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Saúde do Militar

27 de Maio de 2011 às 00:22
Audiência pública na manhã desta sexta-feira encerra ciclo de palestras sobre a jornada de trabalho de policiais.

Em continuidade ao ciclo de seminários destinado à discussão da jornada de trabalho e seus reflexos na saúde dos militares, a Assembleia Legislativa recebeu profissionais da área de psicologia e segurança do trabalho na noite dessa quinta-feira, 26. O evento é uma promoção da Comissão de Segurança Pública da Casa, presidida pelo deputado Major Araújo (PRB)

As palestras tiveram lugar no Auditório Solon Amaral, das 19 às 22 horas. Os encontros serão encerrados na manhã desta sexta-feira, 27, com a realização de audiência pública sobre o assunto, com início às 9 horas.

Além de Major Araújo, estiveram presentes ao encontro: a psicóloga Cristina Ramos Silva, especialista multiprofissional em Saúde da Família; a tenente-coronel Miriam Terezinha Bueno Nogueira Belém, psicóloga com mestrado em Psicologia Social e da Personalidade.

E ainda: capitã Rosana Cristina de Oliveira, presidente do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt) do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás, que representou o Comando Geral daquela instituição; o engenheiro de Segurança do Sesmt do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, Gilmar Fernandes de Almeida; representantes da Secretaria de Estado da Saúde, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Guarda Municipal.

Saúde

O deputado Major Araújo abriu as discussões falando sobre as dificuldades encontradas pelo militar no que diz respeito à limitação de sua jornada de trabalho. "O militar não tem condições de fazer um trabalho preciso se enfrenta problemas ligados ao estresse excessivo. Espero que, a partir deste encontro, possamos iniciar um movimento de conscientização dos militares, iniciando a árdua luta pela limitação da jornada de trabalho da classe."

A psicóloga Cristina Ramos Silva falou sobre a saúde emocional do militar, com ênfase no problema do estresse. "O que chamamos de saúde emocional envolve a saúde mental e corporal do indivíduo. É importante que o trabalhador saiba até que ponto o trabalho tem sido um aliado ou um inimigo da sua saúde."

Segundo a especialista, o estresse é o principal fator psicossocial de risco do trabalho. "O estresse é uma sensação desagradável que ocorre quando as pessoas estão inseguras quanto à sua capacidade para enfrentar um desafio importante. É importante notar que o estresse é também algo fisiológico, podendo provocar uma série de reações físicas e comportamentais como resposta a eventos que representem ameaça ou desafio."

"Na verdade, toda pessoa deve apresentar uma carga ideal de estresse, o chamado estresse positivo ou eustresse, e evitar a estimulação deficiente ou excessiva. Nesses dois últimos casos, dizemos que há a situação de estresse negativo, ou distresse", explicou Cristina Silva.

Ela lembrou que a saúde pode ser lesada não apenas por fatores agressivos, mas também pela ausência de fatores ambientais favoráveis, os chamados fatores de subcarga, que compreendem a falta de atividade muscular, pouca diversificação de tarefas no trabalho, falta de responsabilidade individual ou de desafios intelectuais.

"O impacto do estresse sobre a saúde depende da sua frequência, intensidade e duração, além da personalidade e do estilo de vida do indivíduo. "O estresse ocupacional está relacionado especialmente à capacidade de enfrentamento de cada um", afirmou.

A psicóloga elencou ainda os principais sintomas que caracterizam casos de estresse. "Desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional, sensação de angústia, incompetência, apatia, dificuldade para tomar decisões, irritabilidade sem causa aparente, além de sensação de fadiga ou sono, mesmo tendo dormido o suficiente."

Segundo a psicóloga, o indivíduo sob estresse excessivo pode apresentar mudança extrema de apetite, diminuição da libido, tontura, formigamento das extremidades, palpitações cardíacas irregulares, respiração ofegante, dores de cabeça, dificuldades de respiração, dentre outros problemas. "O mais importante é a prevenção do distresse, através da adoção de atitudes positivas, melhor gerenciamento do tempo e lazer."

A especialista encerrou sua exposição, ministrando exercício de relaxamento, que contou com a participação dos presentes.

Tratamento

A tenente-coronel Miriam Terezinha falou sobre as situações de enfrentamento do estresse e da saúde do militar, através da adoção de políticas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação em saúde mental, desenvolvidos pela Polícia Militar goiana.

"Segundo a Organização Mundial de Saúde, o trabalho do policial militar é um dos mais estressantes, pois implica o uso de arma de fogo, bem como na exposição constante a acidentes de trabalho que podem ser fatais ou incapacitantes", afirmou.

A especialista elencou os programas implementados pela polícia goiana, especialmente dedicados à manutenção da saúde do policial militar. "O Centro de Saúde Integral do Policial Militar (CSIPM) desenvolve uma avaliação completa da saúde do policial militar, objetivando a prevenção, diagnóstico precoce de doenças, tratamento e reabilitação da qualidade de vida. Caso o policial apresente algum comprometimento da saúde mental, ele é orientado a buscar a especialidade médica necessária", explicou.

Miriam também falou sobre o Programa de Cuidados em Saúde Mental, ou PCSM, que oferece um conjunto de ações integradas ao policial militar, que compreendem, por exemplo, ações de sensibilização, educação e promoção da saúde mental junto aos comandos, oficiais e praças. Ela esclarece que também existem procedimentos de avaliação física e psicológica, quando da transferência de policiais militares para unidades do BPM-Choque e Rotam.

A especialista encerrou sua exposição falando sobre o Programa de Atenção Integral de Saúde do Policial Militar (PAISPM), destinado ao tratamento de casos de dependência química entre policiais, e do Programa de Saúde para o Diabético (PSPD), destinado ao controle, tratamento e acompanhamento do problema.

Regulamentação

A médica do trabalho e capitã Rosana Cristina de Oliveira falou sobre a importância do cumprimento de normas legais relacionadas à saúde dos militares. "O que realizamos no CPSM é um exame periódico, destinado especificamente ao policial militar. Observo que nas demais PMS brasileiras, não há um movimento pela saúde tão forte quanto a encontrada na PM goiana, que no momento carece de maiores investimentos para a melhoria do ambiente de trabalho", ponderou.

O ciclo de palestras foi encerrado pela exposição do engenheiro do trabalho do Sesmt do Corpo de Bombeiros, capitão Gilmar Fernandes, que falou sobre o decreto estadual nº 5757, que instituiu um programa de saúde destinados a todos os funcionários do Estado. "É importante que todo programa de prevenção de acidentes contemple não apenas aquilo que está determinado pela lei, mas também a situação real de cada ambiente de trabalho."

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