Crise hídrica
O desabastecimento de água em Goiás foi tema de audiência pública, na tarde terca-feira, 31, no Auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Helio Sousa (PSDB). Segundo ele, tratou-se de uma oportunidade para que a Saneamento de Goiás (Saneago) se posicionasse sobre o assunto, inclusive, em relação à solução do problema.
Durante o evento, foram expostos os motivos para o desabastecimento de água tratada em várias regiões do Estado, pelo presidente da Saneago, Jalles Fontoura de Siqueira. Ele disse que apesar da redução sistemática do nível de vazão dos sistemas Meia Ponte e Ribeirão João Leite, a empresa tem garantido o abastecimento de 98% da população de Goiânia e Região Metropolitana. "Temos pouco mais de 200 bairros com inconstância no fornecimento. Isso representa 150 mil usuários. E estamos fazendo todo o esforço para resolver cada problema pontualmente", afirmou.
O dirigente da Saneago acrescentou que as primeiras chuvas ainda não "aliviaram" a escassez de água e que o Estado enfrenta a pior crise hídrica dos últimos 30 anos. "Desde 2015 as chuvas vêm reduzindo seu volume. E esse não é um problema só de Goiás, mas de praticamente todo o país", acrescentou. Fontoura revelou ainda que a Saneago tem adotado várias medidas para enfrentar a situação de desabastecimento, que ele considera estar perto do fim, mas acredita que no ano que vem o problema vai se repetir.
Fontoura disse ainda que a empresa já começou o processo de execução de obras para possibilitar que a água do sistema produtor João Leite, inaugurado recentemente, chegue na região Oeste de Goiânia e em Aparecida de Goiânia, promovendo, assim, a interligação com o sistema Meia Ponte, que sofre os efeitos prolongados da estiagem.
O superintende estadual de Recursos Hídricos, Alexandre Kepler, revelou que o decreto de situação de emergência hídrica, assinado pelo governador Marconi Perillo (PSDB), propiciou maior autonomia para a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) para fiscalizar e suspender outorga para o uso comercial de água em atividades, como irrigação de lavouras e hortas, indústrias e em atividades de turismo e lazer.
"Nós reduzimos em 50% as outorgas a montante", revelou. Segundo Kepler, a prioridade, diante da escassez de água, é o abastecimento humano.
Também participaram da audiência o deputado Jeferson Rodrigues (PRB) e o diretor de produção da Saneago, Marco Túlio.