Ícone alego digital Ícone alego digital

Estagnação em cadeia

28 de Fevereiro de 2008 às 10:09
O reflexo da crise instalada entre os partidos da base aliada no processo eleitoral de 2008 é abordado pelo deputado Wagner Guimarães, PMDB, em artigo publicado nesta quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008, no jornal "Diário da Manhã" sob o título "Estagnação em cadeira".
Wagner Guimarães é deputado estadual pelo PMDB

A falta de unidade e entendimento entre partidos aliados não prejudica apenas a base estadual, mas repercute em todo processo político nos municípios. Muitas das determinações partidárias saem dos líderes que compõem o Poder Executivo e dos líderes ligados a eles em outras instâncias de poder. Se estes têm dificuldades para manter coerência de discurso, não há como suas determinações não chegarem tortas aos correligionários. Mas os maiores reflexos, estes, sim, preocupantes, são provenientes das dificuldades administrativas do Estado.

Quando um governo vai bem, ele investe, promove melhorias e atua em amplas frentes de trabalho, propiciando desenvolvimento, motivando o funcionalismo e a sociedade. Daí para colher bons frutos políticos é apenas uma questão de tempo. É o que assistimos hoje com o PMDB no comando da Prefeitura de Goiânia: um partido que se renova no embalo administrativo de um também renovado Iris Rezende. Noutro contexto, a competência de sua gestão abriria brechas à vaidade e ao pensamento único, mas o que vemos é o brotar de um jogo político saudável, responsável, com forte tendência ao pluralismo.

Agora, quando um governo vai mal, fontes de recursos ficam escassas, os serviços públicos perdem qualidade e os seguidos e silenciosos pedidos de tempo para arrumar a casa desanimam o cidadão. A sociedade percebe que a hora não é boa, que se atravessam turbulências; investidores também o percebem e passam a agir com receio, o que não deixa de ser um fator estagnante para o Estado. Sabemos que o governo não está parado, que tem alcançado bons resultados na arrecadação, mas a noção que predomina é a de uma ponderação exagerada, fundamentada nas incansáveis ações de reparo ou tentativas de recuperação de algo que fora benéfico para Goiás um dia. Isso ofusca a possibilidade de novos projetos, novas apostas, de renovação.

Prefeitos, vereadores e candidatos absorvem as dificuldades provenientes da falta de unidade, independente de partidos. Há uma regra em política, que vê na dificuldade do adversário uma possibilidade de capitalização. Mas, se os partidos que vivem os impasses têm na mão a máquina estadual para administrar, esta administração não será como deveria ser, pelo menos como apostou o eleitor. Ninguém dá voto ao conflito, ao desentendimento, à paralisação. E uma reação em cadeia, de obstáculos políticos que se desdobram em problemas administrativos, não pode ter outro reflexo numa eleição municipal senão uma situação de dificuldades generalizadas.

É claro que cada município tem uma história política particular, uns mais peculiares, outros menos. Em Rio Verde, por exemplo, o quadro partidário é muito bem delimitado, quase fidedigno às raízes históricas. Um dos motivos, senão o principal, da dificuldade de entrosamento entre PP e PSDB, é a origem de cada legenda, que remete ao antagonismo histórico UDN-PSD, depois, Arena-MDB. Em Rio Verde, não é de agora que PP e PSDB não se entendem. E talvez por isso, o racha na base estadual não surta tanto efeito na hora das composições partidárias, mas, se esse racha representa entraves administrativos, a política também sentirá.

A perpetuação da idéia de que o Estado está lento devido a uma dificuldade financeira/partidária é ruim para todo mundo. Ruim para o desenvolvimento do próprio Estado, para o bem-estar do funcionalismo e da população. E péssimo para a maturidade política de Goiás, que parece cada vez mais distante.

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.