Comissão de Saúde realizou audiência sobre dificuldades financeiras do Araújo Jorge
Por iniciativa do presidente da Comissão de Saúde e Promoção Social, deputado Doutor Joaquim (PPS), a Assembleia Legislativa realizou, nesta terça-feira, 12, no Auditório Solon Amaral, audiência pública para discutir as dificuldades financeiras da Associação de Combate ao Câncer do Estado de Goiás (ACCG), mantenedora do Hospital Araújo Jorge (HAJ), referência no tratamento do câncer em Goiás.
Doutor Joaquim afirmou que o objetivo do evento foi sensibilizar autoridades e a comunidade da importância do trabalho realizado pela entidade, que atende pacientes com câncer de todo o Centro-Oeste. "É uma entidade importantíssima, que realiza um trabalho de referência, oferecendo aos pacientes qualidade de vida. Caso o Araújo Jorge tenha que restringir suas atividades por falta de recursos, quem perde são os goianos", destacou.
Fizeram parte da mesa da solenidade, além do deputado Doutor Joaquim, o deputado Helio de Sousa (DEM), o desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás, Paulo Telles, e a presidente da ACCG, Criseide Castro Dourado.
Para expor sobre as dificuldades por que passa o HAJ, a presidente da ACCG, apresentou diversas realizações que foram promovidas entre os anos de 2000 e 2010, período em que está a frente da administração, apresentando o quanto é oneroso o desenvolvimento da atividade que realizam.
Criseide Castro ressaltou que a situação atual da entidade é de limitação de recursos, com dívidas junto a bancos, fornecedores e médicos. Segundo ela 70% da dívida junto aos médicos já foi quitada. "Para estes profissionais, esta dívida corresponde a 10% de seu faturamento, mas ainda temos que pagar. O dinheiro é deles", disse.
A presidente afirmou ainda que é importante conscientizar a população do trabalho da ACCG e de seu compromisso com este trabalho. "Fizemos e temos feito grandes investimentos com a construção e reforma de espaços físicos e compra de equipamentos, para propiciar melhores condições de atendimento aos cidadãos", contou.
Criseide cobrou também maior atenção da mídia quanto a veiculação de imagem negativa da associação. “Dizem várias inverdades sobre nós, por exemplo, que estamos sucateados. Sugiro e deixo as portas abertas a irem nos visitar e conhecer todo o trabalho que realizamos e a maneira como realizamos, pois tenho certeza de que irão ter uma outra visão da nossa associação”, destacou.
O deputado Helio de Sousa (DEM), que juntamente com o ex-deputado Wagner Guimarães (PMDB) elaborou o Estatuto do Portador de Câncer, destacou que o endividamento é um problema que atinge a maioria dos hospitais filantrópicos do País, inclusive o HAJ. "O Sistema Único de Saúde (SUS) promoveu a universalização do atendimento à saúde, mas isto tem um preço que é pago pelos hospitais filantrópicos", disse Helio.
De acordo o deputado, há um desequilíbrio entre o custeio e a necessidades de investimento destes hospitais e a tabela de pagamento do SUS. Para exemplificar, Helio de Sousa contou que hoje o HAJ compra medicamentos que não são ressarcidos integralmente pelo SUS.
O deputado também defendeu a participação de toda sociedade para a manutenção do Araújo Jorge. "O Estado não age. Ele reage a provocações. Por isso, temos que provocá-lo e lutar pela manutenção deste hospital, que é a maior referência no tratamento de câncer do Centro-Oeste", declarou.
O desembargador Paulo Telles manifestou sua preocupação com a quantidade de liminares determinando que secretarias estaduais e municipais e hospitais prestem atendimento a pacientes ou realizem cirurgias, sob pena de prisão. "É claro que o juiz não pode permitir que o paciente morra por falta de atendimento. Mas é necessário ter cautela e equilíbrio nas decisões e evitar precipitações, já que elas interferem no equilíbrio financeiro destas instituições. Estas decisões não são a causa principal do desequilíbrio orçamentário dos hospitais, mas contribuem para o agravamento do quadro", disse.
A ACCG
A Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG) é uma instituição privada de caráter filantrópico, ou seja, sem fins lucrativos, que se dedica ao combate ao câncer. Fundada em 1956 pelo médico alagoano Dr. Alberto Augusto de Araújo Jorge, com o apoio do Rotary Clube de Goiânia, a ACCG constitui atualmente um centro nacional de referência no tratamento de câncer, que também desenvolve ações de prevenção e pesquisas da área oncológica.
Reconhecida por toda a sociedade goiana, meio científico, governo, organizações filantrópicas, iniciativa privada, bem como pelos seus empregados, voluntários e associados, a ACCG é o único centro especializado em oncologia da região Centro-Oeste.
A instituição atende pacientes de Goiânia, do interior goiano e de outros Estados. Anualmente, realiza em média 900 mil procedimentos, entre consultas, internações, cirurgias, aplicações de doses de quimioterapia, sessões de radioterapia e outros procedimentos.