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Infelizmente, não podemos apoiar Obama

17 de Junho de 2008 às 10:22
As últimas declarações do candidato democrata à presidência dos Ustados Unidos, Barack Obama, sobre a Amazônia, tem preocupado o deputado Fábio Sousa. Ele traduz esta preocupação em artigo publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 14.06.08
* Fábio Sousa é deputado estadual, vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Redação e vice-presidente da Comissão de Recursos Humanos da Assembléia Legislativa. É primeiro secretário do PSDB goiano.

Recente pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, aponta que a maior parte dos brasileiros confia mais no provável candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, do que em seu rival, o republicano John McCain.

Ou seja, não somos diferentes de nenhuma nação no mundo que está sendo contaminada pela onda de otimismo que este jovem senador americano costuma despertar na população. Confesso que em mim esta onda já pegou. Já estava contaminado pela oportunidade de termos não só o primeiro negro como o chamado "homem mais poderoso do mundo", mas também pela suas idéias de dias melhores.

Estava tão empolgado por esta oportunidade que um dos meus compromissos na viagem que vou empreender nos próximos dias aos EUA é de participar de um evento com o candidato.Como todo brasileiro, quero que o próximo presidente dos Estados Unidos seja mais diplomático e voltado à "liberdade americana" do que o presidente Bush.

Entretanto, algumas declarações de Obama nos últimos dias me fizeram refletir sobre a minha empolgação. A nossa preocupação enquanto brasileiros sobre a eleição norte-americana deve ser o nosso próprio País. Já que, como todas as nações do planeta, dependemos muito do império econômico dos Estados Unidos. E foi esta preocupação com o meu Brasil que me faz voltar atrás em minha torcida.

Em recente declaração, o senador foi enfático ao dizer que os EUA devem se preocupar de forma incisiva com a Amazônia, insinuando que não sabemos cuidar de nossa floresta como convém. Uma declaração como esta, partindo de um empresário suíço, ou mesmo de um jornal europeu ou americano, já deve ser encarada como desrespeito a nossa soberania. Vindo de um homem que está prestes a se tornar o próximo presidente americano pode soar como uma ameaça.

Temos os nossos defeitos e falhas. Faltamos muito com a defesa de nossa Amazônia Legal. Precisamos de políticas que proíbam e combatam, de uma vez por todas, qualquer tipo de desmatamento. Precisamos criar centros de pesquisas para explorar de forma sustentável a Amazônia. Mas estes são problemas nossos, nossos, e de ninguém mais.

Apesar de recentemente ter declarado que quer "ajudar países como o Brasil a encontrar formas de energias mais limpas", Obama é contra o fim dos subsídios agrícolas, o que eleva o preço da produção agrícola brasileira, o nosso motor de desenvolvimento nacional.

Os governos democratas historicamente são mais fechados à economia brasileira do que os governos republicanos. São mais protecionistas, o que é bom para os americanos, mas apenas para os americanos.

Com certeza a vitória de Barack Obama será um marco positivo para os Estados Unidos. Talvez para os americanos ele realmente seja melhor do que o veterano de guerra John McCain, entretanto não poderemos apóiá-lo, sem antes pensar no Brasil.

É uma pena, porque gosto dele como político.
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