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Em artigo publicado no jornal O Popular, Bia de Lima reflete sobre o futuro do magistério em Goiás

Em artigo publicado na edição desta quinta-feira, 20, do jornal "O Popular", a deputada Bia de Lima (PT), presidenta da Comissão de Educação da Alego e do Sintego, faz uma reflexão importante sobre o futuro da educação em Goiás, sem a devida valorização da carreira docente. O programa Mais Professores para o Brasil, lançado pelo presidente Lula há um mês, acende uma luz sobre o problema, mas mantê-la acesa depende da decisão do Governo do Estado e das gestões municipais. Confira a íntegra do artigo abaixo.
Uma luz para o magistério
O Pé-de-Meia Licenciatura, uma das iniciativas do programa, pagará mensalmente, até a formatura, R$ 1.050 a estudantes de cursos presenciais pelo Sisu. E, ainda, o docente que optar por localidades onde há carência de profissional, receberá por dois anos, além do salário da rede à qual se inserir, um valor mensal de R$ 2.100 e cursará uma pós-graduação com foco em docência.
É uma decisão valiosa, porque abre a porta de entrada do magistério, porém não basta para a permanência nela.
Sabemos que o que garante o profissional na carreira é a valorização do trabalho por meio do salário é a possibilidade de crescimento de forma consistente, a fim de vislumbrar uma aposentadoria respeitável. Com os professores é igual, só que, infelizmente, não é o que acontece em Goiás. Professores da rede estadual, já denunciei neste mesmo espaço, recebem o pior salário da Região Centro-Oeste, e a lei de reajuste deste ano, de autoria do Executivo, excluiu os contratos temporários do direito de receber a partir de janeiro e do mesmo percentual, como manda a Lei do Piso.
A rede estadual de educação tem hoje um déficit de mais de 15 mil professores, e a cada ano o número de interessados diminui. Considerando apenas os números dos institutos federais instalados no Estado, o horizonte preocupa. No IF Goiano, eram 412 estudantes em 2020; caiu para 318 em 2023, nas seis licenciaturas ofertadas. No IFG não é diferente, em 2021, ingressaram 2.938 alunos nos 20 cursos de licenciatura da instituição, espalhados em 13 municípios, incluindo a capital; já em 2024, o número caiu para 1.311, mais de 55% de evasão.
Como contornar essa situação altamente preocupante? É uma resposta que o Governo de Goiás e os prefeitos precisam responder para quando os alunos do Pé-de-Meia Licenciatura entrarem para as redes não desistam também no meio do caminho. O primeiro passo é construir carreira sólida e proporcionar um ambiente de trabalho saudável, eliminando a carga horária exaustiva que compromete a saúde mental do professor e compromete o ensino.
Ser professor não é sacerdócio. A docência é uma profissão como as outras, embora merecesse estar um patamar acima, pois, sem ela, nenhuma existe. E, para construir uma educação forte, precisamos de união para combater políticas nocivas que comprometem a carreira e corroem o ânimo dos profissionais. Da imprensa, principalmente, quando só nos resta a greve como alternativa para tentar fazer jus ao que a lei nos garante. Da sociedade, pois ser professor não diz respeito somente ao indivíduo que está no chão da escola, mas de todos, pois afeta direta e, por vezes irremediavelmente, o tecido social, comprometendo o futuro e o desenvolvimento do Estado e do País.
Bia de Lima
Deputada estadual e presidenta do Sintego