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Marco contra o câncer de mama

29 de Outubro de 2026 às 08:30
Marco contra o câncer de mama

Campanhas de prevenção à doença, representadas pelo laço cor-de-rosa, se intensificam no mês de outubro por todo o mundo. Na Alego, a Corrida Rosa e Azul e ações especiais da seção de Saúde mobilizam o público.

Criado no início da década de 1990, o Outubro Rosa surgiu como um marco na prevenção ao câncer de mama, lançado pela Fundação Americana Susan G. Komen for the Cure, já com o laço cor-de-rosa. O movimento ganhou força e se espalhou mundo afora como um movimento internacional de conscientização para a detecção precoce do câncer de mama. 

Em todo o mundo, o período é celebrado com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama, a fim de contribuir para a redução da incidência e da mortalidade pela doença, engajando toda a comunidade internacional na busca da prevenção e na redução da mortalidade. 

No Brasil, conforme apontam os dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), para cada ano do triênio 2023-2025, foram estimados 73.610 casos novos, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 41,89 casos por 100 mil mulheres (Inca, 2022), contabilizando atualmente um avanço de cerca de 28% de novos casos de câncer em mulheres. 

O Inca recomenda que para evitar que essa neoplasia seja descoberta tardiamente, as ações de controle do câncer de mama devem ser monitoradas e avaliadas, de forma contínua, a fim de se identificar os avanços e também as dificuldades e limites a serem superados na organização da linha de cuidado dessa doença. 

Apesar de ser um diagnóstico associado ao mundo feminino, posto que acomete com muito mais frequência as mulheres, o câncer de mama também pode ocorrer no mundo masculino. São casos raros que representam uma incidência de menos de 1% do total de casos da doença, mas que podem também vitimar os homens. Por isso, a conscientização deve envolver todos os gêneros no país inteiro.

Assembleia 

Em Goiás, por determinação do presidente Bruno Peixoto (UB), a Assembleia Legislativa realizou no último dia 17, a nona edição da Corrida Rosa e Azul. Com largada e chegada na sede do Poder Legislativo, o evento reuniu cerca de mil participantes no estacionamento da Casa. Com o tema "Quem se cuida, vai mais longe”, a prova teve um percurso de cinco quilômetros. 

Coordenada pela fisioterapeuta Simone Lemos, servidora da Alego, a Corrida Rosa e Azul se integrou às campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, realizadas em vários países do mundo, no intuito de dar visibilidade às medidas de prevenção contra esses dois tipos de tumores. 

A extensa programação do evento reuniu esporte, lazer e informação em torno da promoção da saúde. Além das atividades esportivas, o evento contou com ações de bem-estar, incluindo alongamento e FitDance, apresentações musicais do cantor Di Ramon e de uma dupla, além da premiação dos participantes.

Somando as ações voltadas para essa mesma temática, no último dia 22, o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (Sesmt), da Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho, numa parceria inédita com o grupo Medfácil, promoveu a Ação Especial Outubro Rosa. O evento foi realizado no saguão do Palácio Maguito Vilela, com o intuito de incentivar a prevenção de doenças, reforçar os cuidados com a saúde da mulher e oferecer serviços de saúde. 

Essa ação especial – em sintonia com o Outubro Rosa - integra as iniciativas de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, reforçando o compromisso da Casa de Leis com a promoção da saúde e a qualidade de vida de seus servidores e a comunidade. 

Durante o evento, foram ofertados os serviços de ultrassonografia, mamografia e demais atendimentos médicos disponibilizados para servidores e a comunidade, além de serviços complementares como teste de glicemia, aferição da pressão arterial, eletrocardiograma e bioimpedância. Também foi promovido um momento de acolhimento e conscientização sobre a prevenção ao câncer de mama com a participação de mulheres que enfrentam o problema.

Tumor mais frequente

Essa é uma temática sempre presente no Parlamento goiano e reconhecida como sendo de grande importância por todo o corpo médico da Casa de Leis. A ginecologista e obstetra Mariana Melo explica que, segundo dados do Inca, excluindo o câncer de pele não melanoma, o tumor de mama é o que mais afeta as mulheres no país. Ao trazer o alerta, a especialista lembra que elas não são as únicas atingidas pela doença, pois, ainda que em número bastante inferior, os homens também são acometidos pelo câncer de mama e precisam se submeter aos tratamentos, tanto quanto as mulheres. 

De acordo com Mariana Melo, antes dos 35 anos, o câncer de mama pode ser considerado relativamente raro em qualquer dos sexos. Acima desta idade, sua incidência cresce progressivamente e se torna mais prevalente nas mulheres após os 50 anos. Isso se deve porque, com mais idade, existe mais tempo de exposição aos fatores de risco. Ela alerta que existem vários tipos de câncer de mama, sendo que alguns evoluem de forma rápida, outros não. Contudo, se descoberto precocemente, a maioria dos casos tem bom prognóstico, explica. 

A profissional detalha que o primeiro passo no combate ao câncer de mama é o autoexame, importante para a mulher se conhecer e detectar alguma alteração antes do intervalo de pesquisa anual. Ela alerta, no entanto, que esse autoexame não deve substituir a mamografia, considerada exame padrão ouro para o rastreamento da neoplasia. Dessa forma, este exame possibilita a detecção de lesões antes do câncer avançar, permitindo que o tratamento seja mais efetivo.

Conforme a obstetra, o grande benefício do rastreio é detectar lesões ainda assintomáticas, ainda imperceptíveis ao exame físico. O câncer de mama já instalado pode apresentar nódulo na mama, retração do mamilo, alteração do aspecto do seio, secreção que sai pelo mamilo - principalmente se sanguinolenta ou transparente - alterações na pele da mama, caroços na axila. Se há metástase, acrescenta, os sintomas podem ser de acordo com o local acometido, como, por exemplo, dor na coluna (metástase óssea), dor abdominal (metástase hepática), alterações neurológicas (metástase cerebral), entre outras.

A especialista relata que a neoplasia aparece quando há uma mutação genética em alguma célula, que causa a multiplicação desenfreada de células anormais. Essa multiplicação forma um tumor que pode crescer muito rapidamente, mas também pode ter um curso lento. Conforme sua observação, alguns fatores podem influenciar o desenvolvimento do câncer: ambientais, genéticos e de estilo de vida.

“É preciso conhecer os fatores de risco para câncer de mama, como a obesidade, o tabagismo, o etilismo, o sedentarismo, o uso de contraceptivos orais por longa data, a exposição frequente à radiação. A gestação tardia (após os 35 anos) também aumenta o risco, enquanto amamentar tem fator protetor. Todas essas modificações no estilo de vida fazem parte da prevenção”, pontua. 

Álcool

Existe um dado novo divulgado recentemente pela Gineco Academy — plataforma de atualização científica voltada para a prática médica —, que passou a ser considerado nessa equação e está relacionado aos fatores de risco considerados modificáveis, dentre eles, o consumo de álcool e o sobrepeso. 

Mariana Melo lembra que, antigamente, se tinha a ideia que somente o abuso de álcool aumentaria o risco para o câncer de mama, mas, hoje, já se sabe que não existe mais dose segura, independentemente de qual bebida alcoólica é ingerida. Antes, os estudos alertavam para o aumento do câncer de mama apenas com o consumo excessivo de álcool, mas com esse novo achado, a ciência já determinou que também o consumo considerado leve pode aumentar o risco de câncer de mama, demonstrando que qualquer quantidade de álcool ingerida apresenta uma associação estatística significa adicional.

Outro fator que entrou nessa equação foi o sobrepeso pré-menopausa e pós-menopausa, indicando um aumento de risco de cerca de 30%. Além destes, o cálculo inclui, ainda, os fatores: idade, altura, peso, data da primeira menstruação, densidade da mama, se a mulher teve filho, se amamentou, se entrou na menopausa, se faz terapia hormonal, hábitos de vida, além da prática de atividade física regular. Essas calculadoras são patenteadas e licenciadas para serem usadas em consultório médico. Para isso, foram desenvolvidas calculadoras de risco que são licenciadas e patenteadas para que o médico habilitado possa calcular qual o risco de cada mulher.

Finalmente, a especialista lembra que o aparelho reprodutor da mulher exige que ela mantenha visitas constantes ao ginecologista a partir da menarca (pimeira menstruação). Assim que ela inicia sua vida sexual, é necessário maior cuidado em todos os aspectos, inclusive na vigilância com relação às neoplasias.

Agência Assembleia de Notícias - Repórter: Ana Cristina Fagundes
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