Críticas e elogios aos cem primeiros dias do Governo de Marconi
Líder da bancada do PT na Assembleia, o deputado Luis Cesar Bueno avalia como conflituoso o relacionamento de Marconi Perillo com a Assembleia Legislativa nesses cem primeiros dias de governo. "Ele tem tido matérias aprovadas, mas sempre encontra dificuldade em conseguir junto à base o mínimo de 21 deputados necessários. Constantemente tem de negociar com a oposição", diz.
O deputado afirma ainda que a administração tucana conseguiu da Assembleia respaldo para adotar uma política privatizante. "O Poder Legislativo deu carta branca para o Governo privatizar a Iquego, o Ceasa e a Celg".
Segundo Luis Cesar Bueno, o Governo adotou o ajuste fiscal como meta, porém cobrou da população um rigoroso ajuste entre despesas e receitas. "Foram tomadas medidas impopulares, como o aumento do imposto da gasolina, do álcool e do diesel, e a redução do imposto do querosene de aviação. Enquanto o ICMS da gasolina subiu de 23 para 29%, o combustível de jatinhos particulares diminuiu de 11 para 1%", critica.
Para o petista, essa alta no imposto dos combustíveis faz a população pagar a conta do Fundo de Transporte, criado para a recuperação das rodovidas estaduais. "Em vez de trabalhar, o Governo fica procurando razões para justificar sua incompetência em operar a máquina pública. Primeiro, colocaram a culpa no Governo Alcides. Agora, estão dizendo que políticos de oposição estão bloqueando verbas em Brasília", salienta.
O parlamentar entende que o Governo ainda não cumpriu o dever de casa. "Exonerar servidores comissionados, aumentar as receitas e diminuir as despesas. Estas são as medidas que terão o apoio da oposiçao", aponta.
Já para o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), deputado Daniel Messac (PSDB), Marconi fez uma grande gestão até agora. "Ele deu uma verdadeira aula de como superar as adversidades", elogia. Segundo o parlamentar, um dos destaques desses cem primeiros dias são os avanços na solução da crise da Celg. "O Governo já avançou muito na solução dos problemas da empresa. Mostra que faltava mesmo era competência e vontade política. O próprio ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, reconheceu isso, em entrevista publicada recentemente em jornal de Goiânia", frisa.
Daniel Messac cita também a forma como o Governo tem enfrentado a crise que herdou no Ipasgo. "Em vez de jogar a sujeira embaixo do tapete, como fazia o governo anterior, Marconi enfrenta o problema de frente. Tem coragem de tomar decisões, mesmo que seja um remédio amargo", explica.
O relacionamento do Executivo com o Legislativo tem sido, na opinião de Messac, o melhor que ele já conheceu em seus três mandatos. "Marconi é um democrata. Não manda um projeto para a Assembleia sem antes discutir com os deputados", salienta.
Para o deputado Talles Barreto (PTB), Marconi mostra trabalho em vez de ficar lamentando os problemas herdados da administração anterior. Ele destaca como marca desses primeiros cem dias a atração de empresas e novos investimentos para o Estado. "Só a Mitsubishi vai investir R$ 1,2 milhão na fábrica de Catalão", frisa. Destaca também a vinda da fábrica da Suzuki para Goiás, além de investimentos do grupo Votorantin e da Hipermarcas, e a implantação do projeto Goiás Conectado, que vai isentar de ICMS o serviço de banda larga no Estado.