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Assembleia goiana analisa participação feminina no Legislativo Estadual após a Constituição de 88

08 de Março de 2019 às 16:20
Crédito: Sergio Rocha
Assembleia goiana analisa participação feminina no Legislativo Estadual após a Constituição de 88
Fachada da Assembleia Legislativa
Seção de Assessoramento Temático da Assembleia Legislativa de Goiás divulga estudo no qual demonstra que a presença das mulheres no Parlamento ainda é tímida. A pesquisa faz uma análise comparativa das eleições para deputado estadual em Goiás e no Brasil, de 1990 a 2018. Os dados indicam que, de modo geral, foram eleitas mais mulheres para os legislativos estaduais, com tendência de crescimento após as cotas. Por outro lado, essa melhora não se refletiu em Goiás ou na região Centro-Oeste, nas últimas eleições. O Parlamento goiano, que chegou a ter nove mulheres em uma única legislatura, a de 2003/2007, tem hoje apenas duas deputadas na 19ª Legislatura: Adriana Accorsi (PT) e Lêda Borges (PSDB).

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a Seção de Assessoramento Temático divulgou nesta sexta-feira, 08, o estudo “Participação Feminina no Legislativo Estadual após a Constituição Cidadã: análise quantitativa e comparativa das eleições para Deputado Estadual, em Goiás e no Brasil, de 1990 a 2018”. O artigo busca analisar o desempenho feminino nas eleições para deputado estadual após a promulgação da Constituição Federal, em 1988, ao mesmo tempo em que reforça a elaboração, produção e análise de dados no Poder Legislativo.

Quase 70 anos separam a eleição da primeira deputada estadual em Goiás, Berenice Teixeira Artiaga, do atual quadro político. Pioneira, a parlamentar goiana sucedeu ao marido, Getulino Artiaga, que foi assassinado no município de Nova Aurora, em setembro de 1950, durante a campanha eleitoral. Apesar da distância no tempo, a presença feminina no parlamento ainda é muito aquém do ideal, embora exista muito espaço para sua ampliação. A atual Legislatura conta apenas com duas deputadas: Lêda Borges (PSDB) e Delegada Adriana Accorsi (PT).

O atual quadro demonstra que são necessárias mais políticas públicas inclusivas para estimular candidaturas femininas competitivas, valorizando o trabalho parlamentar desenvolvido pelas mulheres, e um melhor esclarecimento do eleitorado – responsável pela escolha dos seus representantes na Assembleia Legislativa. Na 15ª Legislatura (2003/2007), o Parlamento goiano chegou a abrigar nove deputadas, o equivalente a 20% do total de cadeiras, em uma única Legislatura.

O documento demonstra por meio de dados quantitativos que a presença das mulheres no exercício de mandatos eletivos no âmbito das Assembleias Legislativas ainda é tímida, apesar das diversas leis de estímulo à participação feminina no processo eleitoral. Ainda que a legislação vigente estabelece cotas femininas nas candidaturas, ainda não há uma ampliação considerável no país – em especial no Centro-Oeste brasileiro – de aumento quantitativo de deputadas estaduais.

“A desproporcionalidade de representação de acordo com o gênero nos cargos eletivos no Brasil, tanto proporcionais quanto majoritários, fomentou o debate sobre a participação feminina na política, intensificado nos anos 90 ao ponto de ações afirmativas serem instituídas por legislação eleitoral com o objetivo de inserir a mulher no processo político do país”, argumentam os pesquisadores da Seção de Assessoramento Temático.

 

EIXOS DE ANÁLISE

Elaborado pelos pesquisadores Milena Alves Costa e Herberth Duarte dos Santos, o documento possui dois eixos de análise. O primeiro foca nas eleições para deputado estadual apenas em Goiás, com análise descritiva dos dados quantitativos em relação as mulheres candidatas e eleitas. Já o segundo, traça um quadro comparativo com as eleições para as Assembleias de outros estados do país, com a criação do Índice de Participação Feminina no Legislativo Estadual e classificação dos estados com a maior proporção de deputadas eleitas em comparação com o número de vagas existentes para o parlamento.

“Com todos os dados apresentados e a criação do Índice de Participação Feminina no Legislativo Estadual, que possibilitou a comparação entre todos os estados brasileiros mais o Distrito Federal, conclui-se que a representatividade das mulheres aumentou nas eleições, mas ainda não alcançou o patamar objetivado pelas mudanças na lei para implementar as cotas eleitorais, indicando a necessidade de ações complementares para alcançar o efeito esperado ou aperfeiçoamento das políticas afirmativas já estabelecidas, como o aumento das cotas e mecanismos que façam com que os partidos as cumpram”, avalia o estudo da Seção de Assessoramento Temático.

Os dados indicam que, de modo geral, tem-se eleito mais mulheres para os legislativos estaduais, com tendência de crescimento após as cotas. Por outro lado, essa melhora não se refletiu em Goiás ou na região Centro-Oeste, nas últimas eleições. De acordo com o estudo, não foi encontrada na literatura uma explicação para esta diferença – o que justificaria uma análise qualitativa sobre esta questão.

“Em alguns estudos, a eleição de mulheres em Goiás seguiu a tendência do Brasil, como nas eleições para o executivo municipal, de 1982 a 2008, onde não houve mulheres eleitas para o legislativo federal nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Sergipe, em 2010, mas não há explicações sobre o comportamento dos eleitores para este resultado, principalmente quando algumas pesquisas apontam que os eleitores estão propensos a votar, tanto em homens quanto em mulheres, embora os partidos se mantenham conservadores quanto ao aumento da participação feminina na política”, argumentam os autores.

Por fim, o estudo questiona por que há uma sub-representação das mulheres na política e em cargos de liderança, sendo que elas representam aproximadamente metade da população? O artigo, citando diferentes fontes de pesquisa, sugere que isso pode ocorrer por múltiplos fatores, relacionados a não participação no processo eleitoral por suas características pessoais; fatores institucionais e históricos; questões econômicas, sociais e culturais; funcionamento interno dos partidos quanto à seleção e promoção dos candidatos; e o sistema político.

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