Rio Araguaia
Na sessão plenária desta terça-feira, 5, o deputado Evandro Magal (PP) pediu, da tribuna, que seja formada uma frente parlamentar para impedir que o progresso destrua o Rio Araguaia.
O parlamentar manifestou preocupação com o anúncio de que já está adiantado o processo de liberação do projeto de construção da Usina de Couto Magalhães, pelo Governo Federal. "Temos que unir forças para garantir a sobrevivência do Araguaia", afirmou Magal. Alertou ainda que a construção da usina pode destruir definitivamente o rio. "Estamos à beira de perder o maior patrimônio natural do Brasil Central."
Ambientalistas têm denunciado na imprensa que a Usina de Couto Magalhães vai gerar grande impacto ambiental na região, no município de Santa Rita do Araguaia, onde a obra vai ser construída. Uma das consequências será o fim de 22 cachoeiras, entre elas a Couto Magalhães, a maior do Araguaia.
A fauna e a flora locais também seriam prejudicadas. Os ambientalistas acreditam que o Araguaia tem mais a oferecer em ecoturismo e pesquisa do que na produção de energia elétrica, que, segundo eles, pode ser obtida com outras formas menos agressivas ao ambiente.
"Temos que somar esforços com os ambientalistas e todos aqueles que se preocupam com o que restou do meio ambiente em Goiás", propôs Magal. No ano passado, ele apresentou requerimento que pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar agressões ao Rio Araguaia provocadas pela ação de 52 dragas de diamantes na Área de Proteção Ambiental (APA) do Encantado, localizada no município de Baliza.
15 usinas
Até 2017, 15 usinas hidrelétricas serão instaladas em Goiás, o maior investimento em energia entre os Estados da União. Os projetos, que colocarão Goiás em posição de destaque na produção de energia hidrelétrica e de biomassa, também significarão várias alterações no meio ambiente. Para mencionar algumas, a inundação de mais de 20 sítios arqueológicos, desmatamento, além da queima de milhares de hectares de cana-de-açúcar para produção de álcool, e de óleo diesel, combustível altamente poluente, pelas termelétricas.
Existem três projetos de usinas no Araguaia: o de Santa Isabel, Torixoréu e o de Couto Magalhães. A Hidrelétrica de Santa Isabel faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e já foi licitada. O vencedor é o consórcio Gesai, composto pelas empresas Vale, Camargo Corrêa, Billiton Metais, Alcoa Alumínio e Votorantim Cimentos. O investimento previsto é de R$ 2 bilhões, com capacidade para gerar 1.087 megawatts de energia.