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Iris Rezende: um peso para Lula

Artigo do deputado Nilo Resende (DEM) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 16.09.2010.

* Nilo Resende é deputado estadual (DEM)


É incontestável. Com mais de 50 anos de vida pública, Iris Rezende é um dos principais líderes políticos de Goiás e agora se torna um peso para o presidente Lula, que é pressionado a tentar de todas as formas levá-lo ao segundo turno.

Não está nada fácil. Mesmo com apoio do presidente, o fardo está cada dia mais pesado. Bem que Lula tenta, mas não consegue. A incapacidade administrativa e o fracasso que foram as gestões do peemedebista à frente do Estado e, mais recentemente, do município, são marcas que estão na consciência do eleitor.

O maior mandatário do País, que colocou todas as suas fichas no comício de Valparaíso e nas gravações para o programa eleitoral, pedindo voto para seu candidato, nem percebeu ainda que o esforço para carregar Iris não tem logrado o êxito esperado. Aliás, para quem já conseguiu eleger Maguito e outros mais, como Iris Rezende, e se transformou na triste figura dependente de um presidente, não deve ser fácil ter que se apoiar nas máquinas públicas federal e municipal para enfrentar o candidato oposicionista. Para ele, deve pesar o saudosismo de tempos passados, quando não precisava se socorrer de tais argumentos e estratégias. E deve ser mais triste, ainda, perceber que nem mesmo assim sua campanha está superando à do adversário principal.

E o que dizer do presidente Lula? Penso que não deve ter avaliado, até o momento, que sua tarefa é complicada e que enfrentar um contingente de goianos que defende seus líderes com unhas e dentes não é tão simples assim? Primeiro, porque todos nós queremos ser respeitados em nossas escolhas e que nenhum presidente da República tem o direito de vir para dentro de nossas casas atacar nossos representantes. Segundo, porque mesmo com Iris a reboque dos arroubos presidenciáveis, não tem conseguido alterar sua performance nas pesquisas e em seus programas eleitorais.

Pior de tudo é ver que Lula conseguiu fazer de Dilma Rousseff uma figura popular em todos os Estados, mas em Goiás não consegue melhorar o quadro para seu candidato Iris Rezende. As pesquisas feitas posteriormente ao encontro de Valparaíso não apontaram para recuperação considerável das intenções de voto no candidato. Na Pesquisa Ibope/TV Anhanguera, inclusive, diminuíram as intenções de voto do peemedebista.

Até 1998, quando foi derrotado pelo jovem e até então pouco conhecido deputado federal Marconi Perillo, Iris jamais havia tido sua liderança contestada. Atualmente, vemos sua imagem ser destruída. Tentam reduzir drasticamente sua figura ao implorar apoio de Lula e Dilma. Ao se socorrer exclusivamente da popularidade do presidente, para tentar estancar sua queda nas pesquisas de intenção de votos e buscar forjar um segundo turno na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, o candidato ingressa numa estratégia que pode ofuscar sua história e rebaixar sua força política e liderança regional.

Lamentável! De maior cabo eleitoral do Estado em campanhas presidenciais na década de 1990, Iris se transformou num candidato que aposta todas suas fichas em um padrinho de peso para se eleger. O candidato se rebaixa ao ponto de, na última semana, todo o seu material de campanha ser substituído por outro com a  mensagem: “Lula pede seu voto para Iris e Dilma.” Vejam o que o desespero de uma campanha fadada ao insucesso proporciona. Notável o constrangimento do peemedebista, especialmente por ele próprio perceber que é um peso para Lula, difícil de carregar.

A história política goiana comprova que o cidadão sabe diferenciar campanha estadual de federal. Evidente que essa estratégia de colar imagem, além de ser perigosa, mostra-se ineficiente. Iris não é um candidato novato e inexpressivo. E nem deveria aceitar ser reduzido à sombra de outro político. Mas quer, a qualquer custo, ser governador de novo. Para ele, não importa se pelas próprias qualidades e vantagens, ou se pelos arroubos do presidente Lula. O fato é que é lamentável ver uma figura com uma história interessante para contar, para deixar aos seus sucessores, terminar sua carreira política dessa forma: um peso muito alto para um presidente da República.

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