte dos trabalhadores haitianos atuantes no setor.

Dignidade e visibilidade para a categoria

De forma geral, os trabalhadores das feiras da capital aproveitaram a oportunidade para reivindicar melhores condições de trabalho para a categoria, que se vê constantemente ameaçada pela falta de segurança que circunda o espaço das exposições. "Nós somos vítimas do sistema. Ficamos mais de oito horas trabalhando e não contamos com nenhum tipo de segurança. Nós gostaríamos que o poder público nos amparasse, porque estamos vivenciando um verdadeiro caos e não levamos ao conhecimento público pra não afugentar o visitante", comentou a representante dos trabalhadores das feiras do Sol e da Lua, Lira Margarete dos Santos.

Dentre os problemas relativos à segurança por ela elencados foram citados a ocorrência de arrastões e outras vulnerabilidades. "Somos atacados por ladrões, que nos acompanham até os nossos lares, que adentram nossa casa e levam o que vendemos na feira, levando junto nossa dignidade. Queremos deixar de ser invisíveis para sermos ouvidos", desabafou.

A fala de Lira foi reiterada pelo colega Manoel Rodrigues D’Abadia, presidente da Feira Hippie, que cobrou, em seu pronunciamento, mais atenção e melhores condições de trabalho aos feirantes da capital. "É tão bonito chegar numa feira e ver uma feira bem estruturada. A Feira Hippie, com mais de 30 mil pontos de venda, é uma das maiores fontes de negócio do estado e, por isso, deveria ter mais qualidade não só para os feirantes, mas para os visitantes também. Não estamos pedindo muito. Isso é obrigação dos governantes pelo tanto de impostos que pagamos", ponderou. "Eu fico envergonhando de pagar e não ter segurança. A Praça dos Trabalhadores tem mais de 20 anos que abriga a feira e nunca teve uma reforma", arrematou.

O presidente da Federação das Associações e Sindicatos dos Ambulantes do Estado de Goiás, Valdir Ferreira Gomes, também pediu atenção para o problema dos ambulantes e feirantes da capital. "Os ambulantes e feirantes são sofredores. Nós temos que ter carinho especial com essa classe de pessoas. E quero contar com a colaboração de todos aqui, porque a união faz a força", comentou.

A importância da união e organização da categoria foram a pauta defendida pelo representante da Associação de Feirantes do Município de Senador Canedo, vereador Ronaldo Marinho do Nascimento, cujo mandato, lembrou, é fruto de conquistas alcançadas por sua trajetória de luta para melhorias no setor. "Eu estou aqui como referência, para mostrar que, se vocês se unirem para lutar pelas melhorias, vocês conseguem. Hoje, em nosso município, o feirante trabalha vendendo sua matéria-prima, e ele é todo resguardado." 

O vereador comentou que atualmente existem, em Senador Canedo, mais de 700 feirantes cadastrados. Dentre as conquistas da categoria, citou os investimentos em policiamento e a isenção de pagamento de energia, melhorias alcançadas em benefício dos trabalhadores das feiras de seu município. Mencionou ainda que os feirantes dispõem atualmente de assessoria jurídica gratuita, custeada pelo seu salário de vereador.

Lira também aproveitou a oportunidade para destacar problemas que a categoria vem enfrentando com sindicatos que tentam representar os feirantes da capital e que, segundo ela, vem fazendo cobranças indevidas aos trabalhadores. Também pontuou o aumento dos "gatos" e investimentos a que os feirantes têm sido submetidos para manutenção dos seus postos de trabalho.

Após sessão de debate aberto ao público, que contou com ampla participação dos trabalhadores haitianos e outros presentes, o deputado Helio de Sousa teceu suas considerações finais e declarou encerrada a audiência pública. Na ocasião, o parlamentar assumiu, perante os participantes, compromisso em levar as reivindicações ali coletadas para o Governador, destacando o fato de elas estarem de acordo com os anseios do próprio Estado, no que tange a geração de empregos. O deputado também sinalizou a necessidade de se agendar nova audiência pública para continuar o debate sobre o assunto e trazer novos resultados e encaminhamentos.

"Ninguém está pedindo nada demais. Eu vejo que a segurança é fundamental para os feirantes e também para quem vai visitar as feiras, que deixa de ir por medo de não ter segurança. O trabalho preventivo da polícia é necessário. Eu vou cobrar do Executivo para que seja feito policiamento mais ostensivo no campo da segurança pública. Nós temos que mostrar que o Estado tem um compromisso que precisa ser resgatado junto a esse setor, que fomenta a geração de empregos e trabalho", concluiu o parlamentar ao final da audiência.

Goiânia possui atualmente mais de 270 feiras em funcionamento regular, as quais respondem pela geração de mais de 100 mil postos de trabalho direto. A regularização dos trabalhadores haitianos também foi considerada ao final da audiência.

 

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