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Consulta pública

09 de Março de 2011 às 15:24
Artigo de sociólogo e pesquisador legislativo da Assembleia goiana trata da construção social da corrupção.

Segue disponível para consulta pública artigo do sociólogo e pesquisador legislativo da Assembleia Legislativa de Goiás, Ari Martins Alves Filho, que trata da construção social da corrupção. O texto procura compreender a formação de fenômenos de corrupção a partir da prática cotidiana do cidadão comum e está disponível na seção de Assessoramento Temático do site da instituição.

Um dos pontos altos do artigo é a corrupta prática social reiterada do “Você sabe com quem está falando?”, problematizada pelo antropólogo Roberto Da Matta. Tal prática pode ser entendida como um mecanismo de solução de conflitos em um contexto de forte desigualdade social. Muitas vezes, as práticas corruptas são criadas para superar certas ordens de tensão.

Há também uma certa institucionalização do hábito, conceito bem trabalhado por Peter Berger em "A Construção Social da Realidade". De acordo com o autor, o ser humano, por uma questão de economia psíquica, tende ao hábito. A sugestão é que as rotinas humanas têm potencial para se transformarem em instituições. "Nós exteriorizamos nossas atitudes, elas se objetivam no mundo da vida e são por nós interiorizadas. Contudo, a interiorização de um comportamento, exteriorizado por uma pessoa e por ela objetivado no mundo da vida, também pode ser interiorizado por outras pessoas, através do processo de aprendizagem," é um dos trechos do livro.

Já Roberto DaMatta analisou com propriedade um traço autoritário da cultura nacional, a conhecida expressão no Brasil do “Você sabe com quem está falando?”. A citada expressão é característica de sociedades marcadas predominantemente por uma ética vertical, própria de arranjos sociais fortemente hierarquizados. Existem sociedades caracterizadas por uma ética do tipo horizontal, fundadas na impessoalização das relações sociais com base nas leis do Estado e da economia. Não é o caso do Brasil.

Em sociedades de ética vertical, como a brasileira, é comum a utilização de expressões do tipo “Você sabe com quem está falando?”, como um mecanismo de superação da igualdade formal, a fim de se obter facilidades privilegiadas em esferas públicas ou privadas. Por um lado, tal mecanismo busca desigualar o que formalmente é igual. Em palavras outras, o “Você sabe com quem está falando?” é um modo de burlar e superar tensões sustentado no aprofundamento das desigualdades.

O texto de Ari, que é mestrando em Sociologia pela UFG, pode ser lido na íntegra clicando aqui.

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