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Fim da taxa do agro

18 de Fevereiro de 2026 às 18:00
Crédito: Maykon Cardoso
Fim da taxa do agro
Governador Ronaldo Caiado participa de sessão solene na Assembleia Legislativa

Ao apresentar a mensagem anual do Executivo ao Parlamento Estadual, o governador Ronaldo Caiado fez balanço da gestão e anunciou projetos de lei para anistiar produtores e extinguir o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra).

O governador Ronaldo Caiado (PSD) participou, na tarde desta quarta-feira, 18, da sessão solene de instalação da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 20ª Legislatura no Plenário Iris Rezende, da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Responsável pela entrega da tradicional mensagem governamental, o chefe do Executivo apresentou um balanço do período em que está à frente do Executivo Estadual, defendeu o modelo de gestão adotado desde 2019 e enumerou ações e prioridades do Governo de Goiás, com ênfase em responsabilidade fiscal, investimentos públicos, segurança, saúde, educação e inovação. 

Entre as ações para 2026, Caiado anunciou o envio de projetos ao Legislativo com impacto direto no setor produtivo rural. "A Alego receberá proposta para anistiar dez mil cento e nove produtores rurais” que teriam sido multados em R$ 1 bilhão, além de outro projeto que, de acordo com o governador, extingue o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). O governador afirmou que as medidas foram construídas em entendimento com os produtores rurais e as apresentou como resposta às dificuldades recentes do setor. 

Caiado saudou o presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto (UB), e destacou a ligação histórica com o Parlamento, ao lembrar que viveu durante 24 anos no Poder Legislativo. O governador também cumprimentou autoridades presentes e classificou o momento como um dia de comemoração, afirmando que os resultados alcançados em sete anos são fruto de parceria institucional, não de ação individual. “Eu tenho humildade por ter vivido no Parlamento e sei que ninguém é capaz sozinho”, declarou, ao defender um “novo normal” na administração pública baseado em ética e moral, com a tese de que, em Goiás, “o dinheiro público é preservado e é bem aplicado”. 

Política fiscal

No eixo fiscal e econômico, o governador comparou indicadores do Estado com o cenário nacional, argumentando que o debate deve ocorrer com dados concretos. Ele relembrou que, ao assumir a gestão, ouviu que Goiás seria ingovernável, por estar “bloqueado no Tesouro Nacional” e em situação fiscal deteriorada. Caiado sustentou que a dívida do Estado, que teria sido equivalente a 93% da sua arrecadação no início da gestão, recuou para 62%, com evolução de classificação. Na mesma linha, afirmou que, de 2018 a 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) goiano passaria de R$ 195 bilhões para R$ 409 bilhões, defendendo que, “em sete anos nós dobramos o PIB de Goiás”. 

O governador também citou a revisão orçamentária do início do mandato e declarou que o Estado precisou reconhecer “R$ 6,4 bilhões de dívida imediata”, envolvendo salários e fornecedores, além de uma dívida consolidada expressiva. Para ilustrar, afirmou que havia 4.600 fornecedores sem receber e criticou práticas de gestões anteriores, mencionando supostas exigências de propina.

O chefe do Executivo ainda argumentou que medidas de reorganização fiscal permitiram estabilização e investimento, e contestou críticas sobre resultados primários, usando analogias para sustentar que o Estado teria feito poupança e, por isso, conseguiu ampliar obras e entregas. Segundo Caiado, a gestão encerra o ciclo atual com “R$ 9,8 bilhões em caixa, e com a maior capacidade de investimento no país”, citando mais de R$ 7 bilhões investidos em 2025 em obras, colégios, rodovias, pontes e hospitais. 

Ao tratar de relação federativa, o governador declarou que, no período de sete anos, Goiás teria repassado R$ 124 bilhões ao Governo Federal em impostos e recebido apenas R$ 62 bilhões como investimento federal, rebatendo interpretações sobre mecanismos de renegociação e programas federais. Também detalhou a estratégia de quitação antecipada para reduzir juros, citando depósito de R$ 3,8 bilhões e defendendo que, com a operação, Goiás passaria a pagar “IPCA mais zero de juros” por décadas. “Não é favor, não”, frisou, ao sustentar que a medida foi possível por capacidade de caixa e planejamento. 

Segurança pública

Na segurança pública, Ronaldo Caiado afirmou que a área foi tratada como alicerce da governabilidade e fez críticas duras ao cenário nacional, vinculando o avanço de facções criminosas ao ambiente político do país. Ele também relembrou a diretriz que atribuiu ao início do mandato: “Bandido muda de profissão ou muda de Goiás, bandido não se cria no Estado”.

O governador afirmou que a população agora vive em paz e usou o tema para associar migração interna e redução de custos, citando que seguros seriam mais baratos e que empresas operariam com maior tranquilidade. “É a melhor do Brasil, a mais bem equipada, a mais preparada e a mais competente”, disse sobre as forças de segurança estaduais. 

No campo da saúde, Caiado destacou a expansão de rede e a interiorização de serviços, citando investimentos de R$ 38 bilhões e criticando, novamente, os repasses federais. Pontuou que, ao assumir, o Estado não teria nenhum leito estadual para tratamento de câncer, e defendeu o Complexo Oncológico de Referência do Estado (Cora) como realização central da gestão, mencionando atendimento a mais de 7.600 crianças.

Ao comparar prioridades de gasto público, citou o aeroporto de cargas de Anápolis, dizendo que custou “R$ 450 milhões e nunca recebeu a aterrissagem de nenhum drone”, enquanto o Cora, segundo ele, “custou R$ 255 milhões e está salvando vidas”. Ainda na saúde, citou a criação de hospitais no Entorno do Distrito Federal (DF), em Luziânia, Águas Lindas e Formosa, como estruturas de média e alta complexidade. “A população da região passou a ter vida, dignidade e orgulho de morar em Goiás”, afirmou. 

Infraestrutura

Sobre infraestrutura e energia, Caiado declarou que a falta de energia no Estado não decorre de distribuição, mas de gargalos em transmissão, responsabilizando decisões federais e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No mesmo contexto, lembrou a troca de concessão no Estado. “Eu fui o único governador a expulsar a Enel”, disse o chefe do Executivo defendendo postura de enfrentamento na defesa do Estado. 

O governador também abordou a reestruturação de órgãos e fundos estaduais, com destaque para o Ipasgo Saúde. Disse que recebeu o plano com dívida de R$ 450 milhões e relatou práticas que, segundo ele, envolviam retenções indevidas de valores descontados dos servidores. Defendeu mudanças de governança, citou decisões de controle externo, e afirmou que o instituto hoje estaria sob regulação e equilíbrio, atendendo “mais de seiscentas mil vidas”. Caiado mencionou, ainda, a regularização de pagamentos à advocacia pública e criticou situações que classificou como “calote” em períodos anteriores. 

Ao falar de educação, o governador Caiado afirmou que Goiás alcançou a liderança nacional, sustentando que o Estado é primeiro lugar na educação no Brasil. “Somos o primeiro no Ideb e avançamos fortemente na alfabetização”. Ele destacou que Goiás teria saído do “décimo nono” lugar no ranking de crianças alfabetizadas para posição de destaque, mencionando índice de “72,7%” e orgulho dos estudantes. Também comparou programas e citou valores de repasse federal para alimentação escolar, além de apontar que políticas estaduais teriam inspirado iniciativas em nível nacional.

Tecnologia 

No capítulo de inovação, Caiado dedicou parte do pronunciamento à tecnologia e afirmou que o Estado se tornou referência em inteligência artificial, citando a existência de centro de excelência e investimentos de R$ 720 milhões em cinco anos. Elogiou a atuação do Legislativo na aprovação de uma lei estadual sobre o tema, ressaltando que seria uma das maiores referências e defendendo modelo de código aberto. O governador também citou o uso de inteligência artificial para o combate ao crime, com implantação no Entorno do DF e expansão para Goiânia e região metropolitana. 

Ainda na agenda de desenvolvimento, o governador destacou a política voltada a minerais críticos e terras raras, sustentando que Goiás estaria na vanguarda do tema no Ocidente. Citou convênio de R$ 400 milhões com o governo japonês para mapeamento do subsolo e mencionou financiamentos e investimentos internacionais, além de projetos em municípios como Nova Roma e Iporá. "A Alego teve papel central ao aprovar legislação específica que antecipou debates ainda não consolidados no Congresso Nacional”, apontou. 

Em outro trecho, Caiado criticou a proliferação de cursos de medicina no país e classificou o fenômeno como “picaretagem”, ao argumentar que parte das faculdades teria virado negócio, sem garantir formação adequada. Afirmou ser contrário à abertura de cursos sem estrutura e citou o fortalecimento da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Ao encerrar, o governador ressaltou que esta é sua última participação na tribuna da Alego na condição de chefe do Executivo e afirmou que governou com exemplo de vida. Caiado agradeceu aos parlamentares, às instituições e à população goiana, e, por fim, pediu que a classe política não permita retrocessos administrativos. 

Agência Assembleia de Notícias
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