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Inflação dos insumos e o milagre da produção agrícola

13 de Junho de 2008 às 09:50
A situação da agricultura brasileira, a luta pela sobrevivência do produtor rural diante da falta de uma política de incentivos são temas abordados pelo deputado Wagner Guimarães, PMDB,em artigo publicado no jornal "Diário da Manhã". 12.06.2008.

* Wagner Guimarães é deputado pelo PMDB

São inúmeras as dificuldades enfrentadas pelo produtor rural: faltam políticas e incentivos de longo prazo; o elevado preço dos insumos por causa da dependência de mercados estrangeiros – já que o Brasil não dispõe de indústria especializada na produção de defensivos que atenda a demanda nacional; a fragilidade dos mercados de importação e exportação de grãos, e os problemas de escoamento frente às más condições de manutenção das rodovias. Mas o aumento dos custos de produção têm atingido o produtor em cheio.

Pagava-se entre R$ 700 e R$ 800 a tonelada do adubo (equivalente a 36 sacas de soja) no ano passado. Este ano, já estamos pagando entre R$ 1,4 e R$ 1,5 mil a tonelada (equivalente a 55 sacas), um módico aumento de quase 87%, se considerados os tetos, suficiente para quebrar muito pequeno e médio produtor. O preço da semente de soja também teve um “irrisório” aumento de 60%. No ano passado, pagamos R$ 1 o quilo, agora não encontramos por menos de R$ 1,60. No caso do trigo, em agosto de 1994 eram necessárias 25 sacas para pagar a tonelada de adubo. Hoje, são necessárias 42 sacas.

Agregam-se a isso os aumentos nos preços de fungicida, herbicida e, principalmente, do diesel, que, junto à má qualidade de conservação das rodovias, oneram cada vez mais os custos, e conseqüentemente o preço dos alimentos na mesa do consumidor final. Causa: falta de políticas econômicas agressivas que atendam o setor nacional. Efeitos: dificuldades econômicas domésticas e insatisfação política não só do produtor, mas de quem consome.

A respeito da fragilidade da produção de defensivos, é bom lembrar que a greve dos auditores fiscais, de março a maio passado, gerou perdas de R$ 2,6 milhões a um setor que já se encontra em dificuldades pela dependência nacional da produção estrangeira. Um disparate, porque somos obrigados a dar preferência aos produtos importados, que não são melhores que os nacionais, mas, além de mais caros, têm oferta maior. A greve dos auditores atrasou a liberação de cargas, o que afetou ainda mais uma oferta já quase esfacelada pela presença dos importados. Desrespeito com a indústria nacional e com o produtor rural.

É incompreensível todo este descaso frente às receitas cambiais: as receitas do complexo soja (exportações de grãos, farelo e óleo), por exemplo, devem render US$ 12,8 bilhões neste ano, segundo estimativas da Consultoria Céleres. Se confirmado, esse valor supera em 12,3% o de 2007. Mas se o governo guia-se pela assertiva “não se mexe em time que está ganhando”, corre o risco de cegar-se com o canto de uma vitória não concretizada; não teríamos a mínima estrutura para suportar uma crise real da produção, quando isso é totalmente desnecessário hoje. Devemos sim mexer no time que ganha, ainda que não no ataque, mas pelo menos na defesa.

Outro problema, este mais paroquial, é a questão da falta de segurança patrimonial das propriedades rurais em Goiás. O problema é sério, a própria Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) criou uma comissão específica para tratar da segurança rural, mas a onda de roubos e furtos em fazendas, principalmente no sudoeste goiano, parece estar cada vez maior. De tão paroquial, reclamei ao bispo, na tribuna da Assembléia Legislativa, por uma providência. Mas nem pelo santo padre fui atendido.

Com todas as dificuldades, a atividade agrícola está se tornando um milagre diário aos pequenos e médios produtores no Brasil.

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